Em shows, o bis é um momento-chave. Ainda que as canções já estejam definidas no setlist, é geralmente nesta hora, depois de encerrado o tempo regulamentar mas antes de um final definitivo, que o público se mostra relutante em deixar o momento passar. O artista, sentindo que já ministrou bem a tarefa que lhe foi delegada, volta ao palco mais livre, sem receio de equívocos, disposto a oferecer um extra precioso de si mesmo para a plateia. É assim que a cearense Amelinha, que se apresenta hoje e amanhã no Manhattan Café Theatro, em Boa Viagem, descreve o momento que vive hoje.
“Sinto que já fiz muita coisa, mas há mais a ser feito. Eu continuo meu caminho, mas agora estou diferente, mais descontraída”, afirmou a cantora por telefone, pouco antes de embarcar do Rio de Janeiro, onde mora, para o Recife. “Trago nos shows a consolidação da minha trajetória, mas não sem renovação”, diz, referindo-se ao doce Janelas do Brasil, álbum lançado ano passado depois de um hiato de dez anos sem gravações inéditas.
Os primeiros passos de cantora profissional foram dados por Amelinha com Flor da paisagem (1977), seu LP de estreia. A partir daí, ela seria uma das principais vozes da geração que apresentou ao País a nova estética da música nordestina, com letras fortes e enigmáticas assinadas por Zé Ramalho (com quem foi casada), Fagner, Belchior, Ednardo e Alceu Valença. Deste período datam grandes sucessos da carreira, incluídos nos shows de hoje e amanhã, como Frevo mulher, Mulher bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor e Foi Deus que fez você.
Para o novo trabalho, Amelinha contou com os companheiros de geração para as canções Galos, noites e quintais (Belchior), Asa partida (Fagner) e Terral (Ednardo). Da nova safra de compositores, a cantora prestigiou Felicidade (Marcelo Jeneci) e O silêncio (Zeca Baleiro). “No show Janelas do Brasil, que batizou posteriormente o disco, trago essas novas músicas e os grandes sucessos com outra roupagem, mais econômica”, adianta a artista, que mantém o vigor e a suavidade com os quais fixou sua marca.
Sobre as novas imposições do mercado fonográfico, que tendem a privilegiar hits de refrões nulos com “tchus e tchas”, Amelinha opina: “sempre houve músicas assim, mas nos últimos anos elas estão à frente de qualquer outra coisa. O povo brasileiro é alegre, gosta de se divertir, por isso essas músicas para dançar caem bem. Mas deve-se ter cautela, porque assim se deixa de pensar”.
No mais, Amelinha diz não ter nostalgia de nenhuma época. “Foi ótimo, mas eu estou aqui. Estou feliz, estou no bis”.
Leia a matéria completa no Caderno C desta quinta (26)
Show de Amelinha - nesta quinta (26) e sexta (27), a partir das 21h, no Manhattan Café-Theatro (Rua Francisco da Cunha, 881, Boa Viagem). Ingressos: R$ 50 (hoje) e R$ 70 (sexta). Informações: 3325-3372
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