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BAHIA

A hora da Travessia para o Canto dos Malditos na Terra do Nunca

Em entrevista ao JC, a vocalista Andrea Martins fala sobre a pausa de dez anos, a decisão de voltar aos palcos e o processo de adaptação da banda às novas formas de se consumir música

Publicado em 13/01/2018, às 06h00

"A MTV, naquela época, foi nosso gancho para a porta do quase mainstream", recorda Andrea
Foto: Rana Tosto/Divulgação
NATHÁLIA PEREIRA

“A gente fala que o Canto teve início e fim muito precoces, eu tinha uns 18 anos e havia composto aquelas músicas aos 15. A gravadora chegou muito rápido, era uma responsabilidade grande, só tínhamos um ano fazendo shows undergrounds, aqui em Salvador. Paramos num momento de descobrir como a gente lidaria com aquilo e de buscar dialogar com outras sonoridades”.

Aos 31 anos, a vocalista Andrea Martins analisa assim a decisão tomada, há uma década, de encerrar as atividades da Canto dos Malditos na Terra do Nunca. Passado o tempo dito necessário, Andrea, Helinho Sampaio (guitarra), Danilo Castor (guitarra), Tomaz Loureiro (baixo) e Leonardo Bittencourt (bateria) vêm hoje ao Estelita com o show de lançamento de Travessia, o segundo álbum dos baianos.

Andrea conta que, após o fim, sentiu necessidade se entender como artista, por isso deixou Salvador e foi morar em São Paulo, onde fez shows solos que, de certa forma, foram continuação da história com a banda. Os fãs pediam constantemente a reunião do grupo, que teve o primeiro ensaio de volta decidido por acaso. “Num aniversário meu, lá por 2011, 2012, a gente ‘tomou umas’ e decidiu que era hora de tocar de novo. Fizemos um show, depois mais outro e, de um em um, acabamos fazendo uma turnê no interior da Bahia. Todos muito nostálgicos porque nunca havíamos chegado em muitos desses lugares”, relembra Andrea.

A volta conjunta e emocional aos palcos motivou a vontade de gravar algo que falasse quem são agora, alcançando um público amadurecido da banda. Foi aí que Andrea tirou composições da gaveta, algumas delas gravadas no projeto solo – Não Há, Tanto Mar e A Paz Onde Ela Está. Com mais outras sete inéditas, elas compõem o repertório de Travessia, condutor do line-up de logo mais, sem excluir hits como Olha a Minha Cara.

Além das letras melancólicas, a banda chamou atenção pela voz grave de Andrea e as guitarras influenciadas pelo pós-grunge. Com pegada mais amena, Travessia é resultado de outras incursões. “Não era uma necessidade ficarmos presos a um som. Aquelas primeiras músicas eram coisa de adolescente. Quando comecei a compor de novo, eu estava ouvindo muito Gal, Alceu, umas psicodelias, Jorge Mautner, Pedra Branca (SP), o Ney (Matogrosso). O rock continua sendo influência, só que agora se juntou a outras coisas”, explica a vocalista.



“A gente tem visto nos shows tanto a galera que cresceu conosco e continua gostando, quanto gente que só está ouvindo falar da banda agora e tem curtido muito”, continua ela. “A MTV, naquela época, foi nosso gancho para a porta do quase mainstream, uma portinha que ia até a casa das pessoas. Sinto falta do canal porque ele potencializava a conversa sobre música, a interação com os artistas. A internet é maravilhosa, mas o tanto de opção pode dispersar as pessoas. Hoje, a gente está numa fase de transição, entendendo como levar a carreira. O CD, por exemplo, não é mais tão importante mas, ao mesmo tempo, consolida o trabalho”, opina ela.

A bolacha foi considerada tão essencial que ganhou encarte onde as letras têm a reprodução da caligrafia de Andrea e estará à venda em todos os shows da turnê.

TRILHA SONORA

À época dos preparativos de Travessia, Andrea recebeu convite da atriz Alice Carvalho para que Descansar, integrante do homônimo disco de estreia, fosse trilha de abertura da websérie potiguar Septo. A parceria rendeu novos fãs à banda e deve continuar durante a segunda temporada da produção, com estreia ainda este ano. “Natal é uma cidade que ferve, a gente amou estar num projeto tão bom, junto a bandas que admiramos”, conta.

Ao Recife, ela também é só elogios. “Cada troca aqui é diferente, a gente nem se importa de repetir as músicas antigas. Isso também porque fiz aquilo com a maturidade que eu tinha, sob determinado contexto, e nossa vontade é crescer ao lado do nosso público”, encerra Andrea.


Serviços

Canto dos Malditos na Terra do Nunca – Show de lançamento de 'Travessia' – Hoje, 22h, no Estelita (Av. Saturnino de Brito, 385, Cabanga). Abertura da Diablo Angel. Ingressos: R$ 30, (1º lote), à venda em sympla.com.br). Fone: 3127-4143.

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