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CINEMA

Festival VerOuvindo dá a largada no feriadão

Acessibilidade é o mote do evento, que chega ao quarto ano

Publicado em 21/04/2017, às 10h48

Cena de Shaolin do Sertão, de Halder Gomes / Downtown-Paris Filmes/Divulgação
Cena de Shaolin do Sertão, de Halder Gomes
Downtown-Paris Filmes/Divulgação
JC Online

Poucos festivais de cinema têm uma missão tão nobre quanto o VerOuvindo: Festival de Filmes com Acessibilidade Comunicacional do Recife. Este ano, o VerOuvindo, que chega à sua quarta edição, se firma como um dos mais importantes e necessários eventos cinematográficos de Pernambuco e do Brasil. Enquanto algumas cidades têm, ocasionalmente, festivais orientados para pessoas com deficiência visual e auditiva, o do Recife já é uma referência para profissionais – audiodescritores, roteiristas e locutores – de vários países. Não por acaso, o evento acontece paralelamente ao 3° Encontro (Inter)nacional de Audiodescrição, que também tem lugar no Recife e se mistura às ações do VerOuvindo.

A programação do festival se estende desta sexta-feira (21/4) até o próximo dia 30/4, com oficinais, debates, master classes, competição de curtas-metragens nacionais e estaduais, com direito a prêmio em dinheiro. O Cinema São Luiz, o Cinema da Fundação/Museu e o Paço do Frevo vão ser palcos para o evento. Durante 10 dias, os deficientes auditivos e visuais vão receber as principais novidades do mundo da acessibilidade. Durante a exibição do longa-metragem cearense Shaolin do Sertão, de Halder Gomes, na sessão de encerramento, no Cinema São Luiz, os espectadores terão uma surpresa. Pela primeira vez, vão experimentar óculos que exibem audiodescrição e Libras (Língua Brasileira de Sinais).

“O aparelho permite que pessoas com deficiência auditiva visualizem a janela de Libras individualmente, sem alterar a luminosidade do local”, garante Liliana Tavares, que é audiodescritora, idealizadora e produtora do festival, ao se referir aos tablets e celulares que são utilizados para acessar a Libras ou a legenda através do aplicativo MovieReading. “Os óculos também possibilitam que qualquer pessoa frequente a mesma sala sem interferir no filme.”, complementa. “Na maioria das vezes, as pessoas cegas ou surdas utilizam aplicativos para ir ao cinema. Além de interferir no ambiente, a Libras não aparece na mesma tela do filme e o espectador fica tendo que olhar para duas telas”, detalha Liliana.

ACESSIBILIDADE

No audiovisual, a audiodescrição (AD) é um recurso voltado para pessoas cegas ou de baixa visão que procura descrever o ambiente, os personagens, o figurino e os demais elementos imagéticos e sonoros contidos em uma cena. A tradução em Libras reproduz e interpreta os diálogos, narrativas e sons na língua de sinais. Já a LSE (legenda para surdos e ensurdecidos) indica, além dos diálogos, o personagem falante e os efeitos sonoros presentes no filme. Com exceção da Mostra Competitiva, exclusiva para Audiodescrição, os filmes exibidos no VerOuvindo contarão com todos os recursos de acessibilidade.

O longa-metragem Todos, escolhido para a abertura da mostra de filmes, tem como tema a acessibilidade. Dirigido por Luiz Alberto Cassol e Marilaine Castro da Costa, a produção acompanha as viagens de um historiador por várias cidades do Brasil e do exterior para perguntar às pessoas se elas sabem o que é a acessibilidade. Os cineastas seguem o percurso de Felipe, um deficiente visual, para mostrar se ele encontra caminhos acessíveis ou com muitas barreiras. Ao tomar contato com o rapaz, os entrevistados, deficientes ou não, falam sobre educação inclusiva, cultura, diversidade humana e novas tecnologias. Luiz Alberto e Marilaine vão participar da sessão, a primeira do filme no Brasil.

Antes da sessão de Todos, no Cinema da Fundação/Museu, haverá uma mesa com presenças de destaque para acessibilidade nacional e internacional. A audiodescritora francesa Mary Gaumy falará sobre Caminhos para Produção da Audiodescrição. Já Lívia Motta (SP) debaterá a Formação de plateia, atividades de mediação e estratégias de divulgação do produto audiovisual acessível.

CURTAS-METRAGENS

A mostra de curtas-metragens é a principal vitrine do VerOuvindo. São nos curtas que os profissionais da acessibilidade mostram suas habilidades em audiodescrição, locução e roteirização. Ao todos são nove filmes que participam das mostras. A presença dos curtas pernambucanos faz parte da parceria entre o Festcine – o festival promovido pela Fundarpe e a FCCR, só para produções locais – e o VerOuvindo. Na ultima edição do Festcine, em dezembro do ano passado, três curtas foram contemplados com o Prêmio VerOuvindo de Acessibilidade. Catimbau, de Lucas Caminha; FotogrÁfrica, de Tila Chitunda; e Um brinde, de João Vigo, ganharam audiodescrição, Libras e LSE.

Os outros seis, produzidos em vários Estados, concorrem a prêmios em dinheiro. Este ano, o festival irá inaugurar uma nova categoria de premiação. Além de contemplar com dinheiro as melhores Audiodescrições (AD) e a melhor locução, a IV Mostra Competitiva do VerOuvindo irá premiar também a melhor audiodescrição iniciante. “A premiação em dinheiro é uma de nossas ações voltadas à valorização do trabalho do audiodescritor, ainda desconhecido por muitos”, explica Liliana.
Num total de R$ 5.000 em prêmios, os valores serão divididos para seis vencedores: as três primeiras melhores audiodescrições pelo júri oficial (1º lugar: R$ 1.500; 2º lugar: R$ 1.000; 3º lugar: R$ 700); a melhor locução (R$ 800); a melhor audiodescrição pelo júri popular (R$ 500) e a melhor audiodescrição iniciante (R$ 500). A votação acontece por meio de cédulas em Braille, com fonte ampliada e em tinta.

SESSÃO MEMÓRIA

Desde o ano passado que o curador do VerOuvindo, o jornalista e pesquisador André Dib, criou uma sessão especial para unir a necessidade de acessibilidade dos deficientes com a história do cinema pernambucano. A primeira experiência foi com Baile Perfumado, que lançou a geração de Paulo Caldas e Lírio Ferreira. Agora, a vez é com outro filme de igual importância: Amigos de Risco, de Daniel Bandeira, foi o primeiro longa a reunir os cineastas da geração mais nova.



Programação Completa
IV VerOuvindo - Festival de filmes com acessibilidade comunicacional do Recife
De 21 a 30 de abril | Paço do Frevo | Cinema do Museu | Cinema São Luiz

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Dias 21, 22 e 23/04, 14h às 17h, Paço do Frevo
- Oficina Orientações para expressão vocal na audiodescrição, com Leila Freitas (PE)

Dias 24, 25/04, 14h às 17h, Fundaj
- Oficina Iniciação à leitura cinematográfica, com André Dib (PE)

Dias 25/04, 14h às 17h, dia 26/04, 9h às 12h, Paço do Frevo
- Oficina Produção de roteiro de Audiodescrição para filmes com Larissa Costa (RJ)

Dia 26/04
- 18h30, Cinema do Museu
Mesa de abertura
Formação de plateia, atividades de mediação e estratégias de divulgação do produto audiovisual acessível com Lívia Motta (SP); Caminhos para a produção da audiodescrição com Marie Gaumy (FRA); Mediação: Liliana Tavares
- 20h, Cinema do Museu
Sessão de abertura
Todos* (RS, 2017, cor, doc, 81min, Livre), de Luiz Alberto Cassol e Marilaine Castro da Costa
Sinopse: Um historiador viaja por várias cidades do Brasil e exterior em busca de reposta a uma pergunta: o que é acessibilidade? Acompanhando a trajetória de Felipe, que tem deficiência visual, vamos conhecer caminhos acessíveis e caminhos com muitas barreiras. Vamos conhecer o que pessoas com e sem deficiência pensam sobre temas como diversidade humana, educação inclusiva, cultura e tecnologias. Todos é um filme sobre pessoas e suas diferenças.
*estreia no Brasil, com presença dos diretores, da equipe do filme e da acessibilidade.

Dia 27/04, Cinema do Museu
- 17h30: Mostra competitiva iniciante
- Autofagia (12min, 2016, PE), de Felipe Soares
Audiodescrição: Felipe Soares, Mozart Albuquerque e Priscilla Botelho
Locução: Victor Moury
Elekô (7min, 2015, RJ/PE), direção coletiva
Audiodescrição: Amanda Letícia, Hannah Cunha, Giuliana Miguel
Locução: Hannah Cunha
Consultoria: Michelle Alheiros
O Outro par (6min, 2014, EGI/RJ), de Sara Rozik
Audiodescrição: Wilma Lacerda Kauss
Locução: Márcia Caspary
Consultoria: Felipe Monteiro
- 18h30: Mostra competitiva geral
A piscina de Caíque (15min, 2017, GO), de Raphael Gustavo da Silva
Audiodescrição: Alfredo Farah
Locução: Cleber Franceschi
Consultoria: Edgar Jacques
Ilha (15min, PB/RJ), de Ismael Moura
Audiodescrição: Mônica Magnani
Locução: Mônica Magnani
Consultoria: Marilena Assis, André Campelo e Luis D. Medeiros
Lá do alto (9min, 2015, RJ), de Luciano Vidigal
Audiodescrição: Mônica Magnani
Locução: Mônica Magnani
Consultoria: Marilena Assis, André Campelo e Luis D. Medeiros
Òrun Àiyé - A criação do mundo (12min, 2015, BA), de Jamile Coelho e Cintia Maria
Audiodescrição: Bárbara Carneiro
Locução: Odilon Camargo
Consultoria: Sandra Farias
Sexta série (18min, 2012, PE), de Cecília da Fonte
Audiodescrição: Rodrigo Sanches
Locução: Rodrigo Sanches
Consultoria: Ana Rosa Bordin Rabello

Dia 28/04, Cinema do Museu
- 18h: Mostra Curtas Pernambucanos*

Catimbau (2015, DCP, cor, doc, 23min, 12 anos), Lucas Caminha
Sinopse: Catimbau é um curta-metragem experimental, desenhado como uma experiência sensorial em um parque de preservação ambiental no nordeste do Brasil chamado Vale do Catimbau, no estado de Pernambuco. Cosmo Grão compôs uma trilha sonora original inspirada no parque nacional que foi posteriormente reproduzida em localização por Lucas Caminha e sua equipe filme. Este é um filme sobre como um lugar tanto pode inspirar quanto ser inspirado pela música.
FotogrÁfrica (2016, DCP, cor, doc, 25min, 12 anos), de Tila Chitunda
Sinopse: Dona Amélia é uma angolana refugiada de guerra que recomeçou a vida em Olinda. A partir do seu mural de fotografias, sua filha mais nova, nascida no Brasil, vai em busca de suas raízes.
Um brinde (2016, DCP, cor, fic, 16min, 12 anos), João Vigo
Sinopse: Elias sempre se evitou ir a enterros e velórios. Até o dia em que Cacau exigiu a presença do amigo em seu próprio enterro.
*debate após a sessão com diretores e profissionais da acessibilidade.

Dia 29/04, Cinema São Luiz
- 14h às 17h: Oficina Iniciação à leitura cinematográfica, com André Dib (PE)

- 17h30: Master class - Uso da Linguagem cinematográfica no roteiro de audiodescrição com Marie Gaumy (FRA)

- 18:30h: Sessão Memória 16 anos
Amigos de Risco* (PE, 2007, DCP, cor, fic, 88min, 16 anos), de Daniel Bandeira.
Sinopse: Após uma temporada longe do Recife, Joca está de volta. No reencontro com os melhores amigos, Nelsão e Benito, o grupo se joga em uma jornada pela vida noturna da cidade. Buscando aventuras e passando por situações adversas, os amigos se veem correndo contra o tempo para salvar Joca, que inesperadamente passa mal. Sessão comemorativa de 10 anos, com filme restaurado em 2K.
*com presença do diretor, da equipe do filme e da acessibilidade.

20:30h: Sessão GloboNews
Trans* (RJ, 2016, cor, doc, 53min, 18 anos), de Fernanda Dedavid e Renata Baldi.
Sinopse: João é escritor. Nasceu Joana em 1950. Giowana, advogada, se assumiu mulher há 6 anos. Wallace deixou de se definir como homem ou como mulher em 2010. Atua no Teatro Oficina.
O estudante Luan, 16 anos, era menina até os 14. Trans conta como se sente e como é a vida de quem nasce num corpo com o qual não se identifica. A trajetória, a ambiguidade, a dúvida, o medo, a coragem de ser transgênero no Brasil. *com presença da diretora, da equipe do filme e da acessibilidade.

30/04 - Cinema São Luiz
17h - Sessão de encerramento
Shaolin do Sertão* (CE, 2016, DCP, cor, fic, 100min, 12 anos), de Halder Gomes
Sinopse: Aluízio Li, um aficionado e alienado por filmes de artes marciais no interior do Ceará nos anos 80, vê seu mundo lúdico e inocente em xeque quando um lutador profissional aposentado (Toni Tora Pleura) resolve desafiar todos os "valentões" da cidade. Downtown Filmes.
*com presença do diretor e com a experimentação do óculos para visualização da Libras na tela através do aplicativo MovieReading.

19h - Cerimônia de premiação


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