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CRIME

Atriz Giselle Itié revela estupro que sofreu aos 17 anos

''Quando tinha 17 anos, fui estuprada pelo último homem que eu poderia imaginar'' relatou a atriz

Publicado em 11/01/2017, às 08h24

Hoje, a atriz empenha-se no combate à violência contra a mulher / Foto: Reprodução/Facebook
Hoje, a atriz empenha-se no combate à violência contra a mulher
Foto: Reprodução/Facebook
JC Online
Com informações da Revista Glamour

Em um relato publicado na Revista Glamour, nessa terça-feira (10), a atriz Giselle Itié revelou que foi estuprada aos 17 anos por um namorado, quando ainda era virgem. Ela sugeriu que foi dopada e contou detalhes sobre o crime.

"Quando tinha 17 anos, fui estuprada pelo último homem que eu poderia imaginar. Quando tinha 17 anos, o castelo caiu e fiquei soterrada. X me desejou boa-noite e me chamou de Cinderela", afirmou.

Segundo Giselle, o abuso conteceu durante uma viagem que fez com o namorado, 15 anos mais velho, após uma ida a uma boate, onde ele teria colocado algo no suco que ela estava bebendo. "Acordei. Olhei para o lado e lá estava ele, dormindo. Olhei melhor e o vi nu. Susto. Me olhei. Nua. O chão forrado de garrafas vazias. Eu forrada de amnésia. Foi difícil sentar. Então vi o que eu já imaginava. Perdi a virgindade. Me perdi".

Após o estupro, Giselle conta que precisou de tempo e terapia, além da ajuda da mãe, para conseguir se recuperar. "Com a ajuda do tempo, da minha mãe e da terapia, comecei a me reencontrar. Decidi ligar para o booker da agência. Lembra? Fui fazer aula de TV e cinema, estudar jornalismo e trabalhar como modelo para pagar o curso. Tudo isso fez um baita barulho em casa, claro, mas eu não era mais aquela Giselle. Total fênix. A imagem das princesas encantadas foi engolida. Eu me sentia o Hulk e contestava tudo que achava injusto, como a Mafalda".

A atriz afirma que tomou consciência de que a culpa nunca é da vítima ao participar de um protesto em apoio a uma jovem vítima de estupro coletivo. "E tudo veio à tona no ato Por Todas Elas, em junho passado, quando uma carioca foi violentada por 33 homens coniventes. Teve um jogral, no qual uma vítima narrava seu abuso e as demais repetiam frase por frase para que todos ouvissem. Aquilo, sim, foi um momento de redenção".

Hoje, Giselle empenha-se no combate à violência contra a mulher

Hoje, Giselle empenha-se no combate à violência contra a mulher, participando do Comitê de Combate à Violência Contra a Mulher do GMdB (Grupo Mulheres do Brasil) e do coletivo Hermanas, co-criado por ela.

"A cada 12 segundos uma mulher sofre violência no Brasil. Ou seja, todo movimento é importante para chegarmos mais perto do fim da desigualdade de gênero. Foi duro escrever este texto, mas isso me fortaleceu ainda mais. Meninas, precisamos nos unir! Nosso futuro agradece".

Leia o relato completo no site da Revista Glamour.

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Comentários

Por Encaralhado,12/01/2017

Depois de ver outros comentários, sinto que pode ser que haja esperança para uma mudança cultural. Saravá!

Por ramos,12/01/2017

No caso particular na novela verdades secretas a festa de Giovanna com universitários em que o álcool é consumido à larga, a justificativa está no fato de uma mulher ter bebido mais do que devia, é a senha para que qualquer boçal se aproveite dela? Pois foi isso que o Guilherme fez com a Angel. Se o cara precisa embebedar, sedar ou drogar a mulher pra fazer sexo com ela ou usar a força física ou acuação é estupro sim! Veja no link https://www.youtube.com/watch?v=loAUZhwizmE Quem bebe demais fica com o julgamento comprometido e mais exposto a acidentes e comportamentos violentos. E a Novela Verdades Secretas mostrou que o Brasil tolera e incentiva o estupro a ponto de podermos afirmar que o crime faz parte da nossa cultura. e agora mostrou isso na Mini Serie "Ligações Perigosas" na cena https://www.youtube.com/watch?v=Jlr6iDd6bFQ. Por meio da culpabilização da vítima, estimulamos que as mulheres estupradas se escondam e acabem protegendo seus algozes. Afinal, é comum elas ouvirem de policias e da própria família que estavam embriagadas, usavam roupas curtas e apertadas, que andavam sozinhas à noite ou não deixaram claro que não desejavam o ato sexual. A vítima, portanto, sente medo e vergonha de denunciar. A sexualização da mulher como objeto é outro fator que estimula o alto número de casos. Desde crianças aprendemos que o corpo da mulher é um objeto que pode ser consumido como qualquer outro. O menino cresce acreditando nisso e, o pior, a menina também. O estupro tornou-se, portanto, tão banal que passou a ser aceito e tolerado. É preciso que fique claro: nenhuma mulher merece ser estuprada. Ela é dona do seu corpo e a única que pode dele dispor. E a culpa nunca é da vítima, independentemente da sua conduta. Esses são pressupostos básicos para que o crime de estupro deixe de ser parte da nossa cultura. E nada justifica um crime desses.. quem propõe um argumento como desse tipo tem o caráter no mínimo duvidoso... Gui estuprou Arlete na festa - A Cultura do Estupro Em

Por Anderson,12/01/2017

Foi Xuxa, foi Joana Maranhão, foram as sisters de Reality Show... o que elas tem em comum? Estupro é crime, evidente. Ninguem está querendo inverter valores. O que percebo é o oportunismo naqueles momentos de esquecimento! A vrááá...

Por Olaf,11/01/2017

Estes que criticam as pessoas violentadas devem fazer um estágio em delegacias para verificar como ainda são tratadas as vítimas de estupro: com a mesma inversão de valores que se demonstra nos comentários desta matéria. É por isso que a lei tem que ser implacável com estes criminosos!

Por Anderson,11/01/2017

Interessante são os atrasos nos relatos. Interessante não terem feitos B.O. no período do fato. Interessante esses depoimentos aparecem de "celebridades", quando elas não estão mais na mídia.



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