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BOM APRENDIZ

Arlindinho leva adiante o legado do pai: 'Mais que inspiração'

Jovem músico lança o álbum '2 Arlindos', uma roda de samba com o pai, Arlindo Cruz

Publicado em 12/08/2017, às 14h13

Pai e filho unidos: Arlindo Cruz e Arlindinho / Foto: Arthur Pereira/ Divulgação
Pai e filho unidos: Arlindo Cruz e Arlindinho
Foto: Arthur Pereira/ Divulgação
JC Online

Ele cresceu entre desfiles de escolas de samba e rodas de pagode com alguns dos maiores músicos do gênero. Agora é a hora de escrever sua prória história. Filho de Arlindo Cruz, Arlindinho vai fundamentando sua carreira no mundo do samba com a calma e humildade de um bom malandro.

Hoje, às 21h, ele faz show na Casa do Samba (Av. Beberibe, 1413, Arruda, fone: 3223-4685). Desde pequeno, Arlindinho está no samba. Aos 13 anos, compôs seu primeiro samba-enredo – e foi campeão pela Estrelinha da Mocidade. Também participou dos dois DVDs do pai – MTV ao Vivo (2009) e Pagode do Arlindo (2003). Mas os shows maiores e mais profissionais estão em sua agenda há cerca de três anos.

Ser filho de um dos fundadores do Fundo de Quintal, maior grupo de samba da história, garantiu uma projeção, mas existe também a cobrança e a comparação inevitável. “O que pesa contra é que tem um pessoal que quer comparar. E comparar qualquer artista novo ao Arlindo Cruz é muito cruel. Você não pode comparar o Pelé ao Neymar. Na música é a mesma coisa. Eu não sou o Arlindo Cruz, esse monstro consagrado. Sou o Arlindinho, errando, aprendendendo, acertando, com as minhas convicções”, esclarece o músico, com 25 anos.

Curiosamente, Arlindão ficou com um pé atrás em relação à carreira do filho. “Fui eu que comecei a buscar (a música). Ele tinha um receio, ficava aconselhando porque tem todo o lado bom, lindo e mágico de dar continuidade a uma carreira. Mas tem um lado complicado”, conta Arlindinho – mas sem explicar bem este lado complicado.

 

A dúvida do pai logo foi substituída por apoio e incentivo. A dupla acaba de lançar o álbum 2 Arlindos (Universal Music), que inclui parcerias entre os dois (Bom Aprendiz e Pra Que Insistir), alguns clássicos como Quintal do Céu (de Jorge Aragão e Wilson Moreira, sucesso na voz de Zeca Pagodinho) e Pais e Filhos (de Arnaud Rodrigues e Renato Piau, gravada por Tim Maia), com versos improvisados de partido alto e aquela batucada no estilo que o Fundo de Quintal e a turma do Cacique de Ramos desenvolveram a partir de instrumentos construídos por eles mesmos.



Este domingo será o primeiro Dia dos Pais de Arlindo Cruz desde que está internado por conta de um AVC, sofrido em março. Apesar dos boatos que circulam na Internet, Arlindinho conta que seu pai demonstra avanços. “É um processo muito lento, mas ele está evoluindo. Voltou à consciência e está começando a tirar o tubo da traqueostomia. Ele está mexendo os dois lados, entende algumas que a gente fala. Apertac, pisca, tenta movimentar. Todos os dias tem uma evolução lenta e a gente comemora”.

BENÇÃO E HOMENAGEM AO PAI

Ainda que longe do pai, Arlindinho não vai deixar de homenageá-lo. Afinal, Meu Caminho, uma de suas principais músicas é uma declaração direta a Arlindão – e a história por trás dela é uma memória especial para o sambista.

“Eu cresci vendo o Zeca (Pagodinho), o (Jorge) Aragão, todos aqui em casa com ele. Eu cresci vendo meus ídolos bem pertinho de mim. E tem uma história muito marcante desse samba. Meu pai tava fazendo com o Marcelinho Moreira e com o Zeca fazendo samba e eu tava fazendo outro samba no mesmo momento, um pra ele. E geralmente quando ele faz uma música ele canta pra mim. Aí no meio eu queria cantar o samba que tinha acabado de de fazer para ele. Foi minha maneira de retribuir tudo o que ele fez por mim, desde me levar para o futebol até apoiar na música. Isso não tem um valor financeiro, acho que fazendo música era a forma mais bacana de compensar todo o tempo investido”, conta.

O versos são simples e diretos, mas (ou exatamete por isso) bonitos: “Hoje você é pra mim, muito mais que inspiração/ É meu parceiro pra tudo, nunca me deixou na mão/ E meu maior orgulho, não me canso de dizer/ Pai, sou teu fã, amo você”. “Todo mundo chorou, pediu para cantar de novo. As pessoas pedem essa música nos shows, mas indenpendente do tamanho é uma música que cumpriu seu papel”.


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