Quem acompanha com um mínimo de atenção a dinâmica do mercado musical brasileiro, não custa a perceber que a quantidade de discos independentes lançados nos últimos anos é enorme. Da música popular de raiz, passando pelo pop, rock até o rap os títulos parecem jorrar de uma fonte inesgotável de criatividade. Entretanto, boa parte de bandas e artistas responsáveis por essas obras ainda sofre com o baixo número de canais de difusão dos seus trabalhos. Atualmente, alguns websites têm servido como um interessante meio de divulgação de tais lançamentos. Exemplo disso é Hominis Canidae (www.hominiscanidae.org), blog com base no Recife, com quase dois mil posts com lançamentos e quase 30 coletâneas produzidas pelo próprio veículo.
Diego Albuquerque, 29 anos, doutorando em biologia aplicada à saúde, diz que o site não surgiu de maneira deliberada, com o conceito de servir como “depósito virtual de discos, de preferência nacionais alternativos e independentes”, como descrito na apresentação do veículo. No feriado de São João, de três anos atrás, ele publicou arquivos na internet com material de uns 10 discos independentes que havia comprado. “Saí repassando os links pros amigos e aproveitei e divulguei numas comunidades de música no Orkut. Foi quando percebi que boa parte dos discos não existiam na internet. Um amigo sugeriu de fazer um blog e pronto, surgiu o Hominis”, conta.
Diego diz receber muito material de rock, música instrumental e experimental, além de material focado no pop e folk. Mas, não há restrições a nenhum estilo. Pernambuco e São Paulo, e suas respectivas capitais, são os locais que originam o maior número de visitantes do blog.
Boa parte do acervo do Hominis, contudo, é formado por conteúdo não enviado diretamente pelos músicos. “Quando o artista se manifesta contrário ao download no blog, nós retiramos o link do ar. Basta entrar em contato por e-mail que é sem trauma”, explica Diego.
Além do Hominis Canidae, Diego atua no Altnewspaper (www.altnewspaper.com), “braço de notícias ligado ao Hominis, onde rolam matérias, vídeos, entrevistas” e na revista impressa Mi, sobre música independente de Pernambuco.
Leia o texto completo no Caderno C deste sábado (7).
Comentários
diego desde adolescente conhecia a cena das bandas iniciantes, fossem elas ''pops'' ou alternativas. lembro que ele até cantava a maioria das músicas, ora completamente desconhecidas (isso era por volta de 1999), de cor. o sucesso do site é uma consequência natural de seu olhar talentoso para o que é bom mas ainda não brilha; e de sua dedicação voluntária pela democratização dos espaços de mídia. salve o hominis canidae! parabéns!
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