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Histórias em Quadrinhos

Nasce a revista Plaf, reflexo do efervescente momento político das HQs

Lançamento da revista reuniu quadrinistas, críticos, entusiastas e até novos leitores, em evento regrado a cerveja gelada, música e muito papo sobre HQs.

Publicado em 03/09/2017, às 10h33

Os editores da Plaf Carol Almeida, Dandara Palankof (meio) e Paulo Floro, durante lançamento da revista nesse sábado (2) / Foto: Luana Nova/SJCC
Os editores da Plaf Carol Almeida, Dandara Palankof (meio) e Paulo Floro, durante lançamento da revista nesse sábado (2)
Foto: Luana Nova/SJCC
JC Online
Luana Nova

Preconceito, machismo, corrupção. Todos os dias questões sociais, políticas e de gênero são debatidas e espelhadas nas mais diversas manifestações artísticas, como no cinema, na literatura, na música. Não poderia ser diferente nas histórias em quadrinhos, embora ainda exista certa resistência com o formato, enquadrado no nicho nerd/geek por alguns e considerado infantil por outros. Com a proposta de mostrar que os quadrinhos são um meio que reflete os acontecimentos do mundo e dialoga com toda a sociedade, nasceu a Plaf, revista pernambucana especializada em HQs com foco na produção autoral.

Apesar de estar circulando desde o fim de agosto, o lançamento oficial da Plaf aconteceu na tarde desse sábado (2), na loja Etiqueta Verde, no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, com evento que continuou noite adentro e reuniu quadrinistas, pesquisadores, críticos, entusiastas e até mesmo novos leitores, regrado a cerveja gelada, música e muito papo sobre quadrinhos, claro. Editada pelo trio de jornalistas Carol Almeida, Dandara Palankof e Paulo Floro, a publicação celebra o cenário de ebulição das HQs através de reportagens, resenhas, entrevistas e quadrinhos inéditos, sempre com um olhar reflexivo para questões atuais e relevantes.

“A gente teve essa sorte do cenário de quadrinhos estar num momento bom. Tem toda essa conjectura de pessoas interessadas e autores com novos trabalhos”, disse Floro, um dos idealizadores da revista, enquanto dava uma pausa nas fotos com os convidados. Ele contou que, ao conceber o projeto, tinha duas coisas em mente: aprofundar a conversa sobre quadrinhos e instigar a reflexão, assim como dar visibilidade para a variedade de estilos e vozes. “Existem poucas publicações sobre HQs no geral. Ou elas são voltadas para super-heróis ou para ensaios sobre quadrinhos de arte. O que nós queremos é mostrar que há muitas possibilidades nas HQs, uma expressão artística tão rica e plural como qualquer outra”, afirmou.

Inclusive, o slogan da revista “O mundo dos quadrinhos é o mundo todo” remete a essa necessidade de dar espaço para temas diversificados e representativos nos quadrinhos. “Com o boom dos eventos especializados e das novas editoras, a cultura de leitura de HQs vem se espalhando cada vez mais pelo Brasil. Como o nosso slogan diz, quadrinho é para todo mundo e a gente veio para agregar a esse cenário que está efervescente”, pontuou a editora Dandara Palankof, em meio aos abraços e agradecimentos que recebia daqueles que chegavam.

O primeiro número da Plaf é politicamente incisivo do começo ao fim. A capa traz duas personagens femininas de mãos dadas, ilustradas pela mineira Lu Cafaggi, que também criou uma HQ exclusiva para a revista com a temática LGBT, assunto da principal matéria desta edição. Além disso, conta com uma entrevista com o quadrinista André Dahmer, da série Malvados, que comenta bem esses tempos de instabilidade política em que vivemos. Uma das cinco HQs inéditas, por sua vez, aborda o polêmico movimento Ocupe Estelita, cuja temática, desenvolvida sob a ótica do pernambucano Raoni Assis, foi escolhida pela própria editoria da revista. O debate ainda é levantado na última das mais de 60 páginas da edição, com uma dosagem extra de acidez estampada na tira de humor político do piauiense Caio Oliveira.




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De acordo com Floro, existiu um posicionamento político até mesmo na escolha dos cinco quadrinistas convidados, que são o pernambucano João Lin, a brasiliense Renata Rinaldi, além dos já mencionados Caio Oliveira, Lu Cafaggi e Raoni Assis. “Se é que podemos falar de um mercado de quadrinhos, tivemos a intenção de descentralizar o olhar das pessoas para o sul e sudeste do País. Uma das nossas propostas também é de projetar os autores nordestinos, que são três dos cinco escolhidos para esta edição”. Lin é destaque também em matéria da Plaf que fala sobre a pernambucana Ragu, HQ autoral dos anos 90 editada por ele e Christiano Mascaro que trouxe diversas inovações estéticas para o gênero. “A gente acredita que tão importante quanto divulgar novos nomes é fazer esse resgate da memória de nomes importantes para a história das Histórias em Quadrinhos”, disse.

O produto final da revista, disponível somente no formato impresso, também alude a essa questão da preservação da memória. “Pode ser um pouco de fetiche, mas a gente queria que as pessoas pudessem ter a revista em mãos, passá-la de mão em mão, além de ter todas essas cores vibrantes berrando nos olhos delas”, brincou Palankof. “A gente não renega o formato digital e entende a relevância que ele tem na democratização da informação, mas a gente quis fugir um pouco dessa efemeridade que as coisas têm na internet e cristalizar a nossa vontade de falar sobre quadrinhos”, acrescentou.

Impressa em papel couché, grampeada e com verniz na capa, a revista foi pensada também para instigar o colecionismo, segundo Floro. “Eu mesmo sou colecionador. Quem curte HQs geralmente tem essa ligação com o papel, o cheiro, a textura. É um público mais old school”, comentou, emocionado por ter a oportunidade de ver o resultado de um projeto seu nas bancas. As mesmas emoções tomaram conta de Dandara. “Já foi uma sensação maravilhosa ver a revista saindo da gráfica, mas ver ela nas bancas, cada pedido na loja online, o pessoal comprando aqui no lançamento e o Orlando da Banca Guararapes ligando para dizer ‘olha, acabou o que você deixou, traz mais’, é gratificante demais”, disse. Visivelmente emocionada estava também a editora Carol Almeida, que não pôde se prolongar porque era uma das DJs da festa, mas deixou claro que: “ver a Plaf nas bancas ao lado de HQs que amamos e consumimos é um sonho sendo concretizado”.

Serviço

Com periodicidade bimestral, a revista Plaf está disponível em bancas, livrarias e lojas especializadas em quadrinhos de Recife, João Pessoa, São Paulo e Curitiba, pelo valor de R$ 15. Também é possível encontrar a revista à venda online, com envio para todo o Brasil.


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