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Terror

'Creepy', novo filme de Kiyoshi Kurosawa, estreia no Recife

Longa, que foi exibido no Festival de Berlim, é bom terror psicológico

Publicado em 05/01/2017, às 15h15

O detetive Takakura (Hidetoshi Nishijima) observa seu estranho vizinho, Nishino (Teruyuki Kagawa) / Divulgação
O detetive Takakura (Hidetoshi Nishijima) observa seu estranho vizinho, Nishino (Teruyuki Kagawa)
Divulgação
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O cineasta japonês Kiyoshi Kurosawa tem desenvolvido, ao longo de sua carreira, narrativas plurais, que vão dos dramas familiares a histórias de teor metafísico. É no horror, no entanto, que ele solidificou sua base, criando obras de teor psicológico marcadas por comentários incisivos sobre a contemporaneidade. É o caso de Creepy, longa lançado no ano passado, mas que chega nesta quinta-feira (6), ao Cinema do Museu.

O filme acompanha Koichi Takakura (Hidetoshi Nishijima), detetive aposentado após sofrer um atentado durante serviço. Intrigado com o comportamento de serial killers, ele passa a ministrar aulas de psicologia criminal em uma universidade e muda-se com a esposa, Yasuko (Yuko Takeuchi) para o interior. 

Na nova residência, se deparam com vizinhos excêntricos, pouco sociáveis, como o instável Nishino (Teruyuki Kagawa). Enquanto Yasuko tenta se integrar com os outros moradores, Koichi se lança na investigação de um caso antigo e não solucionado de uma família que desapareceu, deixando para trás a filha mais nova.

Apesar de recorrer a alguns clichês do gênero, como coincidências demasiadamente forçadas, como o velho recurso do “no lugar certo, na hora certa”, Kurosawa mostra seu domínio na arte do terror ao evitar sustos fáceis, preferindo desenvolver uma narrativa de ritmo lento (o filme tem pouco mais de duas horas), cuja tensão reside na possibilidade do ataque, mais do que sua concretização.

Não há, no longa, a necessidade de se criar um suspense em relação ao que irá acontecer. O diretor parece mais interessado em dissecar como, apesar dos sinais de perigo, às vezes se torna inevitável a rota de colisão. 

A relação do psicopata com suas vítimas é calcada em uma espécie de dominação que parece baseada, acima de tudo, na culpa. Elas executam suas vontades porque acham, de alguma forma, que são responsáveis pela situação na qual se encontram.

É um mote interessante para pensarmos como a construção de relações baseadas na dependência e na culpabilidade – e aí pode-se entrar em outras esferas, como a religião e a política – cria espaço para situações de intolerância e barbárie.

PREMIADO

Kiyoshi Kurosawa é um nome querido no cenário do cinema de autor. Considerado um mestre dos filmes de terror, ele venceu o prêmio do júri da mostra Un Certain Regard de Cannes, em 2008, com Sonata de Tóquio, e, em 2015, na mesma premiação, levou o prêmio de direção por Para o Outro Lado.

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