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Fora da Globo, Jô Soares grava entrevista no Programa do Porchat

Jô Soares, que comandou seu próprio programa de entrevistas por 16 anos na Globo, foi entrevistado por Fábio Porchat e falou sobre seus próximos projetos

Publicado em 17/04/2018, às 09h07

Fábio Porchat entrevista Jô Soares em seu programa / Foto: Twitter/Reprodução
Fábio Porchat entrevista Jô Soares em seu programa
Foto: Twitter/Reprodução
Estadão Conteúdo

Foi uma surpresa quando o nome do apresentador e diretor Jô Soares foi anunciado como convidado do Programa do Porchat, de Fábio Porchat, na Record TV. Durante 16 anos no comando de seu famoso talk-show na Globo, Jô gravou entrevista nesta segunda, 16, na sede da Record, em São Paulo - vai ao ar nesta quarta, 18. Sem contrato com a Globo, Jô falou de seus projetos nos palcos após deixar o Programa do Jô, que rendeu mais 15 mil entrevistas

No início, Porchat relembrou de sua participação no antigo programa, quando se emocionou. "Mandei um texto e o Jô me chamou para falar no palco. Aquilo mudou minha carreira. Entre tantos convidados, Jô comenta que o único que se negou a dar entrevista foi o apresentador Silvio Santos. "Ele contava que teve um encontro com uma cigana, que afirmou que ele morreria se desse entrevista para alguém. É claro que é mentira", diverte-se.

Próximos trabalhos

O diretor pretende estrear nos palcos, em maio, o espetáculo A Noite de 16 de Janeiro, cujo título é a mesma data de seu nascimento. A peça é um julgamento que terá Jô como o juiz e a plateia como jurado. A cada sessão, haverá um final: com o réu culpado ou absolvido. "O sujeito lembra esses especuladores, como o Odebrecht", diz.

E, na liberdade de fazer humor, Jô afirma que "o politicamente correto é uma bobagem". "Um dia será isso; amanhã, será outra coisa."



Ele também contou que alertou Caetano Veloso e Gilberto Gil durante a ditadura. "Tive acesso a uma lista e liguei para eles. Tempos depois, foram presos em Realengo. Quando ouvi a música Aquele Abraço, percebi a dimensão disso."

Sobre esse período, Jô fala que precisou montar guarda no Teatro Oficina enquanto os artistas se apresentavam. "Ficamos na porta, com Plínio Marcos, mas a gente sabia que não ia segurar a censura." Para ele, a grandeza de um artista é ser anarquista. "Não tem que ter filiação partidária."

Entre os amigos, ele lembrou com carinho de Ronald Golias, com quem fez Família Trapo. "O que Golias tinha de talento tinha de insegurança. Essa é a condição de nós, artistas. A gente pode se preparar e ter um controle, mas a insegurança vai existir." Jô também confessou que nunca se interessou com números de audiência. "Vinham me contar, mas nunca quis saber. Sempre me preocupei com a qualidade."


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