Enquanto via mesa sobre Shakespeare com os pesquisadores americanos James Shapiro e Stephen Greenblatt na última sexta (6/7), o escritor inglês Ian McEwan, uma das grandes atrações da Festa Literária Internacional de Parati (Flip), se viu cercado de adolescentes. No palco, Greenblatt foi convidado a dizer qual era seu personagem preferiro do dramaturgo inglês: "É uma escolha convencional, admito, mas vou dizer Hamlet". O que interessou McEwan nesse momento, como ele contou na coletiva de imprensa na manhã do sábado (7/7), foi a reação de uma das jovens que estava perto dele: deu um soco no ar, como se comemorasse um gol do seu time.
"Isso só acontece em Parati", elogiou o escritor, que aproveitou a vinda para o Brasil para fazer o lançamento mundial do seu novo romance, Serena (Companhia das Letras, R$ 39, 384 páginas), que só sai em agosto na Inglaterra. É um romance que reúne espionagem e literatura, em que a protagonista Serena é contratada pelo Serviço Secreto Britânico para fazer o escritor Tom Haley, escrever para o órgão oficial sem saber por quem está sendo contratado.
"Talvez todos os romances sejam, na verdade, histórias de espionagem", explicou McEwan, já na mesa com americana Jennifer Egan, também no sábado (7/7), "você está sempre controlando o que se diz e o que não se diz. Um romance é saber dar informações na hora certa". Bem humorado, revelou também que enganar o leitor é o seu maior prazer como escritor.
Segundo ele, apesar de Serena se tratar de um livro sobre espionagem, começou com uma anotação para uma história de amor, que não deixa de ser. "Queriar mostrar um homem que escreve um livro para esquecer uma mulher e que, nesse processo, se apaixona ainda mais por ela", explicou. Na mesa com Egan, cometeu uma gafe: estragou a surpresa final da obra, presente na última linha (que, obviamente, não será revelada aqui).
MAIS FLIP
O fim de semana da Flip ainda trouxe outras boas surpresas. A conferência do americano Jonathan Franzen na noite de sexta (6/7) mostrou porque ele veio com status de grande atração: lotou a tenda dos autores e a do telão, com gente em pé e do lado de fora. Ele mostrou um pouco mais da sua fina ironia e até citou, brincando, a cantora americana Jennifer Lopez.
No sábado (7/7), além da mesa com McEwan e Egan, mais dois bons momentos da festa: a conferência de Enrique Vila-Matas e o descontraído encontro dos quadrinistas Laerte e Angeli. O catalão Vila-Matas homenageou o falecido escritor italiano e amigo Antonio Tabucchi e falou de como aos autores de hoje parece só restar escrever cada vez mais para si mesmos. Foi uma conversa para iniciados na sua obra, o que fez parte do público desistir de ficar até o final.
Já Laerte e Angeli falaram das suas trajetórias nos quadrinhos, comentando a mudança de estilo mais atual – ambos abandonaram a maioria dos seus personagens famosos. O público também perguntou sobre a transgeneridade de Laerte, vestido, como de costume, de mulher na ocasião, e ambos chegaram a comentar sobre o amigo Glauco, falecido em 2011.
A Fliporto fez também uma coletiva de imprensa para divulgar parte de sua programação, já anunciada antes em Olinda. O curador literário Mário Hélio, no entanto, adiantou mais um nome: o escritor português radicado na Holanda José Rentes de Carvalho. Apesar de ser um autor veterano, é pouco conhecido no Brasi, até porque nenhum livro dele saiu por aqui ainda.
Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta segunda (9/7).
Comentários
A palestra foi muito boa, muito obrigada pela info!
Comentar
Últimas notícias
Ranking do dia
Governador anuncia redução na tarifa de ônibus e o Anel A vai custar R$ 2,15
Mário Balotelli é esperança de gols da Itália diante do Japão nesta quarta-feira
Dilma anunciará 20.º pacote de medidas de estímulo à economia de seu governo
Jarbas: "Movimentos são sopro de renovação"
Redes sociais são as grandes armas dos movimentos populares no Brasil
Prius, o inimigo dos postos de gasolina
Torreão é opção para famílias Especiais JC
O Mercado em alta