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VERSOS

Francisco Espinhara tem sua poesia reunida em livro

Organizada por Cida Pedrosa, obra A Poesia Possível traz os livros e os poemas dispersos do autor pernambucano

Publicado em 15/03/2017, às 07h01

Francisco Espinhara faleceu em 2007 / Divulgação
Francisco Espinhara faleceu em 2007
Divulgação
Diogo Guedes

O poeta Francisco Espinhara, define a amiga e admiradora Cida Pedrosa, era alguém que vivia no abismo o tempo inteiro. Um dos principais nomes da geração do Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco (o colega Marcos Dmoraes o considera o “guia de sua própria geração), Espinhara produziu uma obra que muitos consideravam muito “pequena”. Em 2017, quando se lembram os dez anos da morte do escritor, Cida resolveu desfazer esse mito, reunindo a obra dele em um volume único.

A Poesia Possível (Edições Claranan) vai ganhar lançamento quinta (16), a partir das 19h30, no Bar Teatro Mamulengo. O possível do título fala um pouco sobre o exercício de juntar a poesia do autor, que publicou mais livretos – muitos difíceis de encontrar – do que livros em vida. Até por isso, Cida não teve a pretensão de fazer uma “obra completa”, mas sim uma edição “quase acabada” de Espinhara. 

São 286 páginas com poemas e alguns depoimentos sobre o autor. “Eu sempre tive vontade de reunir a poesia dele, já tinha conversado com a família diversas vezes. Em 2014, eu e Sennor Ramos fizemos um projeto para o Funcultura e o livro foi aprovado. Começamos depois a pesquisa e o mais difícil foi que os poemas estavam muito espalhados, em fanzines, em livretos, nas mãos de amigos”, conta a organizadora. No prefácio da obra, ela fala não só da poética de Espinhara, mas também de sua relação de amiga íntima que acompanhou o poeta até o seu leito de morte.

“Diziam que a obra dele era curta, mas não é verdade, e o livro mostra isso. Sua poesia é muito boa, os contos, com uma prosa poética, são uma continuação dela. Espinhara não fez concessões na vida ou nos versos: é por isso que a sua poesia é dura, ele dá porradas na gente”, aponta Cida.

POÉTICA

Espinhara, que definia o Recife como “musa, maldição” falava apaixonadamente da cidade suja e sórdida que tanto amava. Além disso, gostava de escrever para suas amantes – que podiam ser todas resumidas em uma só, Ludmila, uma amante imaginária. “Acho que a poesia dele tem de tudo isso: tem essa coisa íntima, tem essa dor corrosiva da cidade e tem a dor do mundo”, define Cida.

Os poemas de Espinhara, para ela, são um bom caminho para desmentir a ideia de que poética urbana normalmente é feita só de versos rápidos. “Chico era professor de literatura e conhecia profundamente a escrita. A sua escrita está longe da rapidez que associam à ‘escrita marginal’ - tanto ele como Erickson Luna eram eruditos”, opina a organizadora.

Cida ainda tomou uma decisão singular na hora de listar os livros de Espinhara: começou pelos que ele fez por último e terminou com sua fase inicial. A morte, para ele, não era muito diferente de um início. Não é por acaso que o poeta escreveu: “Comigo vai tudo bem: estou morto”.

Serviços

Lançamento de A Poesia Possível, de Francisco Espinhara - quinta (16), às 19h30, no Bar Teatro Mamulengo (Praça do Arsenal, Bairro do Recife). Livro vendido por R$ 20.

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