Quem passa pela Praça do Trabalho, em Casa Amarela, talvez não se atente ao que acontece por trás do portão preto do número 156. Na casa discreta, que se divide entre a tranquilidade das bicicletas da praça e a movimentação intensa da avenida adiante, funciona o Estúdio das Caverna, sede do selo Joinha Records, recinto que há três anos vem sendo um profícuo laboratório de sons para a música pernambucana contemporânea. Para fundir sonoridades distintas e enriquecer o cenário independente brasileiro, na semana passada foi iniciada a segunda edição do projeto Joinha Lab, espécie de residência musical que reuniu nomes como Tibério Azul, Felipe S., Chiquinho Moreira, Vítor Araújo e Rodrigo Samico para a produção de composições inéditas – e cheias de vigor.
Segundo Homero Basílio, um dos idealizadores do projeto, a previsão é de que o resultado desta segunda edição comece a ser disponibilizado para o público a partir da primeira semana de setembro, no site do Joinha Records (www.joinharecords.com.br). O também integrante da Orquestra Sinfônica do Recife adiantou que, se tudo seguir como previsto, a página será atualizada semanalmente até meados de novembro. O registro das gravações, que será exibido como um programa de internet apresentado pelo músico-VJ China, ainda deve ser compilado este ano em CD e DVD. Os realizadores também consideram ampliar o projeto dentro de outras ações, se houver patrocínio.
O Joinha Lab é um espaço para experimentação dentro do selo – a ideia é fazer junções e gerar uma nova ramificação de parcerias entre os artistas locais. Daqui podem sair sementes para projetos futuros, como a formação de novas bandas e lançamentos de EPs, LPs e CDs”, explica Raul Luna, designer que, junto aos músicos China, Homero Basílio e Chiquinho, é um dos responsáveis pelo projeto. "É importante, entretanto, diferenciar o selo Joinha Records do projeto Joinha Lab: quem participa do Joinha Lab não necessariamente faz parte do casting da gravadora, são coisas distintas”, diz.
O projeto, que nasceu no começo deste ano para oficializar o que já acontecia espontaneamente nos corredores do estúdio, veio para selar parcerias e ajudar a gravadora a, mais do que lançar artistas, facilitar seu desenvolvimento. Um dos exemplos da primeira edição foi a interessante união entre o som da banda Julia Says e o do rabequeiro Luiz Paixão, que não fazem parte do selo. “Eles foram pioneiros no Joinha Lab e o resultado foi muito positivo. É muito bom ter essa experiência porque vemos que podem acontecer várias coisas dentro do projeto, sempre explorando a criatividade e novos tipos de composição”, afirma Raul.
“Na segunda edição conseguimos unir os sons eletrônicos de Chiquinho (teclados e sampler do Mombojó) com a base erudita do pianista Vítor Araújo, assim como Felipe S. (vocalista do Mombojó e guitarrista da Del Rey) e Rodrigo Samico (violinista do Saracotia e professor do Conservatório Pernambucano de Música). O resultado ficou muito diferente do que eles costumam fazer em suas respectivas bandas e todos ampliaram seus próprios limites”, adianta Homero Basílio.
O primeiro caso de parceria interestadual dentro do Joinha Lab acontece via web entre o pernambucano Tibério Azul e o grupo curitibano A Banda Mais Bonita da Cidade. “Estamos no processo de elaboração para fazer quatro músicas inéditas com a Banda Mais Bonita. Recentemente mandei para eles uma música que compus com China e, em seguida, eles me enviaram uma letra para adaptar a uma música, e assim vamos trabalhando, costurando universos distintos”, afirma Tibério Azul, lembrando que os registros de criação das músicas, tanto daqui quanto de Curitiba, estarão disponíveis em vídeo dentro do projeto.
O Joinha Records ainda passeia por outras áreas. Além de promover interação com o público em ações dentro de festivais (como a que aconteceu na edição 2011 do Coquetel Molotov, em que os visitantes podiam gravar em um estúdio itinerante), o selo também trabalha com publicidade e conta com a loja virtual Joinha Store (www.joinhastore.com.br), onde são vendidos os discos e produtos produzidos pela equipe e de outros artistas. A gravadora ainda conta com a parceria da One RPM, plataforma de distribuição fonográfica digital que interliga músicos e selos independentes a lojas digitais como o iTunes e iMusic.
NOVIDADES
Para agregar músicos de mais partes do País, China, Chiquinho e Homero estão montando uma base do Joinha Lab em São Paulo, onde eles passam boa parte do tempo. “Já estamos armando algumas coisas em São Paulo, como uma parceria entre Martin (guitarrista do duo Agridoce, com Pitty) e Pernalonga (baterista pernambucano). Alugamos um porão onde montamos um estúdio e já começamos a gravar agora em agosto”, adianta China, que se dividiu entre o porão citado e o Estúdio das Caverna para gravar o álbum Moto contínuo, lançado ano passado.
Em relação a novos trabalhos, Tibério Azul disse estar se preparando para o sucessor de Bandarra – seu álbum de estreia –, que deve ser lançado no próximo ano. Felipe S. e Chiquinho dão notícias do Mombojó, cujo último lançamento foi o disco Amigo do tempo, em 2010. “Estamos com um disco pronto, ao vivo, que celebra mais de uma década da banda em atividade. Décimo primeiro aniversário sai ainda esse ano, e devemos começar um disco de inéditas no próximo”, antecipam.
Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta quarta (1º), no Caderno C
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