Convencionou-se representar Deus (isso, claro, nas religiões onde é permitido), como um senhor barbudo, com aparência de patriarca. Para fazer a sua versão do criador do mundo, o quadrinista, ilustrador e artista plástico paulista Rafael Campos Rocha, 42 anos, pensou em fazer o completo oposto do que se é esperado. Foi dessa ideia provocativa que nasceram as histórias de Deus, essa gostosa (Quadrinhos na Cia, 88 páginas, R$ 33), que chega agora nas livrarias.
Na obra, a personagem de Deus não só é uma mulher, subversão que já havia acontecido em filmes como Dogma, de Kevin Smith: é também negra. “A ideia era fazer um Deus que fosse totalmente oposto à sua representação tradicional: masculina, caucasiana, solar, moralista, prepotente, nacionalista e civilizatória. Portanto, Ela já nasceu daquele jeito: pacífica, debochada, sexuada, amoral e noturna, quase boêmia”, explica o autor, em entrevista por e-mail.
A primeira aparição dela foi em uma série de quatro histórias, a Tetralogia Cruciforme, parte de uma publicação digital que Rafael distribuía por e-mail, intitulada O poder do pensamento negativo – Como destruir a sua vida e das pessoas que vc ama em 2 lições, assim, em internetês mesmo. Na verdade, a ideia era que Cristo fosse o personagem principal, mas logo na segunda narrativa Deus surgiu e tomou o protagonismo das tirinhas.
Antes de sua personagem virar livro, Rafael a viu tomar páginas da revista Piauí e virar presença constante na Ilustríssima, caderno dominical da Folha de S. Paulo. Na publicação, Rafael vai além das breves tiradas de humor, dividindo a história em sete dias, numa versão extremamente sexualizada (Deus, para além de todo o sexo que faz no livro, é dona de um sex shop) da criação do mundo. É uma Deus que aceita a importância da frivolidade, a de tomar uma cerveja no bar e a de ver um jogo de futebol, é que, se é amoral, não deixa de ter um senso de justiça e bondade.
Apesar da versão provocativa do Criador, Rafael nega completamente qualquer semelhança com um humor politicamente incorreto. Antes de tudo, se diz com tranquilidade um autor politicamente correto. “O maior problema com o ‘humor politicamente incorreto’ é que é, em primeiro lugar, sem graça. Uma piada racista ou classista é somente expressão da ignorância, do reacionarismo e do mau-caratismo de quem recita a piada e do público que se diverte com ela”, opina. Dizendo-se um quadrinista de esquerda, ainda comenta que o que se passa por humor esconde um certo ódio de uma elite. “Tanto que o termo politicamente incorreto foi tomado por todos os articulistas de extrema direita no Brasil”, provoca.
Leia a matéria completa no Jornal do Commercio deste domingo (29/7).
Comentários
QUE DOIS COMENTARIOS IDIOTAS.
Só um donzelão ateu e alternativozinho fazendo uma asneira pra chocar. Um idiota completo. O mundo tá perdido. Não deviam dar espaço pra esse tipo de paspalho. Cadê a graça? Cadê a arte? Tem nada. Ridículo.
É mister q ainda oje exista pertubador em israel vc e marta suplici é um dos tais( leia sobre o livro menino brinca de boneca e escre sobre ste artigo leia site da comadape|)
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