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Música pernambucana

Em novo clipe, Flaira Ferro aborda sexualidade e masturbação femininas

"Coisa mais bonita" será lançado nesta terça (13), às 19h, e traz oito mulheres que "se tocam", para refletir sobre o tabu do tema

Publicado em 13/03/2018, às 08h16

O objetivo é fazer uma provocação que leve à reflexão, explica Flaira / Foto: Divulgação
O objetivo é fazer uma provocação que leve à reflexão, explica Flaira
Foto: Divulgação
Duda Lapenda

O filósofo Michel Foucault dizia, em outras palavras, que os mais delicados campos do discurso na sociedade eram o da política e da sexualidade. Mas os dois são mais próximos do que imaginamos. O clipe de Coisa mais bonita, música da pernambucana Flaira Ferro, que será lançado nesta terça (13), às 19h, na internet, une esses dois campos, ao trazer a reflexão sobre a sexualidade e o gozo femininos.

Gravado em uma casa na Zona Norte do Recife, o vídeo, dirigido pela documentarista Déa Ferraz, conta com um elenco de oito mulheres que, unidas, contribuem para o objetivo da cantora: “Fazer as mulheres refletirem sobre a importância de sentir prazer”, explica Flaira.

Composta por Flaira, a música ainda conta com o coro de Gabi da Pele Preta e Ylana Queiroga, tendo sido escrita no primeiro semestre de 2017. A produção musical, bateria e arranjo são de Pupillo. Tocam ainda na música Carlos Trilha (piano), Bruno Di Lullo (baixo), Guri Assis e Pedro Baby (Guitarra).

O processo foi de pesquisa e escuta, explica Flaira, que, ao conversar com diversas mulheres, constatou um ponto em comum: “Independente de qual lugar e posição social em que a mulher se encontre, existe uma dificuldade que é comum a todas nós que é a gente ser estimulada a tocar o nosso próprio corpo sem sentir medo ou culpa”, explica a artista. O objetivo, complementa Flaira, é fazer uma provocação que leve à reflexão, ressaltando que não quer “banalizar a sexualidade da mulher, nem vulgarizar”.



GRAVAÇÃO

Por ser um assunto delicado, para a gravação do clipe, uma preparação com a terapeuta Lívia Falcão e a dançarina Silvinha Góes foi necessária. No dia anterior, também houve um encontro para conectar as participantes: “Nesse encontro, Lívia propôs exercícios de integração entre a equipe, meditação, danças e atividades de observação e escuta do outro. Fizemos alguns exercícios de corpo e também uma roda de diálogos sobre autoconhecimento e a importância de fazer esse projeto”, explica Flaira.

Após isso, todas as mulheres puderam se sentir íntimas umas das outras para o ato da masturbação, que não foi simulado. Cada uma ganhou um espaço da casa, onde ficava sozinha com a câmera para praticar o ato. “Não faria sentido, dentro do que estamos propondo, fingir o prazer. Queríamos, eu e Déa, ter um resultado coerente entre teoria e prática”, afirma. A diretora Déa Ferraz ainda acrescenta: “Esse clipe é resultado desse encontro entre irmãs que se reconhecem como iguais, mesmo na diferença, num mundo que insiste em nos formatar, quando, na verdade, a liberdade é que deveria ser o caminho e a realidade de todas nós. Todo gozo é livre e verdadeiro no clipe, como deve ser na vida”.

Além disso, todas as protagonistas do clipe não são atrizes e buscam refletir a diversidade da mulher brasileira: há negra, trans, indígena e, inclusive, uma mulher mais velha. “Estávamos ali munidas de significado, de sentido, foi muito bonito”, comemora a artista. Participaram do clipe, além de Flaira, Perlla Ranniely, Gabi da Pele Preta, Luiza Cavalcanti, Aline Feitosa, Iris Campos, Lu Mattos e Marlova Dornelles. 

O videoclipe teve seu pré-lançamento na marcha das mulheres do dia 8 de março, na praça do Derby. Ali, já se podia sentir a repercussão do trabalho: “Foi uma repercussão muito positiva. Várias mulheres agradecendo ao clipe, por eu estar trazendo o assunto com bom humor, com leveza”, afirma Flaira. A música e o clipe estarão disponíveis no Youtube. 


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