Jornal do Commercio
Manifestação

Ídolos da MPB cantam contra Temer em Copacabana

Milhares de pessoas participaram da manifestação que, além da saída de Temer, pediu a convocação de eleições diretas

Publicado em 28/05/2017, às 20h30

Show de ato contra Michel Temer foi encabeçado por Milton Nascimento e Caetano Veloso / Divulgação/Diretas Já
Show de ato contra Michel Temer foi encabeçado por Milton Nascimento e Caetano Veloso
Divulgação/Diretas Já
AFP

Encabeçado por Caetano Veloso e Milton Nascimento, um grande show reuniu neste domingo, na praia de Copacabana, milhares de pessoas que pediam a renúncia do presidente Michel Temer, encurralado por denúncias de corrupção e pela erosão de sua base aliada.

Os manifestantes também pediam a convocação de eleições diretas e a retirada dos projetos de austeridade no Congresso.

"Se empurramos, Temer cai", repetiam, em coro, os manifestantes.

Mas o presidente, de 76 anos, voltou a negar categoricamente que vá deixar o poder, em coluna publicada neste domingo no jornal Folha de S. Paulo.

"O Brasil não parou e nem vai parar, apesar da crise política que, reconheço, estamos padecendo", escreveu Temer, que espera ser lembrado como o homem que conseguiu com suas reformas pró-mercado tirar o gigante latino-americano da pior recessão de sua história.

Pouco mais de um ano depois de suceder a presidente Dilma Rousseff - destituída por maquiagem de contas públicas -, o cargo de Temer está por um fio por causa da gravação feita por um dos donos da gigante da proteína animal Joesley Batista, em que o presidente parece dar seu aval para comprar o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), preso em Curitiba.

"Podres poderes"

Os rappers Mano Brown e Criolo e a sambista Mart'nália estavam entre os artistas mobilizados pelas palavras de ordem "Fora Temer" e "Diretas já".

O show, celebrado em uma Copacabana com o mar encoberto pelo nevoeiro, atingiu o ápice quando Caetano Veloso chegou entoando os versos de "Podres Poderes".

"Será que nunca faremos senão confirmar/ a incompetência da América católica/ que sempre precisará de ridículos tiranos?", cantou Caetano, acompanhado pela multidão.

Milton fez o público delirar com "Nos bailes da vida".

Segundo a Constituição, se Temer for destituído ou renunciar, a Câmara dos Deputados deverá escolher seu sucessor em 30 dias para completar o mandato de Dilma até o fim de 2018. Muitos brasileiros se opõem a estas eleições indiretas, desconfiados de um Congresso com dezenas de legisladores investigados por corrupção.

Por isso, exigem "Diretas já", repetindo o apelo da campanha de 1984 pelo movimento democrático que reivindicava o fim da ditadura militar e a volta das eleições diretas para presidente.



"Temer e todos os golpistas tiraram uma presidenta eleita legitimamente sem motivo que o justificasse. Trinta anos depois é o mesmo processo. Queremos a retomada da democracia e eleições diretas já", disse à AFP Sirlei Oliveira, socióloga de 52 anos, que veio de São Paulo para assistir ao show.

Para Diego Kapaz, arquiteto de 33 anos, a simples substituição de Temer seria "um golpe dentro do golpe". Para ele, os grupos que apoiam Temer só estão interessados em apressar a votação das reformas que aumentam a idade da aposentadoria e flexibilizam as leis de trabalho.

"Temer fará aprovar as reformas e depois deixará alguém para administrar as coisas. Por isso uma eleição indireta não muda nada", afirmou.

Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e da Defesa de Dilma, estava entre os manifestantes, que se aproximaram dele para abraçá-lo e tirar fotos.

"Temer deixou de ser funcional" para quem o levou ao poder, disse Amorim à AFP.

Para o ex-chanceler, os brasileiros devem agora "eleger um presidente legítimo, capaz de conduzir reformas. Não essas que estão aí, que não merecem nem o nome de reformas, mas reformas para recuperar a soberania, fazer que o povo tenha acesso não só aos bens mas que tenha participação nas escolhas políticas".

A esquerda, na defensiva nos últimos anos por causa do colapso econômico e das acusações de corrupção contra muitos de seus líderes, inclusive Lula, parece ver nesta crise uma oportunidade para levantar a cabeça.

Na quarta-feira passada, mobilizou dezenas de milhares de pessoas em Brasília. Durante o protesto, grupos de jovens encapuzados atacaram vários ministérios. Os confrontos com a Polícia deixaram 49 feridos, um deles a bala.

Esperando o desenlace?

Acusado pela Procuradoria-geral da República de obstrução da Justiça, organização criminosa e corrupção passiva e com vários pedidos de impeachment, Temer tenta evitar uma deserção em massa de seu governo.

Seu destino pode ser decidido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julgará a partir de 6 de junho as irregularidades no financiamento de sua campanha de 2014 na chapa que compôs com Dilma Rousseff, na qual ele foi candidato à vice-presidência.


Palavras-chave

Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

O Mundo de Rafa O Mundo de Rafa
Rafael foi diagnosticado com síndrome de Asperger apenas aos 11 anos. Seus desenhos contam pedaços muito importantes da sua história. Exprimem momentos de alegria, de comemoração e também de desabafo, de dor
Gastos dos parlamentares pernambucanos Gastos dos parlamentares pernambucanos
Os deputados federais da bancada pernambucana gastaram, no 1º semestre deste ano, R$ 5,1 milhões em verbas de cotas parlamentares. Já os senadores gastaram R$ 692 mil. Os dados foram coletados com base no portal da transparência da Câmara e do Senado
Um metrô ainda renegado Um metrô ainda renegado
São 32 anos de operação e uma eterna luta por sobrevivência. Esse é o metrô do Recife

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM