Jornal do Commercio
São João 2017

Forrozeiros não dispensam o disco novo no período junino

Maioria de Lançamentos em 2017 tem Produção Modesta

Publicado em 16/06/2017, às 07h51

Paulinho do Acordeom, o nono disco / foto: divulgação
Paulinho do Acordeom, o nono disco
foto: divulgação
JOSÉ TELES

Numa época em que o forró pé de serra toca muito pouco no rádio, com raras lojas de discos físicos, para o São João 2017, só em Pernambuco, foram lançados pelo menos 20 CDs. A maioria, é certo, em econômicas embalagens tipo envelope. As exceções são Arrelique, de Ozi dos Palmares e São João Nordestino, uma coletânea que reúne uma constelação de estrelas da MPB e do forró. Os discos não são apenas cartão de visitas, boa parte é vendida nos shows, complementando a renda dos forrozeiros.

 Paulinho do Acordeom, forrozeiro recifense, morador de Carpina, Zona da Mata Norte de Pernambuco, está lançando o nono disco, Seleção de Sucesso, com 25 faixas, uma edição com três mil cópias. Para muitos é uma insensatez investir em disco físico, numa época em que o formato está a caminho da extinção. Há 15 dias, por exemplo, a Universal Music Brasil reeditou 15 títulos de Luiz Gonzaga, nunca saídos em CD. Mas estão disponíveis apenas nas plataformas digitais. Paulinho do Acordeom continua acreditando no CD: "Já vendi mil discos nos shows, repassando a amigos, acredito que vendo a tiragem toda", garante Paulinho, que é um bom exemplo da resistência do forrozeiro do interior.

 Ele aprendeu sanfona com o pai e participou de trio de forró. Seu novo disco foi lançado na Sala de Reboco, onde se abrigam os forrozeiros de pé de serra no festival sertanejo Forró da Capitá. Paulinho do Acordeom orgulha­se de fazer forró autêntico e possuir duas sanfonas de impecável procedência. Uma delas pertenceu a Dominguinhos, a outra é uma Todeschini, presente de Luiz Gonzaga para Lindú, do Trio Nordestino: "Quem me deu a sanfona foi a viúva de Lindú", revela o forrozeiro.

 Organizado por Ione Costa, com renda revertida para as crianças da creche da comunidade do Entra A pulso, em Boa Viagem, São João Nordestino tem produção luxuosa de Daniel Gonzaga (filho de Gonzaguinha) e de Terezinha do Acordeom. Abre com Noites Brasileiras (Luiz Gonzaga/Zé Dantas), com Flávio José, e fecha com Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), com Santanna, O Cantador. Entre um e outro, mais 18 faixas, com Alceu Valença, Fagner, Irah Caldeira, Almério e Alcymar Monteiro.

 O disco Marcia Pequeno Canta Petrúcio Amorim merecia embalagem compatível com a qualidade do conteúdo. É o quarto trabalho gravado da cantora, que interpreta 12 composições do caruaruense Petrúcio Amorim, com participações especiais de Flávio José, Assisão, Geraldinho Lins, Novinho da Paraíba, e do maestro Spok. Um dos principais nomes do forró, com pelo menos 100 discos lançados (uma parte com repertório carnavalesco).



Alcymar Monteiro chega no São João com A Voz do Povo. Inicialmente distribuído encartado no jornal O Correio da Bahia, ele esgotou a primeira tiragem de cem mil cópias.  O disco, com 15 faixas, é parte autoral, parte de regravações. Irmão de Alcymar Monteiro, parceiro dele em dezenas de músicas, João Paulo Jr. faz um apanhado de composições suas em João Paulo Jr.Canta Os Seus Sucessos. Um CD com 20 faixas, quase todas bastante conhecidas.

CARTÃO DE VISITAS

 Alguns discos são intencionalmente cartões de visitas sonoros. É assim O Cantador do Mundo, do veterano Israel Filho, de carreira longa e reconhecida, com o registro de sua apresentação no São João de Caruaru em 2016. Um repertório de 21 músicas, que vão de autorais a clássicos do forró de várias épocas, e até uma dupla de sertanejos autênticos, Tonico & Tinoco (Baile na Roça). Apesar de apresentação descuidada, o disco tem boa qualidade sonora.

 "CD Promocional" é o lembrete no CD Asas do Forró, no qual o consagrado compositor de frevo J. Michiles mostra seu lado de forrozeiro. Michiles termina o disco com músicas de Pinto do Acordeom e de João do Vale. Melodista e letrista engenhoso, o autor de Me Segura Senão Eu Caio, tem forrós que merecem regravações. Também na linha "cartão de visitas" é Tem Rei, de Pecinho Amorim, um EP com seis faixas, a maioria autoral (só ou com parceiros), bem gravadas, com ótimos músicos (disponíveis nas plataformas digitais), com design atraente, mesmo em embalagem envelope. É o quarto disco de Pecinho Amorim (que é filho de Petrúcio Amorim).

 Um pouco além do cartão, é o disco de Roberto Cruz, que segue o estilo xote romântico. São 19 faixas, entre composições, e repertório abrangente, indo do autoral a Accioly Neto, Dorgival Dantas, Sirano e Sirino, Antônio Barros, Cecéu e Jorge de Altinho. Gonzaguiando Nossos Passos, de Dudu do Acordeom, é reedição do disco de 2014. Também envelopado, mas bem gravado, com participações de Petrúcio Amorim, Liv Moraes e Frei Damião da Silva.

 DOS PALMARES

 Arrelique, de Ozi dos Palmares está mais para a cantoria, o estilo criado por Elomar que ganhou afluentes diversos Nordeste afora. Ozi assina o repertório de 20 faixas, com poucas parcerias (uma delas, Caçuá e Poesia, com o escritor Maurício Melo). As composições são refinadas, assim como os arranjos, um disco mais para se escutar do que forrozar. Tem participação especial do sanfoneiro Adelson Viana, mas é um disco em que predominam violão e violas.


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