Luz e sombra, noite e dia, vida e morte. É do confronto entre elementos cotidianos da existência humana que se alimenta a narrativa do longa-metragem Histórias que só existem quando lembradas (2011) que entra hoje em cartaz no Cinema da Fundação.
Estreia da cineasta carioca Júlia Murat na direção de longas, o filme chega ao circuito comercial depois de participar de 40 festivais internacionais e ganhar 27 prêmios, tornando-se a produção brasileira mais premiada dos últimos 10 anos.
Poucos lugares seriam mais propícios para se contar uma história sobre a passagem do tempo que as locações encontradas por Júlia. A partir de três cafundós esquecidos na zona rural de Vassouras, no Rio de Janeiro, ela deu luz à cidade fictícia de Jatuomba.
Com uma igrejinha velha, uma estação de trem abandonada e uma única rua, a cidade é uma personagem à parte. Como seres perdidos no passado, o lugarejo é povoado por um grupo de idosos, entre eles a padeira Madalena (Sônia Guedes) e Antônio (Luiz Serra), que passam o dia implicando um com o outro.
A rotina de Jatuomba e dos moradores é quebrada com a chegada de Rita (Lisa Fávero), uma fotógrafa que pede abrigo na casa de Madalena ao se encantar pelo clima rural dos anos 1930 do lugar. Com uma câmera improvisada (tipo pinhole), ela bate fotos que capturam a quase inexistência de vida do lugar e de seus moradores.
Assim como Trabalhar cansa, de Marco Dutra e Juliana Rojas, Histórias que só existem quando lembradas é uma narrativa realista que se deixa contaminar pelo estranho mundo das fábulas.
Leia a crítica completa na edição desta sexta-feira (03/08) no Caderno C, do Jornal do Commercio.
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