Pernambuco forrozando para o mundo. Viva Dominguinhos!, é o lançamento de peso do novo selo Passa Disco, que segue o caminho do bem-sucedido Pernambuco frevando para o mundo. Caixinha com três CDs, o projeto dá uma geral no forró contemporâneo, reunindo praticamente todos os principais praticante do gênero na atualidade. A ênfase no forró de hoje não é mais um episódio de falta de memória, como explica Fábio Cabral, criador do selo. "“Se eu fosse incluir fonogramas antigos, sairia muito caro. Custam entre R$ 500 a R$ 1.000. Para uma coletânea que vai vender mil, dois mil discos, fica inviável"”, explica Fábio, que mandou fazer duas mil caixas do Pernambuco forrozando para o mundo (incluindo aí a cota dos artistas que cederam músicas para o projeto).
As 48 faixas dos três discos foram cedidas por seus autores, todas gravações independentes. Porém nem tudo aqui é música recente. A faixa inicial Fulô ingrata é uma raridade de Zé Dantas. A primeira composição dedicada a sua mulher Yolanda, antes de se casarem. A música, feita em 1949, permaneceu inédita até 2008, quando foi gravada por Dominguinhos, no CD Noites brasileiras, do violonista Cláudio Almeida, dedicado ao compositor de Xote das meninas.
Dominguinhos pontua o repertório da caixinha, sozinho ou em 14 duetos, com nomes que vão de Azulão, a Adelson Viana, Joquinha Gonzaga, Waldonys, Maciel Melo ou Quinteto Dona Zaíra. Portanto a homenagem ao mestre Dominguinhos, não se restringe ao seu nome na capa da caixa. Ele é também homenageado em forrós cantados por Azulão (Arte verdadeira), Beto Hortiz (Domingo a domingo), Cezzinha (E aí, seu Domingos?), Chambinho (Domingos), Flávia Bittencourt (Seu Domingos), ou Luizinho Calixto (Um abraço pra Dominguinhos). E músicos da cena pop pernambucana, como Eddie (A poeira e a estrada).
Qualquer dúvida de que o forró ainda é viável como música dançante e ao mesmo tempo de qualidade pode ser tirada em qualquer destes três álbuns, onde há pouco do xote romântico que é feito por boa parte de forrozeiros, e que quase não se diferenciam dos sertanejos. Outro exemplo é o pot-pourri que Cristina Amaral faz de Confidências/ Devagar/ Meu-amor, de Petrúcio Amorim.
E forró aqui não está restrito ao formato tradicional, de sanfona, zabumba, triângulo. Há desde o arrasta-pé Um abraço para Dominguinhos, instrumental, num oito baixos de Luizinho Calixto, ao Baião experimental, um empolgante enfrentamento da guitarra de Luciano Magno com a sanfona de Dominguinhos, ou ao som “quebra resguardo”, de João do Pife & Banda Dois Irmãos, em Café sem açúcar.
Pernambuco forrozando para o mundo será lançado, no sábado 9 de junho na Passa Disco, no Shopping Sítio da Trindade, em Casa Amarela.
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