Há diretores que fogem de adaptações de peças de teatro como o diabo foge da cruz. Isso não acontece com Roman Polanski. Pela terceira vez, o polêmico cineasta polonês se apoia num texto teatral e nos brinda com outro grande filme. O resultado é o enervante e ácido Deus da carnificina (Carnage), que estreia nesta sexta-feira (20/07) no Cinema da Fundação, depois fazer bonito no Festival de Veneza do ano passado.
Acossado pela justiça americana em virtude de uma acusação de estupro na década de 1970, o cineasta viu no episódio de sua prisão um ato de pura hipocrisia. E a hipocrisia do politicamente correto é o que está em questão em Deus da Carnificina. A partir de um fato corriqueiro – a briga de dois meninos, num parque de Nova Iorque –, dois casais se confrontam num espetáculo em que as pulsões destrutivas mais atávicas do ser humano vêm à tona.
Com a cumplicidade de quatro ótimos atores – os casais John C. Reilly e Jodie Foster, de um lado, e Christopher Waltz e Kate Winslet, de outro –, e praticamente um cenário, Roman Polanski dá uma verdadeira aula de cinema. Pais de Zachary, Nancy (Winslet) e Alan (Waltz) são convidados por Michael (Reilly) e Penélope (Foster) para discutir o que levou o menino a agredir o colega Ethan. Educados e corteses a princípio, a discussão entre os casais ganha proporções tão infantis quanto a briga dos meninos. Muitas vezes, ficamos sem saber se devemos chorar ou rir com o que se passa por trás de um casamento.
Leia a critica completa na edição desta sexta-feira (20/07) no Caderno C, do Jornal do Commercio.
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