Há uma frase de protesto que provavelmente começou a ser dita na gênese do movimento punk, nos anos 1970, e que até hoje é repetida por muita gente: “Vamos destruir o sistema!”. Porém, não seria mais prudente pensarmos em aperfeiçoar o sistema? Por que, além de criar coisas novas, não trabalhar com o que temos à mão tentando sempre fazer o melhor? Um bom exemplo dessa tentativa pôde ser vista na última sexta-feira, na prévia do bloco Guaiamum Treloso, que aconteceu na Reserva de Apipucos, com shows de Mombojó, Manu Chao e Eddie, discotecagem do DJ 440 e divertidas intervenções da cantora Catarina Dee Jah, que atuou como mestre de cerimônias.
Itens como escolha do lugar (ao ar livre, com amplo e ventilado espaço para as pessoas circularem), passando pela organização na entrada, disposição das barracas de bebidas, estrutura de som e luz, seguranças bem preparados e bom número de policiais nos arredores, até a preocupação em facilitar o transporte das pessoas evidenciaram a intenção dos organizadores da prévia em estabelecer eficiente comunicação com órgãos governamentais e com o bem-estar de quem pagou para se divertir.
Um acordo feito com a empresa de ônibus Transcol e o apoio da Prefeitura do Recife – via CTTU – permitiram ao público deixar seus carros no Shopping Plaza e se dirigir ao local do show por meio de transporte público. O Expresso Treloso foi uma espécie de adaptação de ideia já praticada pelo governo municipal e o centro comercial citado durante o Carnaval. É um exemplo do aperfeiçoamento do sistema em ação. Para não dizer que tudo foram rosas, houve gente que reclamou do preço do ingresso (R$ 70 a inteira) e da demora na fila para usar os banheiros químicos.
A Mombojó abriu a noite e, apesar de desfalcado de seus guitarrista e baixista originais, fez um ótimo show. A alegria e o calor da apresentação da banda contagiou de tal forma a moçada que estava na frente do palco ao ponto do vocalista Felipe S pedir para seus companheiros pararem o show para expressar sua emoção em ver animadíssimas rodas formadas por pessoas que se abraçavam.
Manu Chao é um fenômeno musical marcado pelo paradoxo. Se em seus discos ele demonstra certa preocupação com arranjos e timbres, nos shows o cantor e compositor francês tem repetido, há anos (talvez, há mais de uma década), o ato de tocar quase todas as músicas do repertório usando a mesma fórmula: primeira parte da canção em versão reggae e a segunda acelerada como um ska-hardcore.
A previsível, porém, animada e energética apresentação de Manu Chao deixou a plateia cansada para a Eddie, que encerrou a noite. Tanto que o vocalista Fábio Trummer teve que se esforçar para animar boa parte do público nas primeiras músicas. Entretanto, no decorrer da apresentação o povo foi acordando e passou a interagir mais com o grupo olindense.
Leia a matéria completa no Caderno C desta segunda (6).
Comentários
A organização e estrutura não foram tão boa como diz a matéria. Devido a pouca quantidade de banheiros o público perdeu muito tempo na fila, isso é revoltante.
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