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Luto

Enterro de Gira, ex-Nação Zumbi, acontecerá em Olinda

Antes de falecer, percussionista enfrentava problemas financeiros e de saúde mental

Publicado em 14/06/2017, às 20h48

Imagem de Gira publicada por Lúcio Maia no Instagram / Lucio Maia/Instagram/Reprodução
Imagem de Gira publicada por Lúcio Maia no Instagram
Lucio Maia/Instagram/Reprodução
JC Online

O impacto da Nação Zumbi na vida cultural de Pernambuco e do Brasil pode ser sentido até hoje. Apesar da imagem de Chico Science funcionar como uma espécie de metonímia da banda, o coletivo é resultado da soma de talentos múltiplos, intensos. Um dos pilares que ajudou a definir o DNA da Nação foi Gira, percussionista falecido na noite de terça-feira (13), no Hospital Miguel Arraes, em Paulista, de causas ainda não determinadas

Criado em Peixinhos, José Givanildo Viana dos Santos, mais conhecido como Gira, integrava o Lamento Negro, embrião da Nação Zumbi, onde começou a aprimorar o talento para a percussão. Fez parte desde o início do grupo seminal do manguebeat, sendo responsável por um dos três tambores da banda.

Gira gravou três discos com a Nação, na qual permaneceu até 2000, três anos após a morte de Chico Science, evento que o marcou profundamente, segundo pessoas próximas.

“Em uma época em que ninguém falava muito em depressão, já se desconfiava que Gira passava por questões psicológicas. Principalmente para os meninos de Peixinhos, a transformação de sair de uma comunidade para fazer shows ao redor do mundo foi um choque. Em 1996, morávamos juntos no Rio de Janeiro e lembro que ele passava muito tempo na cama, sozinho, e o quadro piorou após a morte de Chico”, lembra Paulo André Pires, que foi empresário da Nação.



A saída de Gira do grupo não foi tranquila e, em entrevista ao JC em 2014, época dos 20 anos do lançamento do disco Da Lama ao Caos, ele afirmou que foi lesado pela banda e não recebia devidamente seus direitos autorais.

“Quando ele saiu da banda, foi caindo no esquecimento, as pessoas pararam de procurar e isso piorou o quadro dele”, reforçou Gilmar Bolla 8.

Lutando contra problemas financeiros e relacionados à saúde mental, os últimos anos de vida de Gira foram conturbados, segundo amigos e vizinhos. O músico chegou a ser preso acusado de agressão contra a mãe, dona Ironilda, ficando recluso no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP-PE).

Apesar de postar mensagens de luto em seu perfil oficial, a Nação Zumbi declinou o pedido do Jornal do Commercio de comentar sobre a morte de Gira.

ENTERRO

O corpo de Gira será velado nesta quinta-feira (15), entre 10h e 11h, no Cemitério de Olinda, no bairro de Guadalupe.


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Comentários

Por JOSÉ AMÉRICO,15/06/2017

SEM DÚVIDAS GIRA SEMPRE SERÁ LEMBRADO PELA COMUNIDADE DE PEIXINHOS. ÍCONE QUE CHEGOU A VIAJAR PELO MUNDO INCLUSIVE AO LADO DE GILBERTO GIL EM SHOW MEMORÁVEL NO CENTRAL PARK EM NOVA YORQUE. FOI UM PRAZER CONHECE-LO PESSOALMENTE, LAMENTÁVEL O FIM DESSA HISTORIA.

Por Vítor Aragão,15/06/2017

Gira sempre será lembrado por tudo que fez em sua grandiosa obra junto a Chico e Nação. Amigos familiares e fãns, jamais esquecerão das coisas que fez para que hoje tudo virasse história...



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