Sorrisos de satisfação pela lição aprendida, pelo prazer de executar aquelas notas que outrora pareciam tão complicadas. Crianças, jovens, adultos e idosos convivendo em harmonia no Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo), cuja Banda Sinfônica se apresenta hoje, às 18h, na Igreja São João dos Militares, com repertório que vai da MPB à música erudita. O concerto faz parte da programação da 9ª Mostra Internacional de Música de Olinda, é um dos inúmeros eventos que celebram os 30 anos da escola.
“Costumamos comemorar a data a partir da instalação do grupo de trabalho em 10 de novembro de 1982, foi liderado pelo maestro Mário Câncio (falecido em 2008) e encampado pela secretária de Educação Marieta Borges. Ele dedicou-se plenamente ao ideal de levar o ensino musical para todos. Até hoje seguimos com esse pensamento”, explica Anaide da Paz, diretora do Cemo.
A instituição é ligada à Prefeitura de Olinda. Possui 51 professores e 650. Podem ingressar na escola crianças alfabetizadas a partir dos seis anos. O valor da mensalidade é de R$ 40, com a possibilidade do estudante ganhar bolsa. No Cemo não existe idade máxima para quem deseja se aventurar nesse mágico universo e perceber que a música vai além do lazer e do entretimento, como Aneide gosta de salientar. Um exemplo é José Olímpio, 85 anos, aluno de piano há sete anos. “Ao me aposentar, pensei no que iria fazer dali pra frente. Não queria ficar jogando dominó ou tomando cachaça. Então pensei: vou é aprender a tocar um instrumento”, conta seu Olímpio, viúvo há 14 anos, com um radioso e contagiante sorriso.
Sob o olhar e orientações da professora Áurea de Morais, 41 anos, seu Olímpio se concentra e executa Jesus alegria dos homens, de Bach, e My way, clássico da música popular mundial que fez sucesso nas vozes de Frank Sinatra e Elvis Presley. “É uma experiência muito válida, me dá prazer. Os médicos até me falam para eu não parar de estudar porque isso tem feito muito bem à minha saúde”, regozija-se o pai de sete filhos, avô de 15 netos e bisavô de uma criança.
A história do Casarão Cor de Rosa (como o Cemo também é chamado) começou a partir da doação do local pela Prefeitura de Olinda, em 1982. O maestro Mário Câncio convidou crianças carentes do entorno a frequentar as aulas de piano, órgão, flauta e violão. Além do ensino, o kardecista Câncio oferecia aos pequenos alimentação, bolsas de estudos e, com muito esforço, calçados e roupas para os mais necessitados.
Descrito como uma pessoa bastante calma e paciente, Câncio foi regente da Orquestra Sinfônica do Recife, fundou e regeu a Orquestra do Rio Grande do Norte, atuou como professor da Universidade Federal de Pernambuco e foi um dos fundadores do Conselho Regional de Pernambuco da Ordem do Músicos do Brasil.
Comentários
Fico feliz em acompanhar a evolução do meu pai José Olimpio. Gostaria que outras pessoas também fossem beneficiadas com a paz, alegria, vida que a música dá.
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