"Não tinha muita abstração. Éramos só um bando de rapazes a fim de transar”". A frase de Jack Kerouac em uma entrevista logo após o lançamento do clássico Na estrada é um bom resumo de como ele descrevia a si e seus amigos da geração beat. Ícone da contracultura americana e mundial, figura de biografia controversa, escritor experimental e inconstante, Kerouac é um dos casos de autores em que vida e obra mais parecem se unir – até porque ele tinha uma verdadeira intenção de passar por completa verdade seus relatos literários. Foi para entender a polêmica e escorregadia trajetória do autor que o biógrafo inglês Barry Miles, profundo pesquisador de personalidades da contracultura, fez Jack Kerouac: King of the beats (José Olympio. R$ 59, 420 páginas).
Miles já escreveu bastante sobre músicos, como seu amigo Paul McCartney e o guitarrista Frank Zappa, e escritores, como os beats William Burroughs, Allen Ginsberg e Charles Bukowski. Jack Kerouac: King of the beats foi feito originalmente em 1998, mas ganha edição no Brasil agora para aproveitar a carona do filme de Walter Salles, Na estrada. O livro interessa sobretudo aos pernambucanos: Miles é uma das atrações internacionais da Festa Literária Internacional de Pernambuco – Fliporto, em novembro deste ano, quando deve falar um pouco da sua experiência na contracultura.
De certa forma, Jack Kerouac: king of the beats é uma biografia convencional, cujo principal mérito são as entrevistas exclusivas com pessoas como Ginsberg e Borroughs que Miles conseguiu ao longo da vida e uma análise mais cuidadosa sobre o que é experiência real e o que é invenção nas narrativas de Kerouac. Apesar de se focar no autor de Na estrada, o biógrafo inglês também vai inserindo de forma contextualizada os personagens que o rondavam e que muitas vezes foram essências para sua vida.
Estão na obra a formação católica do autor, a sua relação de apego com a mãe e a vivência dos Estados Unidos do interior. O grande herói literário de Kerouac, Thomas Wolfe, é utilizando por Miles para se entender a principal dicotomia na vida do autor: ele se dividia entre um universo wolfeano, o da sua vida em Lowell, perto da sua mãe e das boas influências que ela queria para sua vida, e o universo não wolfeano, o dos seus hedonistas amigos nova-iorquinos que queriam viver e escrever - nessa específica ordem.
Apesar de um estilo muito frio para falar de um assunto tão apaixonante quanto o “rei dos beats”, Miles faz uma biografia interessante quando relaciona os textos e a vidas de Kerouac. Os piores momentos da obra, no entanto, são as tentativas de uma análise psicológica formal da personalidade de Kerouac. Com inspirações freudianas, Miles tenta mostrar e explicar o Complexo de Édipo do escritor, mas convenceria mais se simplesmente isso transparecer ao revelar a relação de dependência que o autor tinha com a mãe.
Leia a matéria na íntegra no Jornal do Commercio desta terça (17/7).
Últimas notícias
Ranking do dia
Em dois dias, polícia apreende 204 quilosde pasta-base de coca no Grande Recife
Com nova derrota, Sport se despede
Proposta de regulamentação da emenda das domésticas será entregue amanhã
"Base do PSB decidirá", diz Eduardo
Vovôs e vovós perderam o medo da internet
Grand Siena ganha série especial caprichada
Torreão é opção para famílias Especiais JC
Parque Nacional Torres del Paine