Quem é a mãe do blues brasileiro, ninguém sabe. Mas, pai só houve um: Celso Ricardo Furtado de Carvalho, mais conhecido como Celso Blues Boy. Após uma batalha contra um câncer na garganta, o guitarrista, compositor e cantor morreu na manhã desta segunda-feira (6/8), em sua casa em Joinville (SC), aos 56 anos de idade.
Celso sofria de bócio, um aumento do volume da tireoide popularmente conhecido como papo. Mas, segundo sua assessoria de imprensa, a causa da morte ainda é desconhecida. Seu corpo foi encaminhado para ser cremado esta quarta-feira (8/8), no Crematório São José, em Blumenau (SC).
Nascido no Rio de Janeiro e radicado desde os 6 anos em Blumenau, Celso foi daqueles pais que exercem a função de pai e de mãe ao mesmo tempo. Todos os músicos brasileiros que abraçaram o gênero depois de Celso devem a ele no mínimo a iniciativa de tentar propagar no País um gênero tão característico americano e que se confunde com a própria história dos Estados Unidos – mais ou menos como ocorre com o samba em relação ao Brasil.
Celso Blues Boy foi ainda um daqueles músicos cuja relação com o instrumento torna ambos quase uma entidade única. E não era para menos.
O entrosamento entre Celso e a guitarra começou em 1970, quando ele ainda tinha 14 anos. Numa época em que Eric Clapton já era considerado um deus, Celso teve acesso a um pacote de 50 LPs que um tio-avô trouxera dos EUA. Entre as dezenas de discos, o rapaz simpatizou mais com o de um “negão” – como ele mesmo contou em entrevista ao JC em 2001 – e tentou acompanhar as músicas com sua própria guitarra. Numa festa, os amigos lhe contaram que aquele som se chamava blues. “Depois, eu mostrei o disco e eles me disseram: ‘É o B.B. King’. Foi assim que eu soube que tocava blues”, lembrou na mesma entrevista.
O músico atribuía seu apelido a essa influência direta do blues. Ainda aos 17 anos, Luís Carlos Sá – da dupla com Guarabira – deu ao guitarrista a alcunha inspirada em B.B. (Blues Boy) King. “Eu não gostava no início”, disse Celso. “Mas, depois até minha avó, que me criou, já me chamava de Blues Boy.”
O reconhecimento do trabalho solo de Celso veio com a ascensão do rock brasileiro nos anos 1980. Ainda nessa década, teve seu primeiro contato com B.B. King, que se apresentou no Rio e o convidou para tocar com ele.
Desde seu primeiro álbum solo, Som na guitarra (1984) – que contém seu maior sucesso, Aumenta que isso aí é rock’n’roll –, foram 12 discos gravados. Em 2011, lançou seu último trabalho, Por um monte de cerveja.
A primeira vez que Celso Blues Boy se apresentou no Recife foi em 2001, com sua banda, no Downtown Pub. Depois, sempre acompanhado da local Uptown Band, voltou em 2003 (no mesmo Downtown) e em 2010, ano em que se apresentou no Spirit Music Hall no projeto Oi Blues e no Garanhuns Jazz Festival.
Site oficial do artista: http://www.celsobluesboy.com.br/
Comentários
Tenho certeza que os amantes do Blues estão tristes com esta perda. Estamos cada vez mais órfãos.
Um dia desses vi uma entrevista com ele na TV Brasil, ele realmente parecia bem debilitado. Uma pena...
Concordo plenamente, a música brasileira fica bem mais pobre...
Grande perda! Os grandes estão indo embora e os medíocres da mídia ficando...
Comentar
Últimas notícias
Ranking do dia
Governador anuncia redução na tarifa de ônibus e o Anel A vai custar R$ 2,15
Mário Balotelli é esperança de gols da Itália diante do Japão nesta quarta-feira
Dilma anunciará 20.º pacote de medidas de estímulo à economia de seu governo
Problemas na Arena provocam tensão
Como antecipado pelo JC, Campus Partydo Recife acontecerá de 17 a 21 de julho
Prius, o inimigo dos postos de gasolina
Torreão é opção para famílias Especiais JC
O Mercado em alta