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Anabella López lança seu novo livro ilustrado, 'Outros Mundos'

Com belas imagens, a obra fala sobre como cada cabeça é um universos e como esses universos se cruzam

Publicado em 02/07/2017, às 07h33

Anabella López já venceu um Prêmio Jabuti por suas ilustrações / Divulgação
Anabella López já venceu um Prêmio Jabuti por suas ilustrações
Divulgação
Diogo Guedes

“Viver é ser outro”, garantiu o poeta Fernando Pessoa. “Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo”, disse o historiador Michel Foucault. A partir da ideia de uma frase corriqueira, “cada cabeça é um mundo”, proposta em um exercício, a ilustradora argentina radicada em Pernambuco Anabella López começou a pensar em compor uma narrativa visual sobre o universo que existe em cada um de nós – e como ele precisa, para ser pleno, travar contato com outros mundos.

Foram quatro anos trabalhando na concepção – com a presença de nomes famosos, como os já citados – e nas ilustrações do trabalho. Neste mês, a autora lança o volume Outros Mundos, livro construído quase que exclusivamente a partir de imagens. Entre uma narrativa visual adulta e um livro para crianças, a obra tem uma mensagem que parece simples, mas ganha uma dimensão mais ampla a partir da beleza das composições de Anabella.

Radicada em Porto de Galinhas, a autora já foi premiada por seu trabalho na ilustração – venceu, em 2015, uma das categorias do Prêmio Jabuti com o livro A Força da Palmeira. Outros Mundos mostra a riqueza das muitas experiências humanas através de uma ampla variedade de técnicas usadas pela autora, completadas com pequenas frases de nomes como Pessoa, Foucault, Clarice Lispector, Nietzsche, Sartre, Santo Agostinho e Mia Couto, entre outros.

“A história nasceu desse exercício em um curso que eu fiz na Argentina. Partindo da ideia de que cada cabeça é um mundo, comecei a pensar que, sim, cada pessoa é um universo diferente, mas que todas as pessoas, querendo ou não, têm conexão umas com as outras”, recorda a ilustradora. Nos anos em que desenvolveu a obra, encontrou uma dificuldade maior: como o livro não se trata de uma história necessariamente infantil ou adulta, teve problemas para encontrar uma editora que se interessasse por ele.

O formato de “picture book”, para ser lido verticalmente, como um calendário, ainda é pouco usual aqui na América do Sul, mas comum na europa. “O problema do livro é que ele não se encaixava em um gênero. Foi duro até achar uma editora que tivesse vontade de arriscar. Renata Nakano, da Tordesilhinhas, foi muito importante inclusive para o formato final do livro”, comenta Anabella.

Outros Mundos cita frases de alguns pensadores e escritores no seu final. “Se eu não tivesse me dedicado às artes visuais, eu teria ido para a filosofia. Sempre foi uma parte da minha vida. Achei que era legal incluir as cabeças que influenciaram a minha visão de mundo”, aponta a autora.



Além disso, Anabella gosta de criar a partir de um uso variado de técnicas, com colagens, fotografias e pintura. “É mais do que técnica mista, são técnicas combinas”, explica. Com isso, gera imagens impressionantes, em que universos habitam as cabeças dos personagens e se encontram posteriormente. Tudo isso com um estilo difícil de definir.

“Busco essa técnica em que você não consegue distinguir o que foi feito. O leitor olha para uma imagem e não sabe como ela chegou a esse ponto. Em algumas, nem eu sei mais como cheguei ao resultado. Uso colagem, acrílico, guache, fotografias impressas e recortadas”, revela. “Queria uma linguagem tão trabalhada que funcionasse como uma grande mentira.” Não se iluda, no entanto: nos mundos de Anabella, há mais verdades e encontros do que mera ilusão.

CURSO DE ILUSTRAÇÃO

Além da publicação de Outros Mundos, que ainda deve receber um lançamento no Recife, Anabella López tem muitas atividades programadas para o segundo semestre. A partir de agosto, volta a ministrar o curso de ilustração que criou com a colega Rosinha.
As duas se uniram para criar o espaço Usina de Imagens, que também oferece outros cursos – amanhã, começam duas turma de Direção de Fotografia com Leandro Cunha e, ainda em julho, estão previstas aulas de Aquarela, com Beto França, e Escrita Criativa, com Geórgia Alves, tanto em versões para crianças como para adultos. Leandro ainda vai ministrar uma curso de roteiro. O espaço fica na Rua Jader Andrade, 160, no Bairro do Recife.

“Eu fui professora de design na Universidade de Buenos Aires e ensina ilustração. Quando vim para Porto de Galinhas, deixei essa área da minha vida parada. E notei que era algo de que preciso, que me faz muito bem e me coloca diante do conhecimento teórico, afinal, a atividade do ilustrador pode terminar sendo muito prática”, relembra. “Fui procurar escolas de ilustração por aqui e não achei nenhuma no Brasil inteiro. Então, conheci Rosinha e, há dois anos, começamos a montar a Usina de Imagens.” A ideia das duas sempre foi criar uma escola. Assim, foram chamando outros professores e explorando outras áreas.

Para Anabella, o mercado para ilustradores no Brasil já esteve melhor. “No começo, era muito diverso porque tinha muito compra de livros pelo governo, como uma política pública de educação e cultura. Isso está totalmente parado agora, e a produção de livros também está”, pondera. Como boa parte do trabalho da ilustradora, especialmente os livros autorais, também são publicados fora do País, ela não tem sofrido tanto. “Nesse livros, tenho a possibilidade de vender os direitos autorais para outras línguas, não dependo só do mercado daqui. Hoje em dia, até mercados impensáveis antes, como o Japão e a Coreia do Sul, têm bastante interesse nos livros ilustrados”, aponta.

Em setembro, Anabella também vai participar de outro curso, o Imersão Criativa, com quatro ilustradores do Brasil e de fora que vai dar aulas para quem já atua na área. Além disso, ainda em 2017, a autora argentina vai lançar mais dois livros infantis: Barbazul e Um Coelho. Os dois vai ser editados pela Aletria, e a previsão é de um lançamento no Recife em agosto.


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