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Celso Sim revela seu tremor essencial que é a vida em novo disco

Muitas parcerias - como as de Xico Sá, Arnaldo Antunes e Elza Soares - marcam o terceiro álbum do cantor e ator paulista

Publicado em 29/06/2014, às 02h02

 / Foto: Gal Oppido/Divulgação

Foto: Gal Oppido/Divulgação

Valentine Herold
vherold@gmail.com

Foi cedo, em plena adolescência, que Celso Sim se viu tomado pela força das artes cênicas. Pouco tempo depois, aos 15 anos, ele ganhou uma bolsa de estudos da atriz Myriam Muniz e seu dia a dia passou a ser divido entre o teatro e a literatura, muitos ensaios e muita leitura. A música – outra expressão artística universal – não poderia ficar de fora e assim sendo, quando Celso completou seus 19 anos, começou a trabalhar com o tropicalista Jorge Mautner. A parceria prosseguiu por uma década e foi sucedida por sua passagem no Teatro Oficina, do diretor Zé Celso Martinez. Atualmente, o cantor e compositor paulistano está focado na divulgação de seu recém-lançado disco, Tremor essencial.

Doze faixas e mais ainda parcerias compõem o estremecer musical e poético de Celso. Ou a vida de Celso. Talvez até tanto faz, pois para ele é tudo isso junto: viver é esse tremor essencial. O nome do disco veio antes mesmo da faixa-título que o abre, quando o músico visitou a Serra da Capivara (na região sudeste do Piauí), no ano passado. As pinturas rupestres que integram suas paredes há milhares de anos impactaram Celso e ilustram o encarte do disco. “Tremor essencial tem a ver com essa ponte entre a primeira manifestação humana da arte e a vida urbana. Viver em uma megalópole é um tipo de tremor, é uma conquista diária e muito parecida com a do homem pré-histórico. Na vida, não tem fair play”, diz.

Esse é o terceiro disco solo de Celso Sim e, mesmo com tanta bagagem e respaldo artístico, ele continua como músico independente. O álbum está sendo lançado pelo selo Sem Paredes (dele mesmo) e Circus, do produtor Guto Ruocco. Em relação às dificuldades de não estar vinculado a uma gravadora, Celso comenta apenas sobre a demora em conseguir alinhar a agenda de todos os músicos – o Coletivo de Criação Tupi, Guilherme Kastrup, Estevan Sinkovitz, Pepê Mata Machado, Rodrigo Campos e Ricardo Prado) e Guilherme Calvazara, nos trompetes em participação especial.

Você pode ouvir Tremor essencial na íntegra e baixá-lo gratuitamente clicando aqui.

HETEROGÊNEO

A sintonia de todos os sons e melodias são perceptíveis de maneira imediata. Riffs e versos contagiantes permeiam as doze heterogêneas músicas. Acalanto de mãe menininhas, Siderada e Antes do começo promovem um desaceleramento rítmico, em contraponto às outras canções. “Acabou sendo um disco de rock, o que me deixa muito feliz. Mas a intenção é de violência musical, meio que diferentemente do trabalho que experimentei nos últimos anos com Zé Miguel Wisnik. Ele tem um tipo de filtro artístico que leva a um lugar de música mais pura, mas me convida justamente porque sabe que tenho essa violência dentro de mim”, diz. 

Wisnik, inclusive, é com Mautner o compositor de um dos maiores destaques de Tremor essencial: a penúltima e funkeada A liberdade é bonita, cantada por Celso em dueto com a diva Elza Soares. Mas o maior contribuinte musical deste disco é Pepê Machado, que é coautor de oito músicas. Há ainda André Stolarski, Arnaldo Antunes, Luciano Cossina, Antônio Risério e o jornaista e compositor, poeta e bissexto Xico Sá. O cronista escreveu a erótica e irreproduzível por estas páginas Tupitech, após um pedido de Celso há dez anos. “Mas a vida fez com que eu guardasse-a até o ano passado.”

A necessidade de tantas parceria advém, para Celso, da própria vida. “Você não faz sozinho, viver é muito solitário, viver não é fácil. Fica mais gostoso com temos parceiros artísticos. Acho que isso tem a ver também com o fato de eu ser um homem de teatro”, analisa.

“A emissão de canto que tenho é também sexual. Trabalhar no palco e trabalhar com sedução e erotismo”, diz. Essa desabafo sexual estava presente na forma de show de Celso Sim antes de trabalhar com o Zé Celso Martinez, conhecido por suas apresentações libertárias. “Mas ele dilacerou minha voz. Lá, cantei em todos os tons possíveis, em falsetes, emitindo a voz sem microfone. Fisiologicamente acho que nasci para cantar”, confessa.

Leia a matéria na íntegra na edição deste domingo do Caderno C, no Jornal do Commercio




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