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Weydson Barros Leal lança seu novo livro de poemas, 'Ópera Jazz'

Na obra, personagens da literatura aparecem como fantasmas de um poema repleto de trilhas sonoras

Publicado em 25/04/2017, às 15h27

Weydson Barros Leal faz uma espécie de poema narrativa na obra, dividida em 21 capítulos / Cristiano Sant'Anna/Divulgação
Weydson Barros Leal faz uma espécie de poema narrativa na obra, dividida em 21 capítulos
Cristiano Sant'Anna/Divulgação
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Ao compor – e talvez compor seja um verbo tão preciso quando escrever neste caso – o seu novo livro de poemas, o escritor e crítico pernambucano Weydson Barros Leal tinha um objetivo. Queria celebrar a literatura, a música, a ópera e o teatro escancarando todos os portões que os separam. Nascia assim o volume Ópera Jazz, editado pela Confraria do Vento e lançado terça (25), às 19h, na Galeria Arte Plural.

Ópera Jazz é um poema narrativo, em certo sentido, mas seu fluxo é mais poético e trôpego do que cronológico. Como o título sugere, é um livro que concilia tanto uma estrutura – é todo metrificado – como a liberdade de passear por cenas, trilhas musicais, lembranças fantasmagóricas. Na verdade, tudo isso é presenciado por um personagem durante uma só noite de jazz em um bar.

“Queria que o livro tivesse uma liberdade absoluta em relação a cronologia, coma liberdade do jazz, que recomeça a qualquer momento, se repete, dá saltos. Busquei que Ópera Jazz fosse um grande palíndromo, que mostrasse alguém sentado, com músicas passando na sua frente. É um grande teatro de loucos com trilha sonora”, explica o autor.



PERSONAGENS

O personagens da obra são personagens de fato – foram retirados de romances, como o principal, Giovanni, da obra O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati. Ainda aparecem figuras como Carmen, da famosa ópera, Anna Karenina e Emma Bovary. “Elaborei o poema como uma estrutura, tentando manter a tensão dele em todos os momentos. Sou como um observador secreto desses personagens de grandes livros que elegi como meus protagonistas”, conta Weydson.

As cenas que se desdobram no bar Montreux vão trazendo belos momentos poéticos, mostrando que se trata de uma obra sobre um inferno maior que todos os outros, “o inferno da ausência”. Afinal, acompanhado de seus personagens, o poema lembra que “a beleza não é a verdade”.

Os 21 capítulos da obra ainda são recheados de referências musicais – afinal, a narrativa é um teatro vazio, mas com trilha. “Queria criar uma trilha sonora para o poema dentro dele. Sempre há uma música tocando. Um leitor atento vai notar Aretha Franklin, Randy Crawford – uma cantora genial, que tem três músicas que marcaram a minha vida –, o Woodstock, o jazz e até nomes brasileiros, como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Egberto Gismonti e João Donato”, elenca Weydson.


Serviços

Lançamento de Ópera Jazz, de Weydson Barros Leal - terça (25), às 19h, na Galeria Arte Plural (Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife).

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