O Conservatório Pernambucano de Música recebe hoje, às 19h30, o terceiro encontro do Pesquisa.Música, projeto que está em sua segunda edição e que debate elementos que compõem o universo do fazer musical, a exemplo da improvisação, composição, arranjo, criação, estética, interpretação, construção de instrumentos e história da música. O convidado da vez é o pianista, compositor e arranjador carioca Jovino Santos Neto.
“Vamos falar da maneira como trabalho - que é muito intuitiva - e do meu método de composição”, conta Jovino Santos. O músico mora há 19 anos na cidade de Seattle, Estados Unidos, mas está de passagem pelo Rio de Janeiro, de onde conversou com a reportagem do JC, por telefone.
Na cidade americana, ele dá aulas de piano, toca como artista solo e em big bands de jazz, orquestras sinfônicas, grupos de música de câmara. Jovino já trabalhou com Bill Frisell, Paquito d’Rivera, Airto Moreira, Claudio Roditi, David Sanchez, Joe Locke, Marco Granados e, o seu mentor, Hermeto Pascoal - com o qual esteve por 15 anos.
Por falar nele, no fim do ano passado, Jovino Santos regeu um grupo formado por 30 músicos ingleses, que se juntaram, num palco em Londres, a Hermeto e sua banda numa grande celebração ao mestre da música instrumental brasileira.
Entrevista do repórter AD Luna com Jovino Santos, feita em 2008
As pesquisas e as viagens de Jovino por cidades de Pernambuco, Alagoas e Paraíba resultaram na gravação do álbum Alma do Nordeste (2008), o qual, por sua vez, remete ao livro de mesmo nome escrito por C. Nery Camello, nos anos 1930. Depois de ler a obra, Santos se sentiu inspirado a conhecer mais a respeito da região. “A inspiração maior para as composições desse álbum vieram de coisas não ligadas diretamente à música, como o jeito das pessoas falarem, o clima, a culinária”, revela.
Segundo Jovino, outra fonte de inspiração partiu de uma das mais tradicionais manifestações literárias do Nordeste. “Apesar de meu som ser instrumental, as rimas do cordel - que apresentam uma beleza muito grande - me influenciaram bastante na forma como montei as melodias das músicas”, destaca.
Sobre Luiz Gonzaga - o homenageado do ano, por seu centenário de nascimento -, Jovino Santos o destaca como um dos artistas que mais o impressionam. “Adoro tudo que ele fez, da sua maneira de cantar e tocar. Ele levou o linguajar do Nordeste para todo o Brasil. Outro que admiro muito é Jackson do Pandeiro”. Entre os mais jovens, Jovino cita o maestro Spock. “No próximo trabalho dele, terei a honra de participar com uma composição minha: o frevo Comichão”, adianta.
Segunda edição do projeto Pesquisa.Música, com Jovino Santos. Hoje, às 19h30, no Conservatório Pernambucano de Música (Av. João de Barros, 594, Santo Amaro. Telefone: 3183?3400). Entrada gratuita
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