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Roteirista de "Lost" e "Star Trek" explora o drama com "People Like Us"

Escrito e produzido por Orci, o filme independente estrelado por Michelle Pfeiffer, Elizabeth Banks e Chris Pine estreia na sexta-feira (29) nos Estados Unidos e chega aos cinemas brasileiros no dia 3 de agosto.

Publicado em 28/06/2012, às 11h40

AFP

LOS ANGELES - O mexicano Roberto Orci, conhecido por trabalhos televisivos como "Alias", "Lost" e "Fringe", ainda se sente surpreso com o sucesso alcançado em Hollywood como roteirista de ação de "Transformers" e "Star Trek", mas agora quer aproveitar esse momento em sua carreira para se aventurar com o drama familiar "People Like Us".

Escrito e produzido por Orci, o filme independente estrelado por Michelle Pfeiffer, Elizabeth Banks e Chris Pine estreia na sexta-feira (29) nos Estados Unidos e chega aos cinemas brasileiros no dia 3 de agosto.

"People Like Us" conta a história de um executivo (Pine), que descobre, após a morte de seu pai, a existência de uma irmã da mesma idade (Banks) e de um sobrinho espirituoso.

"Toda família tem um segredo ou alguma dor, mas isso não significa que não se possa chegar à absolvição", comentou Orci, que co-escreveu o roteiro com seu parceiro de sucessos, Alex Kurtzman, ambos com 38 anos.

"Adoramos a idéia de uma família partida que finalmente acaba junta outra vez", declarou ainda o mexicano à AFP por ocasião do lançamento do filme em Los Angeles.

Com apropriados picos de comédia que aliviam o clima intenso do drama familiar, a história se opõe a tudo o que Orci e Kurtzman já fizeram até este momento para se lançar no difícil mercado de Hollywood.

Amigos desde os tempos da escola de cinema Crossroads, em Los Angeles, os dois começaram a carreira em 1997 ao realizarem o roteiro para a série de televisão "Hércules". Desde então, dedicaram-se à ação e à ficção científica.

Assinaram, entre outros blockbusters, "A Lenda do Zorro", com Antonio Banderas (2005), "Missão Impossível III", com Tom Cruise (2006), os dois primeiros filmes de "Transformers" e o remake da cultuada série "Star Trek".

Antes, na TV, sempre sob a batuta de J.J.Abrams, foram responsáveis pelos enredos geniais e mirabolantes de seriados como "Alias, Codinome Perigo", "Lost" e atualmente "Fringe".

"People Like Us" é o primeiro drama que os dois escrevem ou, pelo menos, o primeiro a ser exibido nas telas de cinema, observa Orci, e é também o primeiro filme dirigido por Kurtzman.

"É uma mudança, mas é assim que começamos", disse o cineasta mexicano. "Os primeiros três, quatro roteiros que escrevemos eram assim, sobre as nossas famílias, nossas vidas e nossas namoradas (...) Então, por sorte ou sei lá o quê, nós nos sentamos para fazer grandes filmes de ficção científica", ressaltou.

Mas não foi fácil modificar o já aceito e heróico estilo e mudar para um projeto dramático sobre a família.

"Quando você está fazendo um drama, você não pode se esconder atrás do espaço, atrás de um robô ou atrás de uma grande luta. Tudo tem que ser um pouco mais real, porque não há nada mais", afirmou Orci, para quem lidar com os sentimentos é infinitamente mais arriscado.

Escrever linhas verossímeis "é algo que realmente requer um longo tempo (...) porque a única coisa na tela é o que está acontecendo com as pessoas".

Apesar disso, até um roteiro de ação que depende de efeitos especiais, sempre precisa de um drama subjacente.

"Um truque que ninguém sabe, é que você tem que dizer do que se trata o filme sem a ação", explicou. "Por exemplo, 'Missão Impossível III' apelidamos de 'casamento impossível'. Porque o tema era o que acontece quando você se casa e o que pode acontecer com os segredos que vêm à tona. É disso do que se trata o filme, não o resto", acrescentou.

De pai mexicano e mãe cubana, Roberto nasceu na Cidade do México e emigrou com sua família quando tinha 10 anos, primeiro para o Canadá, depois para o Texas (sudoeste dos Estados Unidos) e finalmente para Los Angeles, onde chegou aos 17 anos.

Por isso, sente que é um exemplo vivo do sonho americano: "Que sorte", é o que consegue dizer.

"Inacreditável. Todos os dias eu chego ao estúdio e me surpreendo porque me deixam entrar", conta, rindo. "Sempre me deixam entrar, mas sempre me surpreendo. É um sonho".

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