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Forró

CD de forró é cada vez mais cartão de visitas

A quantidade dos títulos é inversamente proporcional à qualidade

Publicado em 11/06/2012, às 06h00

José Teles

 

Das centenas de forrozeiros atuantes no Nordeste, são raros os que mantêm vínculo com alguma gravadora. O que explica, mas não justifica as embalagens canhestras da imensa maioria dos CDs do gênero. Na maioria das vezes uma capa envelope, com o mínimo de informações, mesmo quando o disco foi feito com esmero. É o caso de, por exemplo, Coração nordestino, de Aracílio Araújo, um dos bons compositores de forró da atualidade. O disco tem participações de Alceu Valença, Genival Lacerda, Paulinho Leite, Cristina Amaral e Arlindo dos 8 Baixos. O repertório mescla músicas autorais com outras assinadas por Pinto do Acordeom, Alceu Valença,Xico Bizerra. No entanto, a capa não aconselha a se experimentar o conteúdo.


Com o grupo carioca Falamansa, o do forró universitário (a estas alturas já forró com pós-graduação). O grupo, que grava pela Deck Disc, saiu na frente na celebração ao centenário de Gonzagão, AS sanfonas do rei - tributo aos 100 anos de Luiz Gonzaga. Ao contrário do CD de Aracílio Araújo, a capa ajuda a vender um conteúdo que tem mais boa intenção do que qualidade. Com excelente qualidade de gravação, o disco se perde pela voz do vocalista Tato, com excessos de maneirismos de roqueiro, que lembra Flausino do Jota Quest. A voz dele, e nem é pelo sotaque carioca, definitivamente não combina com forró.

Ajuda também ao grupo a pagar as editoras que detem os direitos de cessão da obra de Gonzaga, inclusive enxertando a voz dele, em outras faixas. Foi o que não pode fazer o produtor Fabio Cabral, com sua caixa Pernambuco forrozando para o mundo três CDs, e um apanhado do melhor do forró que está sendo feito na região. com uma triagem, para não deixar passar o xote romântico meloso que virou uma erva daninha no chamado pé-de-serra.

O piauiense Beto Brito, com ...tome forró! mostra que se pode ter uma embalagem elegante e simples. Este é o disco mais forrozeiro de Brito: “Um disco de forró com viola nordestina ou viola dinâmica, com afinação dos repentistas, rabeca e sanfona”, conforme ele explica o CD que em participações de Silvério Pessoa, Genival Lacerda, Santana o cantador, Antonio Barros e Cecéu, e Genaro, na sanfona. É forró  de rabeca, mas não é “cabeça”, e traz um ingrediente hoje raro no forró: o bom humor.

O veterano Silveirinha foi dos poucos que lançou DVD nesta temporada. Um show de forró ao vivo, foi gravado na Sala de Reboco, que não tem a melhor das acústicas, mas a mixagem de Delbert Lins levanta o som. O ex-sanfoneiro do Cascabulho fez um produto direcionado à dança.

 

 O Trio Nordestino sai pelo São João cantando os clássicos do grupo, mais o repertório do novo disco, Tá ligado doido.  São 14 faixas, com participações especiais e Luiz Caldas, Thais Juriti, Walkyria Mendes, Targino Gondim. Um ponto a favor é que ele não insistem em trilhar o passado. O disquinho do trio foi distribuído também numa capinha envelope, com os nomes de autores das músicas, mas não a ficha técnica.
Vai baião! de Terezinha do Acordeom, uma das poucas mulheres forrozeiras que compõem,tocam e cantam. Oito faixas do álbum são assinadas pro ela (sozinha ou com parceiros). A exemplo de quase todos os outros discos, Ai baião esbarra no baixo orçamento. Traz autores de musicas, mas não a ficha técnica. A qualidade do som é razoável. Não se sabe, porém, quem toca com Terezinha do Acordeom, apenas osconvidados: Gennaro, Cezzinha, Elba Ramalho e o ubíquo Dominguinhos.

VIVA GONZAGÃO
Com a celebração dos cem anos de nascimento de Luiz Gonzaga, dirime-se qualquer dúvida sobre a grandeza e influência do artista, mais do qualquer outro da música popular brasileira em todos os tempos. De Norte a Sul, diariamente, tem-se notícias de homenagens ao Rei do Baião. Em disco contam-se às dezenas de tributos. 

Daniel Bueno canta Luiz Gonzaga é o título óbvio do CD lançado pelo cantor natural de Carnaíba. O conterrâneo de Zé Dantas fez um disco correto, com canções umas mais e outras menos conhecidas.  embalagem envelope impede que se saiba os autores da músicas, e quem toca com ele (o sanfoneiro é Beto Hortiz). ...a sanfona não parou... de Arimatea Ayres não é só mais um tributo ao Rei do Baião, é uma reverência instrumental. Ele, na sanfona, e Jerimum de Olinda, na percussão (e direção artística), são o suficiente para recriar 12 temas da obra de Gonzagão, numa homenagem diferente, que merece ser conferida.

Por fim, Jurandy da Feira canta Gonzagão, um título recorrente nos tributos a Lua. O baiano Jurandy foi amigo de Gonzagão, acrescentando pelos menos dois clássicos ao repertório do cantor: Nos cafundó de Bodocó, e Terra, vida, esperança, canção escolhida por Gonzagão para fechar o especial que fez para a TV Globo, em 1984, que seria sua despedida da carreira. São 14 faixas, mesmo com uma apresentação mais cuidadosa, ainda assim é mais um cartão de visitas. Por fim,

Anastácia, com Cecéu, das raras compositores de clássicos do forró. Anastácia presta uma homenagem a Luiz Gonzaga, num compacto simples (ou single). Tão simples, que só tem uma música: Saudade centenária.
CD promocional, com som abafado, e capinha envelope. A canção (co-assinada por Liane), deveria ser regravada, é uma boa composição que será conhecida por poucos.

 

 

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Comentários

Por Tato,18/06/2012

Pois bem, vamos lá! O primeiro erro básico nem é o que mais me desagrada, mas o que mais chama a atenção. Confundir o meu sotaque com sotaque carioca demonstra o quanto o jornalista José Teles ouviu o disco! Deve ter prestado muuuuita atenção pra confundir o sotaque de um Piracicabano com o sotaque carioca. Mais fácil confundir com um sotaque Texano!! E iniciar um parágrafo com "A banda carioca Falamansa..." mostra a total falta de informação de alguém que supostamente deveria entender de todos os assuntos musicais imparcialmente, e não só do que lhe diz respeito. Ouvir um disco que tem 16 faixas, participações de Dominguinhos, Elba, Trio Nordestino, Trio Virgulino, Jorge du Peixe(Nação Zumbi), Meninos do Morumbi, Janaina Pereira (Bicho de Pé) , Miltinho Edilberto e falar sobre a minha voz "carioca" é no mínimo um desrespeito. Sobre a autenticidade da minha voz em particular, é o único ponto que concordo. Realmente minha voz não é de forrozeiro, e por muitas vezes brinco nos shows(meus fãs que me seguem sabem disso) que minha voz é anasalada, que não aguento ouvir a mim mesmo etc. Mas seria mais correto eu cantar com sotaque nordestino só para parecer original? Acho que não. Essa é a voz que Deus me deu(podia ser melhorzinha é claro!rsrsrs) e sigo tentando fazer o meu melhor sem forçar algo que não sou. O que realmente me chamou a atenção foi, usar um canal de mídia pra criticar artistas que fazem encartes em papelão, sendo que esse tipo de "solução" é a saída para muitos que querem divulgar o seu trabalho num país onde a pirataria cresce proporcionalmente aos impostos cobrados por cada cd e principalmente para lutarmos contra o "forró de plástico" que cada vez mais detona a nossa cultura também com cds de papelão, e pior ainda, em grande escala, distribuídos mão a mão aos milhares enquanto que muitos dos artistas citados na matéria usam o disco como divulgação promocional! Também me deixou triste ver alguém chamar o disco do Trio Nordestino de "disquinho", já que estamos falando de um dos maiores símbolos do forró pé de serra brasileiro. Uma falta de cuidado tremenda na hora de se expressar. Por fim, me espanta, um veículo de comunicação de um estado que tanto prezo e respeito, permitir uma matéria que crítica o que talvez seja o último suspiro da própria cultura. Artistas que estão lutando com unhas e dentes pelo autêntico forró, sendo em encarte de papelão ou de diamante, estão perdendo espaço cada vez mais nos eventos juninos para bandas de axé, sertanejo universitário e "forró de plástico"(aliás, uma grande pauta para matéria), e quem sabe se unirmos forças para mudar essa realidade, faríamos bem mais pela nossa cultura. Digo isso porque não tenho mágoa nem rancor nenhum com o Jornal do comércio que sempre foi muito solicito com nossos trabalhos nem com o jornalista José Teles e peço que ninguém aqui na sessão de comentários o tenha. Talvez, nosso movimento anda tão enfraquecido que não esteja chegando até os ouvidos da mídia como deveria. Mas convido o mesmo a conhecer um pouco mais o que se tem feito pelo forró pé de serra aqui em São Paulo, em Minas, no Rio, no Espiríto Santo, e que , espero eu, sirva de motivação para suas próximas matérias. Deixo também as portas do nosso novo show, "As sanfonas do rei", abertas para recebê-lo, para que possa conhecer um pouco mais sobre esse trabalho e me interesso em saber a tua opinião sobre o que podemos melhorar para mudar o atual cenário do forró brasileiro(além da minha voz anasalada é claro!rsrsrs). Atenciosamente, TATO

Por vicky,18/06/2012

Es lamentable leer esta nota, me da verguenza ajena..lo q mas vale la pena es leer los comentarios q la gente hace mas abajo! y nada q ver con respecto a la voz de tato...para mi entender tiene una voz lindisima y unica!!! y hasta yo q soy Argentina me doy cuenta q su tonada es paulista y no carioca jajajaj ridiculo!

Por Thais Marchi,18/06/2012

Para ser um jornalista respeitado, que não vai ser seu caso, para soltar uma matéria dessa no minimo estudar sobre vida e carreira do artista, vc quis falar bonito e falou foi tudo errado, muito mal informado, lamentável.

Por Sara,16/06/2012

Muito infeliz a sua matéria, carece de informações verídicas.

Por Rossini Flores,15/06/2012

Errata: Falamansa é uma banda Paulista! o sr "jornalista" deveria se informar melhor antes de sair escrevendo suas matérias. Quanto ao sotaque do Tato, pode parecer estranho para um nordestino ou quem não conhece o trabalho do grupo, mas é um estilo e o sr ha de convir que essa voz, esses maneirismos e essa "boa intenção" ajudaram e ainda ajudam a propagar o forró em espaços antes dominados por outros estilos! Isso me parece um preconceito, o mesmo preconceito que tanto se levanta bandeira quando é contra um de nós nordestinos!

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