No primeiro dia de chuva desde o começo da Festa Literária Internacional de Parati (Flip), o domingo (8/7), algumas das mesas menos badaladas mostraram porque o evento tem uma programação tão consistente. Os destaques do dia foram o encontro entre Rubens Figueiredo e Francisco Dantas e a divertida mesa entre o russo radicado nos Estados Unidos Gary Shteyngart e o inglês de origem paquistanesa Hanif Kureishi. O encerramento foi com a tradicional mesa de leitura de autores da Flip, com atrações como Ian McEwan, Enrique Vila-Matas e Luis Fernando Verissimo.
O carioca Rubens Figueiredo e o sergipano Francisco Dantas fizeram o encontro de dois tímidos para falar de sua literatura. Para Rubens, que fez o premiado Passageiro do fim do dia, que se passa quase todo dentro de um ônibus, as diferenças sociais dificultam a visualização das questões sociais, e isso é um dos papéis da literatura. Dantas, por sua vez, falou do seu engajamento não vanguardista, explicando que atradição também é uma forma de resistência, elemento presente em seu novo livro, Caderno de ruminações.
A última discussão da Flip foi, sem dúvida, a mais engraçada, com Gary Shteyngart e Hanif Kureishi. Shteyngart mostrou por que seus livros são sucesso de crítica e público, ironizando sua pátria-mãe, a Rússia, e a si mesmo. Disse entender a literatura como uma espécie de "sit-down comedy", brincadeira com o stand-up comedy, e arrancou risadas de todos. Hanif, que já esteve presente na primeira Flip, também soube usar o humor e falou sobre sua escrita: "Escrevo para não enlouquecer, para enlouquecer os outros".
O último evento da Flip foi a mesa de leituras. Estavam lá Amin Maalou, Javier Cercas, Dulce Maria Cardoso, Dany Laferrièrre (que leu Borges em francês), Zoé Valdez e Juan Gabriel Vasquez, mas os que roubaram a cena foram Enrique Vila-Matas, lendo novamente na Flip um poema de Fernando Pessoa, e Ian McEwan, lendo "o maior conto da língua inglesa", do livro Dublinenses, de James Joyce. O mais aplaudido, claro, foi o cronista Luis Fernando Verissimo, que leu um texto do amigo, falecido recentemente, Millôr.
Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta terça (10/7).
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