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Comportamento

Evento reúne geeks, trekkers e otakus (hein?)

Nerds que têm fixação pela cultura pop japonesa, os otakus estiveram juntos no último fim de semana, numa convenção que se destacou pela criatividade

Publicado em 25/05/2011, às 06h00

Fantasiados de personagens de quadrinhos e séries, os cosplayers foram a sensação do Anime Brasil Clube / Bobby Fabisak/JC Imagem

Fantasiados de personagens de quadrinhos e séries, os cosplayers foram a sensação do Anime Brasil Clube

Bobby Fabisak/JC Imagem

Renato Mota

Afinal, os otakus são, ou não, nerds? Há quem diga que sim, que a única diferença é o gosto por cultura pop japonesa. Existem ainda os que os classificam como um subgênero dos nerds, ao lado dos geeks, trekkers e outros. Outros ainda negam completamente qualquer associação com a nerdalhada: são uma tribo distinta.

A rigor, “otaku” é o termo japonês utilizado para designar uma pessoa viciada, obsessiva. No começo, era vinculado aos fãs de desenhos e quadrinhos japoneses de forma pejorativa, mas depois que ganhou o mundo, mudou também a conotação. O estudante Jonathan Silva, que não se considera nerd, mas sim um legítimo otaku, acha o termo até elogiativo. “Meu único vício é em me divertir”, sentencia.

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    Para o mundo exterior, os fãs de cultura japonesa são pessoas estranhas, mais conhecidas por se reunirem em eventos para assistir desenhos e se fantasiar, numa espécie de micareta nerd, que são as convenções. Para o produtor de eventos Beto Kelmer, que organizou o Anime Brasil Clube, ocorrido no último fim de semana, os otakus são um excelente público com quem se trabalhar. “O ambiente aqui é muito agradável. Você vê o pessoal que curte os animes e mangás, mas também outros grupos como os emos e gays. Os otakus aceitam muito bem todos os tipos de pessoas e é legal ver gente jovem tão aberta”, conta.

    Mesmo num ambiente multicultural como são as convenções, que reúnem não só cultura japonesa, mas também games, quadrinhos americanos, música, RPG e ficção científica, quem chama atenção mesmo são os cosplayers, o pessoal que curte ir vestido como seus personagens favoritos. André Paulo aproveitou o domingo passado para estrear sua roupa de Kamen Raider, um personagem de um seriado japonês. Apesar da roupa, André se considera um nerd eclético, já que também adora Star Wars, Senhor dos Anéis e outros ícones da cultura pop. “Valorizo muito quem gosta desse tipo de material. É a partir destes livros de fantasia e quadrinhos que alguém pode chegar à cultura tradicional”, acredita. Formado em Letras, o Kamen Raider brasileiro conta que seu interesse por literatura nasceu justamente através dos quadrinhos e da literatura estrangeira. ”Leiam bastante e façam cosplay, que é muito divertido”, conclui André.


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    Entre os corredores do Brasil Anime Clube, e de qualquer evento do gênero, o que mais acontece é algum cosplayer ser parado para uma foto ou um elogio à sua fantasia. Um dos mais assediados foi Rafael Barbosa, que estava vestido de Pinguin. A escolha da roupa foi fácil, “eu curto muito cinema e o físico ajudou um pouco. Até o ano passado eu sempre vinha de Lula”, brinca.  Pollyanna Queiroz, que foi vestida de Alita Battle Angel, também não dava dois passos sem tirar uma foto. “Nem me considero nerd, sou novata nisso. Mas gosto de conhecer o pessoal e fazer as fotos”, diz.

    Para as estudantes Raíssa Alexandra e Gabriela Vidal, o otaku é uma subcategoria do nerd clássico. “Só não pode confundir o nerd com o CDF. O nerd é o curioso, a pessoa que gosta de um assunto e se aprofunda. No nosso caso são mangás e animes”, explica Gabriela. Já Raíssa curte bastante os eventos, seja vestida como um personagem ou não. “Essa roupa que vim hoje é emprestada de Gabriela. O que vale é interpretar o personagem e conhecer o pessoal”, conclui.

    Viver um dia na pele do seu herói (ou vilão) favorito também atrai a cantora Karina Rodrigues. Ela aproveitou que os homenageados do evento do fim de semana eram os Cavaleiros do Zodíaco para vir vestida de Shina, uma das vilãs do anime que fez um sucesso tremendo no Brasil. “Sempre venho com um cosplay diferente, e reaproveitei esta roupa, que tinha feito para outro evento. É muito divertido interagir assim com as pessoas, e todos são bem legais”, afirma a cantora. Sobre ser otaku ou nerd, Karina acredita que os rótulos só limitam as pessoas. “Se ser nerd é ser feliz, sou com todo orgulho”.

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