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Polêmica

Articulador do Fora do Eixo destila rancor com Pernambuco

Pablo Capilé criticou cena musical do Estado. Produtores locais rebatem

Publicado em 22/12/2011, às 06h05

AD Luna

ad.luna@gmail.com

“Pernambuco é a personificação do rancor. Se tem um Estado rancoroso hoje, é Pernambuco. Os caras não se associam, não trabalham coletivamente, reclamam pra c...”. Um dia depois de ser fortemente criticado em redes sociais por músicos e produtores pernambucanos, em razão dessa e de outras frases proferidas durante transmissão de debate do Congresso Fora do Eixo, o mato-grossense Pablo Capilé (um dos articuladores dessa rede de produção musical independente), reafirma suas palavras. No entanto, diz que foi e está sendo mal-interpretado.

“Tiraram a frase do contexto, em um debate que durou pelo menos umas quatro horas e que contou com opiniões semelhantes de outras pessoas presentes”, explica Capilé. Segundo ele, além da falta de integração interna, músicos, produtores e demais agentes culturais do Recife não estabelecem canais de comunicação com outras cidades. 

Jarmeson de Lima, jornalista e um dos organizadores do festival recifense No Ar Coquetel Molotov, não concorda com a visão exposta por Capilé e outras pessoas presentes no debate como o produtor e comunicador paulista Alex Antunes. “Na verdade, essa articulação que eles dizem não existir se desenvolve no Recife. Nós, do Coquetel Molotov, por exemplo, mantemos um site e um programa de rádio que está sempre aberto ao diálogo e à divulgação de bandas e até de outros festivais como o Rec Beat e Abril pro Rock”, rebate.

Em outro momento do vídeo, o jornalista Pedro Alexandre Sanches e Pablo Capilé parecem chegar à conclusão de que a produção musical de Pernambuco parou nos últimos dois anos. O produtor do festival Abril pro Rock, Paulo André, afirma que tais opiniões não estão sintonizadas com a realidade do Estado. “Pedro Alexandre me surpreendeu. Ele ignorou, por exemplo, a Orquestra Contemporânea de Olinda – que ganhou páginas do New York Times (prestigiado jornal norte-americano) quando tocou no Lincoln Center, ano passado”. Paulo André também cita a quarta edição da coletânea Music from Pernambuco, que traz nomes como Ferrugem e Zeca do Rolete (da linha mais tradicional) e Caçapa, Pouca Chinfra, Lulina, Lirinha, DJ Big e China (entre os mais urbanos). 

Na visão de Paulo André, o maior problema da cena musical de Pernambuco é a difusão. Ele relata que, no ano passado, a BBC de Londres gravou duas noites do Abril pro Rock Club, o qual contou com a participação de artistas como Alessandra Leão, Ylana Queiroga, Bongar e Siba e a Fuloresta. “Essa gravação vai ser transmitida durante as comemorações de 20 anos do festival, em 2012. Mas, olha o absurdo: é mais fácil fechar parceria com um veículo internacional do que realizar, por exemplo, algum trabalho com a Rádio Universitária de Pernambuco. A gente não conta com esse aliado”, lamenta.

Leia a matéria completa no Caderno C desta quinta (22).

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Comentários

Por Marcus Vinicius,24/12/2011

Quem é esse cara? Ele é o famoso...?

Por Marcus Vinicius,24/12/2011

Quem é esse cara!

Por Manoela,23/12/2011

ARREGOU!

Por Almir Gandhi,23/12/2011

Ontem coloquei um comentario sobre esta reportagem e ela não foi colocada por quem é responsavél por este portal.Pois bem, vou tentar ser mais leve com esse Sr.Capilé.Eu disse qe concordo com os produtores daqui de pernambuco que se afastaram desse coletivo chamado fora do eixo. Nunca achei legal uma organizaçãochamada associação brasileira de festivais indepedente.Que de indepedente não tem nada pois recebe milhões do governo federal e o fora do eixo simplesmente ficou chateado porquê dependiam demais dos festivais aqui organizados e do apoio politico e da articulação dos produtores daqui, vi isso quando estive em brasilia durante a conferência nacional de cultura no qual fui como delegado regional representando a cultura afro brasileira e sei que em mato grosso só se faz musica sertaneja de má qualidade e a verdadeira cultura por lá é feita pelos indigenas e pequenos remanescentes de quilombolas que são realmente massacrados por esses sertanejos.O Sr. Capilé quando disse que nossa cena esta estagnada mostrou que ele não conhece o que nós produzimos aqui mostrando sua ignorâcia e rancor e concordo com o Paulo André que, se nós sem apoio de emissoras de televisão e de rádio já fazemos o que fazemos imagina se nós artistas fossemos vistos e ouvidos nós já haveriamos de ter alcaçado o topo da cadeia produtiva de cultura e teriamos um verdadeiro mercado fonográffico como nos anos 60 e 70 quando existia a historica fabrica de discos da estrada dos remedios e as emissoras locais apoiavam os artistas locais não como hoje com programas sem nenhum comprometimento com a nossa cultura e quando os governos estadual e municipal fizerem a sua parte que é de fazer o fomento e não utiliza-la como moeda de troca dos jogos do tabuleiro eleitoral com a sua nítida política não de cultura e sim de uma política de eventos, que fazem muito mal.Tenho dito.

Por melquizedek,22/12/2011

Ô meu irmão, não venha aí Seu Cavernoso Capilé falar da arrogância pernambucana. O que agente tem, e temos porque recuperamos, é orgulho e estima por nossa música e nossa cultura. Deixamos a muito de ser serviçais. Nós temos identidade. Nossos somos PERNAMBUCANOS. Tem noção do que isso significa? Vai estudar e perder tua arrogância.

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