A Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO) está de disco novo, Pra ficar. O álbum foi disponibilizado gratuitamente no site do grupo (www.orquestraolinda.com.br), antes do seu lançamento físico, com um show no dia 8 de setembro, dentro da programação da Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo).
A produção do disco ficou nas mãos do também músico norte-americano Arto Lindsay, que morou quando estudante em Garanhuns, no Agreste pernambucano e já trabalhou em discos de Gal Costa, Carlinhos Brown, Tom Zé, Caetano Veloso e Marisa Monte, além de ser bastante admirado pelos músicos do mangue beat, de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.
“Queríamos alguém de fora para produzir. Eu já conhecia Airto via Naná Vasconcelos, telefonamos pra ele, que topou na hora. Durante o processo de produção, a gente manteve um ótimo diálogo”, revela Gilú Amaral, percussionista e idealizador da OCO. O grupo é formado ainda por Ivan do Espírito Santo (sax e flauta), Maciel Salú (rabeca e voz), Hugo Gila (baixo e microkorn), Juliano Holanda (guitarra), Tiné (voz e percussão fina), Rapha B (bateria), Roque Netto (trompete e flugelhorn), Babá do Trombone (trombone) e Alex Santana (tuba).
Gilú Amaral cita a própria Olinda e a cultura de Pernambuco como um todo como principal inspiração para as composições do disco. Outras ideias surgem quando eles tocam juntos no estúdio. Algumas vezes, alguém traz bases harmônicas já prontas e os outros músicos tratam de juntar e organizar os elementos musicais. “Na parte criativa, a gente é bem tranquilo. Nesse CD, há várias composições de todos da banda. Normalmente, montamos a música e mandamos para Ivan, responsável pelos arranjos dos metais”, conta.
Pra ficar pode ser encarado como uma boa síntese da legítima e moderna música pop pernambucana. Ao passear por suas 12 faixas, o ouvinte que já andou pelas ladeiras de Olinda e nas ruas do Centro do Recife e adjacências durante o Carnaval poderá reconhecer o clima de rica e diversa animação que toma conta desses lugares nos dias de folia. Também poderá rememorar sensações captadas em festas descoladas nas duas cidades ou em bailes regados a sonoridades afro-cubanas.
Como o próprio nome indica e a letra explicita (“Tô na folia/ Sou Homem da Meia da Meia Noite, Menino da Tarde e Mulher do Dia...”), a música Boneco gigante trata de um dos maiores símbolos do Carnaval olindense. Mas, ao contrário do que poderia se esperar, o ritmo escolhido para acompanhar a letra não é um frevo, mas um funk/soul com forte sotaque pernambucano. O que é se caracteriza como uma boa e bem-vinda quebra de expectativas e o tema poderia servir para um interessante videoclipe.
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