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Artur Rodrigues fala da sua periferia fantástica em novo livro

O autor paulista critou 18 contos a partir da observação cotidiana de jornalista e da invenção de ficcionista

Publicado em 29/06/2013, às 05h18

Do JC Online

Na epígrafe do livro, uma frase de Murilo Rubião, o escritor e jornalista paulista Artur Rodrigues dá uma pista do objetivo de seu livro, O ato de riscar um palito de fósforo: “Encher a noite com fogos de artifício”. O autor conversou por e-mail com o JC para falar sobre a obra, que tem 18 contos inspirados na sua vivência como repórter de cidades, mas com um olhar que preza pelo fantástico.

JORNAL DO COMMERCIO – O ato de riscar um palito de fósforo nasceu da sua vivência como jornalista. O que retirou dessa experiência cotidiana para os contos?
ARTUR RODRIGUES –
A experiência na rua, principalmente como repórter de polícia, ajuda muito no processo de criação. Quando saio para fazer uma reportagem, volto para redação e escrevo os fatos, buscando clareza e o máximo de objetividade possível. A ficção é o que eu não escrevo no jornal. Pode ser um personagem ou o estado de espírito causado por algo que realmente aconteceu. Fica ali, envelhecendo, apurando, virando uma coisa totalmente diferente. Até que a ficção nasce.

JC – Sempre quis escrever também ficção? Quais suas referências literárias?
ARTUR RODRIGUES –
Sempre quis escrever ficção, sempre foi o objetivo principal. Quanto às referências, a principal continua sendo Kafka. Nunca nada conseguiu me proporcionar a experiência de estranhamento que ainda me acontece quando leio algo dele. Acho que todos que buscam romper/subverter/desfigurar de certa maneira com o realismo, como Borges, Murilo Rubião, Garcia Marquez, Buñuel, me ajudam a transgredir o excesso de experiências reais que vivo como repórter de Cidades.

JC – Apesar de tratar da realidade de figuras urbanas, O ato de riscar um palito de fósforo não pode ser simplificado como uma prosa social. Como foi equilibrar o realismo dos centros urbanos e a dimensão humana das histórias?
ARTUR RODRIGUES –
De fato, em nenhum momento busquei fazer prosa social. Acho que o livro é uma tentativa de desfigurar isso. Ariano Suassuna diz que não é regionalista, que o sertão dele é mítico. Acho que da mesma maneira a minha periferia não é uma periferia realista, é uma periferia fantástica. Os personagens urbanos inadaptados, tentando escapar de algo, da realidade, mesmo nas histórias em que não há nada metafísico acontecendo.

Leia mais no Jornal do Commercio deste sábado (29/6).

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