Temas ousados para debates literários normalmente correm o risco de gerarem discussões engessadas ou artificiais. A escolha de chamar três dos bons autores e jovens contemporâneos brasileiros - André de Leones, Altair Martins e Carlos Brito de Mello -para debater as escritas da finitude, refletindo sobre a morte e a literatura, foi ousada e, felizmente, deu bastante certo na primeira mesa de quinta (5/7) da Flip.
Os autores souberam falar das suas experiências de criação literária a partir do tema sem se repetirem, principalmente por se utilizarem de falas que se equilibravam entre o ensaísmo e as revelações pessoais. O goiano André de Leones, autor de Dentes negros comentou a onipresença da morte nos seus textos, dizendo que pensa também a literatura a partir de um caráter de auto-ajuda. “Ela não salva, mas adia o inadiável, a morte”, afirmou. Ainda apontou o fato de vir da cidade de Silvânia, em Goiás, com alto índice de suicídios possivelmente o fez lidar mais com o tema da morte. “Só que eu, em vez de me matar, escrevo sobre quem se matou”, confessou.
Já o gaúcho Altair Martins, um dos autores mais premiados da nova geração e autor do elogiado A parede no escuro, falou sobre as “escritas da morte”. “Existem dois tipos de morte na literatura, a física e a anímica. Esta última pode acontecer várias vezes em um livro, e muitas vezes ela é mais importante que a morte física”, explicou, descrevendo a todos nós como “mortes ambulantes”. “É preciso esquecer, matar e morrer na literatura. Ela nos mata constantemente, e o importante nela são as mortes anímicas, não apenas as físicas”.
O mineiro Carlos Brito de Mello, autor de A passagem tensa dos corpos, lembrou que a morte pode ser justamente a premissa de um romance, como acontece no seu livro. “A morte pode trazer também a possibilidade, ainda que nossa experiência mais comum em relação a ela seja a do impasse”, argumentou. Na verdade, para quem se vai, a morte pode significar exatamente a libertação de um problema – quem enfrenta os problemas da morte é quem fica em luto. “O desaparecimento de alguém significa mais um problema de linguagem”, opinou.
Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta sexta (6/7).
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