Uma mulher repleta de misticismo, crente no divino, de voz forte e presença de palco marcante. Há exatos 70 anos nascia a mineira Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, famosa no Brasil e no exterior como Clara Nunes (1942-1983), uma das maiores sambistas deste País. “Se vocês querem saber quem eu sou / eu sou a tal mineira / filha de Angola, de Ketu e Nagô / não sou de brincadeira”, como cantava na canção Guerreira.
Entre as brincadeiras sob os pés de amora, enquanto empinava pipa e jogava pião, a pequena Clara ajudava a mãe nas tarefas domésticas. Era a caçula de seis filho de um casal simples que morava em Cedro, Minas Gerais. A menina adorava interpretar e cantar. Na infância, suas referências musicais eram Ângela Maria, Elizete Cardoso e Dalva de Oliveira. Uma paixão conturbada na adolescência, no entanto, mudaria de vez a vida de Clara, orfã de pai e mãe aos seis anos.
Aos 16 anos, a cantora foi chamada à delegacia para prestar depoimento. Seu irmão havia esfaqueado Adilson, o ex-namorado de Clara, que espalhava que havia transado com ela. O crime fez com que Clara saísse da cidade natal, e fosse morar em Belo Horizonte, com um dos irmãos. Embora fosse trágico o motivo da mudança, a nova vida traria surpresas para a jovem. Na capital mineira, Clara trabalhou como tecelã durante o dia, e à noite estudou. No bairro onde morava, participou dos ensaios do Coral Renascença.
Através das amizades que fez, entre elas o produtor Cid Carvalho, Clara começou a fazer sucesso. Em 1960, na final nacional do concurso A Voz de Ouro, realizada em São Paulo, ela obteve o terceiro lugar com a canção Só adeus. A partir daí, começou a cantar na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Durante três anos seguidos foi considerada a melhor cantora de Minas. Não demorou muito para que ganhasse o Brasil com o seu sucesso, se mudando para Copacabana, no Rio, em 1965.
SINCRÉTICA
Clara Nunes era católica de formação. Foi espírita – quando os pais morreram, uma de suas irmãs, seguidora dos ensinamentos de Alan Kardec, fazia reuniões entre a família –, mas descobriu na umbanda e no candomblé o Deus (ou os deuses) que lhe guiava e confortava. Os orixás sempre estiveram presentes nas obras de Clara Nunes. Como ela mesma cantou em Guerreira, era “filha de Ogum com Iansã” – embora em Olinda, no terreiro de Pai Edu, fosse se descobrir filha de Oxum e Xangô, sendo batizada a essas divindades nas águas do Rio Capibaribe, em 1972.
Clara marcou o samba do País. E morreu precocemente, aos 40 anos, após uma cirurgia de varizes (desnecessária para muitos; por pura estética), vítima de choque anafilático. Seu enterro comoveu os brasileiros. Mas até hoje Clara está presente nas rodas de samba, nos encontros de amigos, nos pagodes.
Leia matéria completa no Caderno C deste domingo (12).
Comentários
EXCELENTE CANTORA. NO BRASIL , NUNCA TEVE E NUNCA TERA UMA CANTORA COM A VOZ PAREIDA COMA DA CLARA NUNES. O NOME ESTAR CORRETISSIMO, SUA VOZ E CLARA. INSUBSTITUIVEL. DEUS E QUE ESTAR FELIZ , OUVINDO ESTA MARAVILHOSA VOZ. OREMOS SEMPRE POR ELA. Comentario Cadastrado com Sucesso ! SERA??? CONFIAREI , ainda, no JC. Grato . SUCESSOS para o comentarista e para o JC. Abraco. ITO CAVALCANTI CALIFORNIA , U.S.A..
Comentar
Últimas notícias
Ranking do dia
Mais bicicleta para alugar no Recife
JC lança site para acompanhar times de Pernambuco no Brasileirão
Governo publicará MP para desonerar passagem de ônibus
Em palestra, Eduardo ressalta importância do Legislativo e critica Joaquim Barbosa
Cem mil pessoas seguem Francisco em Latim
Grand Siena ganha série especial caprichada
Torreão é opção para famílias Especiais JC