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Patrocínio

Como a música tem virado perfume para a Natura

Responsável pelo marketing, a executiva Fernanda Paiva anuncia novidades no edital da empresa de cosméticos que vem ocupando espaço importante no patrocínio musical do Brasil

Publicado em 16/07/2017, às 07h00

Fernanda Paiva: música como atividade secundária, e fundamental, na atuação da Natura / Divulgação
Fernanda Paiva: música como atividade secundária, e fundamental, na atuação da Natura
Divulgação
Bruno Albertim

No último final de semana, o pernambucano Almério praticamente lotou, por duas noites, a plateia do Sesc Santana, na capital paulistana. “Foi, talvez, o melhor show da minha vida. Muita gente ouvia pela primeira vez minha música, e a resposta foi incrivelmente calorosa”, diz o cantor. Encampado de forma independente pelo amigo e produtor profissional Tadeu Gondim, o show, contudo, só foi possível por um incentivo anterior. Desempena, o elogiado disco com o qual Almério vem se confirmando como um dos nomes festejados na nova música popular brasileira, foi viabilizado pelo edital de uma empresa brasileira de cosméticos. Para a Natura, música tem sido perfume. Almério é apenas um entre os mais de cinquenta músicos hoje sob o patrocínio da marca.

Com a desidratação acentuada da antiga indústria musical ancorada nas gravadoras multinacionais, e a desnutrição progressiva de programas governamentais oficiais, iniciativas privadas como a da empresa têm feito diferença. Desde que foi criado, há 15 anos, o programa Natura Musical já destinou cerca de R$ 123 milhões para projetos musicais – 59% com recursos próprios e 41% de verbas incentivadas por leis como federal Rouanet ou outras estaduais. No ano passado, foram R$ 14 milhões investidos. Aberto há uma semana e disponível para inscrições de projetos até o próximo dia 21 de julho, o edital deste ano deve manter o mesmo patamar de investimentos. O Natura Musical vai distribuir o total de R$ 5,6 milhões em parceria com as leis Rouanet e leis Estaduais de Incentivo à Cultura, nos estados do Pará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Serão selecionados projetos nas categorias Lançamento de Novos Trabalhos – via edital, e Festivais (http://www.natura.com.br/naturamusical/edital).

Pernambuco é o Estado que mais artistas teve patrocinado desde o surgimento do Natura Musical, lembra a gerente de marketing institucional, Fernanda Paiva. Até hoje, 12 pernambucanos foram patrocinados. O time tem nomes como Otto, DJ Dolores, Zé Manoel, Siba e Nação Zumbi. “Percebemos uma nova geração pós mangue beat muito criativa. Nomes como, além de Almério e Hooker, Sophia Freire, Vítor Araújo, por exemplo. Nossas atenções estão sempre voltadas para o Estado”.

Se a Natura já teve um presidente interessado em ser vice-presidente do Brasil na chapa comandada pela hoje desgastada Marina Silva, música, hoje, parece ser o melhor mecanismo de política da empresa na sociedade em que atua. O programa na área vem se aprimorando – inclusive com a criação de uma casa musical que leva o nome da empresa. “A Natura foi visionária em ter um papel para além de sua atividade econômica, comprometida em gerar impacto positivo para a sociedade”, diz Fernanda Paiva, profissional com experiência na produção de cinema e teatro que, há mais dez anos, comanda o programa.



Visivelmente envolvida com o objeto de seu trabalho, Fernanda é capaz de comentar detalhes do disco de cada artista patrocinado. “Almério, por exemplo, é um grande talento”, diz ela, informando que, até o final do ano, deve sair também, o novo disco do também pernambucano Johnny Hooker.

Um das revelações da música brasileira nos útilmos dois anos, o cantor, aliás, não foi escolhido à toa. Além de investir em programas de documentação e digitalização de cenas ou da obra de ícones como Dorival Caymmi, Gilberto Gil e Chiquinha Gonzaga, a empresa que fez o lançamento, lá atrás, de seu programa musical patrocinando um disco e a turnê de mais de 90 shows da estrela Marisa Monte, não quer patrocinar “apenas” música ou viabilizar discos. Mas incentivar o discurso social a eles agregado. “Estamos atrás de novos artistas, de um público que está aberto a virar fã a partir de uma geração de conteúdo, o que o artista quer dizer com sua música em diálogo com o público para além da música como estética musical. As pessoas querem identificar ambientes de conversa sobre esses temas, e a música poderia criar também esses ambientes”, diz Fernanda. Johnny Hooker, hoje, no panorama da música brasileira, é um dos principais símbolos afirmativos da diversidade sexual e de gênero. Embora não possa quantificar em cifras, a empresa sabe que o ganho, em termos de marketing da marca, é alto.

FIM DO VOTO POPULAR

Se não neste, o próximo edital já não deve mais ter o mecanismo do voto popular. “Estamos revisando esse processo, a gente vai passar o processo inteiro por uma rede de curadores. Antes, tínhamos cinco ou seis que tinham que avaliar dois mil projetos. Agora, teremos entre 15 e 20 curadores externos que tenham uma abrangência nacional, olhares amplos e externos” diz Fernanda. A ideia é acabar com o truque do “quem tem mais primos ganha o edital”. Alguns artistas costumavam mobilizar verdadeiros cabos eleitorais para garantir votação maciça na internet e o consequente patrocínio.


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