“Você vai salvar o meu casamento!”, ouviu Tarcísio Pereira de um amigo escritor, ainda nos tempos de dono da Livro 7. O conhecido, empolgado com o preço baixo das grandes tiragens em impressoras offset, havia feito mil cópias do seu novo livro, mas tinha vendido pouco mais de 100 no lançamento e pouco tinha progredido depois disso. As caixas se acumulavam na sua casa, em cima do armário, e todo dia sua mulher reclamava. Foi só com a livraria e os contatos do editor e livreiro que ele conseguiu distribuir parcialmente as suas obras.
A história, contada com primazia por Tarcísio, faz uma síntese do momento profissional e pessoal do editor: é um olhar carinhoso para o passado que o ajuda a criar novos projetos para o futuro. É justamente pelos problemas de estocagem, principal problema antes de escritores e editoras, obrigados a fazer grandes tiragens, que ele está abrindo agora uma nova editora, agora sua, depois dos anos de experiência da Livro Rápido, que já trabalhava com a impressão por demanda – lá, foram mais de 3 mil títulos publicados.
Agora, a Edições Tarcísio Pereira vai unir o serviço pago de impressão para autores com um catálogo selecionado, pensado com a curadoria do editor – os contatos podem ser feitos pelo e-mail tarcisiopereiraeditor@gmail.com. Os primeiros livros saem no final de agosto, durante o Festival A Letra e a Voz.
A ideia de Tarcísio, ele conta, é aproveita um mercado em expansão: não só em expansão de venda de livros, mas também de autores interessados em bancar as próprias publicações – hoje, no Estados Unidos, os livros autopublicados superam em mais de três vezes os projetos de editoras. “Aliás, o grande problema do editor sempre foi o estoque. Existem cálculos de vendagem, mas qualquer erro e você tinha centenas de livros para guardar”.
Para ele, parte dos autores pernambucanos já tem dimensão nacional, mas falta uma editora que circule bem nos outros Estados. “Pernambuco vai ser meu laboratório, mas ela vai se espalhar. Inclusive, eu estou indo a Bienal de São Paulo agora, 9 de agosto, para fazer contatos com editoras nacionais".
MEMÓRIAS
Tarcísio ainda conclui, para o ano que vem, quando completa 50 anos como profissional dos livros, o volume em que conta a sua trajetória pela Livro 7. O projeto inicial era fazer uma biografia mais formal da loja, mas, quando começou a pesquisa, Tarcísio notou que queria mesmo falar da livraria a partir dos seus personagens marcantes. Assim, Nos tempos da Livro 7 deve relembrar 50 figuras importantes e engraçadas da sua livraria.
Alguns desses personagens ele lembra por acaso, em meio a um conversa qualquer. Do jovem que lia o grosso volume de E o vento levou... aos poucos na livraria, chegando até a deixar um marcador nas páginas, e que, quando ia embora, escondia o volume atrás da prateleira. De outro que discutia, sentado nas cadeiras, as páginas de livros de psicologia, travando um verdadeiro debate, culpando o possível engano ao tradutor.
Como um autor se apega aos personagens que soube criar, Tarcísio parece fortemente conectado aqueles frequentadores que marcou na memória, um pouco como um pai. Claro, era também uma questão de marketing, tanto que as grandes livrarias de hoje, como a Cultura, assumiram também o modelo. A experiência de ter gerido por tanto tempo a Livro 7 – ela chegou a ser, durante vários anos, a maior livraria do país – lhe rendeu até trabalho como consultor de outras redes.
A presença marcante na história da literatura recente de Pernambuco será mais uma vez devidamente reconhecida no ano que vem: Tarcísio vai ser homenageado pela, Bienal do Livro de Pernambuco. Contente com a honraria, ele não esquece seu xodó, a sua antiga livraria, e já organiza para o próximo sábado a festa Nos Tempos da Livro 7. Ela vai acontecer no Bar Biruta, buscando reunir os antigos amigos e frequentadores da livraria. O tema ainda deve virar documentário pelas mãos de Cláudio Aguiar, que já começou filmar depoimentos de frequentadores do espaço, como Jomard Muniz de Britto e Geneton Moraes Neto.
Leia a matéria completa no Jornal do Commercio deste domingo (22/7).
Comentários
Já trabalhei pra este homem na época do Livro 7, um ser com uma dignidade e carate, todos os funcionários do livro 7 o admirava. Eu acho que ele não lembra de mim, mas dele eu nunca esqueci, ele com aquela barba exótica, e o seu chapéu azul.
Boa noite Sr. Tarcísio. É com grande satisfação, que leio esses comentários e fico muito feliz em saber que podemos contar com uma editora que vai ajudar aos escritores, a passarem para o publico o que temos para os oferecer. Espero que minha pessoa também possa fazer parte dessa família se assim posso os chamar. Não foi por acaso que lhe encontrei, pois creio em Deus que é nele a quem clamo, pedindo orientação para que eu possa divulgar o que sei, e o que aprendo. É atravez da literatura, dos livros que busco passar para os outros o que sei. por isso que venho de antemão agradecer a oportunidade que o mesmo pediu o meu futuro livro para analisar. Que Deus ilumine seus passos, e que todos os seus objetivos possam se realizarem. Atenciosamente edilson c. silva
Boa noite Sr. Tarcísio. É com grande satisfação, que leio esses comentários e fico muito feliz em saber que podemos contar com uma editora que vai ajudar aos escritores, a passarem para o publico o que temos para os oferecer. Espero que minha pessoa também possa fazer parte dessa família se assim posso os chamar. Não foi por acaso que lhe encontrei, pois creio em Deus que é nele a quem clamo, pedindo orientação para que eu possa divulgar o que sei, e o que aprendo. É atravez da literatura, dos livros que busco passar para os outros o que sei. por isso que venho de antemão agradecer a oportunidade que o mesmo pediu o meu futuro livro para analisar. Que Deus ilumine seus passos, e que todos os seus objetivos possam se realizarem. Atenciosamente edilson c. silva
Tarcísio, parabéns pela nova empreitada.
O LIVREIRO TARCÍSIO tem mais uma faceta que o vai levar diretamente para o Céu: VENDIA, FIADO, livros para os estudantes pobres de Direito (eu era um deles) para pagamento por semana, quinzena ou mês, sem exigir nenhuma garantia. Era apenas uma ficha com o nome do aluno, onde ele ia abantendo o valor pago (pagávamos o quanto cada um podia). Tarcísio, um grande abraço, nunca o esqueceremos!!
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