Jornal do Commercio
Mrs. Dalloway

Virginia Woolf em novas traduções

Outro clássico do modernismo, o livro também é beneficiado pelo fim dos direitos autorais sobre a obra da escritora inglesa

Publicado em 06/05/2012, às 06h27

Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, ganha nesse ano três traduções / Reprodução

Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, ganha nesse ano três traduções

Reprodução

Diogo Guedes

Outro clássico do modernismo cujos direitos autorais caducaram também está em alta no Brasil. Mrs. Dalloway, da escritora inglesa Virginia Woolf, sai neste ano por três editoras diferentes – Autêntica, Cosac Naify e L&PM –, depois de quase 70 anos sem uma nova tradução. O livro, o mais celebrado da autora, é uma impressionante síntese das técnicas modernas de narrativa e, assim como <Ulisses, se passa durante um dia, apesar de conter flashbacks que remetem ao passado.

Ironicamente, apesar das semelhanças de estrutura entre as duas obras, Woolf não considerava o livro do irlandês, escrito três anos antes, em 1922, uma obra-prima. No seu diário, até elogia alguns trechos, mas diz que o livro é “um fiasco”, “difuso”, “insosso”, “pretensioso” – sem dúvida, uma injustiça com Joyce. Para Alan Pauls, no posfácio da edição da Cosac Naify, que saiu agora pelas mãos de Cláudio Marcondes, Woolf viu em Ulisses “uma versão viril, empolada, narcisista do programa que ela mesma adotará”.

A primeira edição da obra no Brasil é de 1946, feita pelo gaúcho Mario Quintana. Em fevereiro de 2012, a Autêntica publicou a nova versão da obra, com tradução de Tomaz Tadeu. Além disso, a L&PM deve publicar o seu Mrs. Dalloway em junho, em versão de Denise Bottmann, que também está vertendo para o português os textos de Matando o anjo do lar e outros ensaios.

Para Tomaz, além fim da vigência dos direitos da obra, um dos motivos de tantas novas versões simultâneas é a antiga tradução de Quintana, descrita por ele como “precária”. Segundo ele, o poeta gaúcho comete erros crassos e sequer contemplou “a maravilhosa e estranha sintaxe de Virginia”. Denise, por sua vez, nota uma “demanda natural dos leitores por uma nova tradução”. “A pena é que os prazos de proteção dos direitos autorais sejam tão longos”, lamenta.

Como não podia deixar de ser, os dois concordam que Mrs. Dalloway é fundamental para a literatura ainda hoje. Tomaz destaca a incorporação criativa de técnicas literárias já existentes, usadas antes por Proust, Flaubert e Dostoiévski, e também a importância da obra tematicamente: “Estão ali tratados temas centrais da vida e da lida humanas”.

Denise diz achar fascinante a forma com que as técnicas narrativas de Woolf foram se consolidando na literatura, mesmo que quem use não saiba de que canto as tirou. “Neste sentido, é fundamental ler Mrs. Dalloway (e tantas outras obras) para se conhecer o que, hoje em dia, já é uma tradição literária: ou seja, para se criar uma certa bagagem cultural”, defende.

Leia a matéria completa no Caderno C, do Jornal do Commercio, deste domingo (6/5).

Palavras-chave




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

JC RECALL DE MARCAS PREMIA AS MAIS LEMBRADAS DO ANO JC RECALL DE MARCAS PREMIA AS MAIS LEMBRADAS DO ANO
Pitú, Vitarela (macarrão) e Honda (motos) foram as três marcas mais lembradas pelo público pernambucano, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Harrop em parceria com o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC)
JC no Mundial JC no Mundial
Em meio a um cenário conturbado na política internacional, a Rússia espera ser o grande centro das atenções neste mês de junho, quando irá sediar pela primeira vez em sua história uma Copa do Mundo de futebol. Aqui você confire tudo sobre o Mundial.
Reinventar Reinventar
A velocidade na criação de novidades tecnológicas nos faz pensar que o futuro é todo dia. E nós também precisamos sair do lugar. No mercado de trabalho, o impacto dessas transformações exige a capacidade de se reinventar. Veja o que o futuro lhe reserva

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM