Mais de uma vez João Batista de Siqueira acordou no meio da noite, chorando, assustado com o impacto do que ele mesmo se pôs a sonhar. Quando isso costumava a acontecer, ele pegava um papel e ia transformar em versos o que imaginou para depois os declamar em público, encantando diversas gerações de leitores e poetas da cidade de São José do Egito. Esse José ficou famoso na região a partir de seu apelido de poeta, Cancão (1912-1982), dado por ser tão inquieto quanto o pássaro que lhe empresta o nome.
Em 2012, celebram-se os 100 anos do nascimento do “Deus da poesia” do Sertão do Pajeú, como ficou conhecido. Depois de ter sido homenageado no Clisertão (Congresso Internacional do Livro, Leitura e Literatura do Sertão), ele será lembrado amanhã e sábado dentro da programação do Festival Pernambuco Nação Cultural, em São José do Egito, terra natal de Cancão. A programação conta com palestras sobre a vida e sobra a obra do autor, além de glosas e o lançamento do livro Cancão, o gênio inocente, de Paulo Passos.
Cancão é um cantador e poeta fora do comum. De família humilde, cursou apenas até o primário no colégio. “Ele começou como cantador, tocando violão, mas, ainda na década de 1950, viu que aquilo não era para ele”, explica Marcos Passos, um dos organizadores do evento. Ávido leitor, o poeta era muito diferente dos demais versadores populares: suas obras se aventuravam por formatos tradicionais da literatura, como o soneto, e se usavam de um vocabulário e de referências culturais muitas vezes eruditas.
O autor fazia declamações carregadas de emoção em eventos da cidade, como a Festa Universitária, ao lado de nomes como Luiz Gonzaga. Patativa do Assaré chegou a ir para São José do Egito apenas para conhecê-lo e ficou impressionado com o poeta – terminou escrevendo um poema em homenagem a Cancão.
Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta quinta (26/7).
Veja a programação da homenagem a Cancão no Festival Nação Cultural em São José do Egito:
Sexta-feira (27/7)
15h às 16h - Palestra de abertura: Cancão e Augusto dos Anjos: Diálogo entre o popular e o Erudito
Prof. Dr. Josivaldo Custódio (Universidade de Pernambuco – UPE)
16h às 16h45 - Recital poético musical: Diversos declamadores e músicos
Apresentação: Marcos Passos
17h às 18h - Palestra: O cantar do Pajeú: Tradição e oralidade na poética popular
Profª. Drª. Karlla Christine Souza
Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN)
20h às 20h30 - Recital e lançamento do livro Cancão, o gênio Inocente
Autor: Paulo Passos
20h15 às 21h15 - Mesa de glosas: Ninho Roubado
Glosadores: Aldo Neves (Tuparetama) / Alexandre Morais (Afogados da Ingazeira) / Clécio Rimas e Dudu Morais (Tabira) / Caio Meneses, Maciel Correia e João Filho (São José do Egito) / Zé Adalberto (Itapetim).
Apresentação: Marcos Passos
21h30 às 23h - Show: Palavras ao Plenilúnio
Chico Pedrosa
Bia Marinho
Apresentação: Marcos Passos
Sábado (28/7)
10h30 às 12h30 - Mesa de prosa: A casa do ébrio (prosa sobre a vida e a obra de Cancão com amigos que conviveram com o poeta) Prosadores: Antônio de Catarina, Zé Silva, Edvaldo da Bodega, Val Patriota, Sebastião Siqueira (Beijo), Cícero Formosino, Pedro Tunu, Reginaldo (sujinho), Donzílio Luiz
Apresentação: Edinaldo Leite
15h às 16h - Palestra: O conto popular e a poesia de Cancão: um estudo comparativo
Prof. Dra. Maria Nazareth Arrais (Universidade Federal da Paraíba – UFPB)
16h15 às 17h15 - Aula-espetáculo: A serra do Teixeira e o nascimento do Pássaro Poeta
Edison Roberto
Marcos Passos
Greg Marinho
17h30 às 18h30 - Palestra de encerramento: A poesia de Cancão como marco do Pajeú
Prof. Dr. Nélson Barbosa (Universidade Federal da Paraíba – UFPB)
Local: Centro de Inclusão Digital
19h às 20h - Recital poético musical: Diversos declamadores e músicos Apresentação: Marcos Passos
20h30 às 21h45 - Mesa redonda: Cancão e a tradição poética do Pajeú
Aroldo Ferreira Leão (Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF)
Neném Patriota Colégio Interativo (São José do Egito)
Meca Moreno (União dos Cordelistas de Pernambuco – UNICORDEL)
22h às 24h - Show: Depois da Chuva
Em Canto e Poesia (São José do Egito)
Tonino Arcoverde (Arcoverde) Lançamento do CD Depois da Chuva (Cancão / Tonino Arcoverde)
Apresentação: Marcos Passos
Comentários
Só hoje dia q o mundo vai se acabar segundo o calendario Maia,q vi o comentario de Clene q foi a unica pessoa a falar de Cancão no dia do cen_ tenario na igreja católica.pedro nebrain
Por q no jornal saiu José com relação a Cancão. Cancão saiu na Delta Larouse como Canção.Kem foi o informante?Fui aluna de Cancão durante 6 anos.Aí não falaram da primeira esposa dele e sempre falam dele como alcoolatra.Clene Viana.
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