Há 25 anos, Maciel Melo tinha prontos os fonogramas do seu álbum de estreia, Desafio das léguas, mas faltava a capa. Esquentou bancos de repartições públicas e de empresas privadas em busca de patrocínio. Um tempo que vai longe.Esta semana chegou às lojas, o seu novo CD, Minha metade, distribuído pela poderosa Universal Music, em parceria com a Zeca Pagodiscos, selo criado pelo sambista Zeca Pagodinho. Um exemplo raro, hoje, de um cantor nordestino, devoto praticante do forró pé-de-serra, em uma gravadora do Sudeste, com distribuição nacional.
Um destes casos para o qual o acaso contribuiu. O produtor cearense Zé Milton (que no anos 60, foi cantor da TV Jornal do Commercio), que trabalhou com alguns dos grandes artistas da MPB, incluindo Luiz Gonzaga, conheceu Maciel no Recife. Estava aqui para trabalhar no DVD de Josildo Sá e Paulo Moura: “A gente se conheceu numa reunião na casa do violonista Racine. Dei carona a Zé Milton e toquei o disco que tinha acabado de gravar. Ele se interessou e lhe dei uma cópia”, conta Maciel Melo.
No Rio, Zé Milton mostrou ao amigo Zeca Pagodinho, e descobriu no sambista carioca um admirador do forrozeiro pernambucano, de quem havia recebido um DVD (de um show no Teatro Guararapes): “Ele mostrou interesse em fazer um disco meu pelo selo dele, eu topei’, continua Maciel Melo, que uniu o útil ao agradável. Tinha um produto bem-acabado nas mãos, porém ainda sem saber como fazer para que ele tivesse alcance mais longo.
Zé Milton se valeu do seu amplo conhecimento no meio, e foi arrebanhando convidados: “Trabalhei neste disco durante dois anos. Foi uma coincidência feliz encontrar Zé Milton porque minha intenção era a de que ele pudesse ser trabalhado fora daqui. Antes de começar, Junior, o guitarrista sugeriu que a gente saísse desta coisa do pé-de-serra padrão, do mesmo jeito que todo mundo estava fazendo”. Ele acatou a sugestão.
Sanfoneiros foram quatro (Beto Hortiz, Cezzinha, Genaro e Adelson Viana), “especialistas”, vários, nomes de parte deles: maestros Spok, e Duda, o trompetista Fábio Costa, o guitarrista João Neto. Parceiros nas canções, mais do que em qualquer outro disco dele:Zeh Rocha, Janaina Pereira, Xico Bizerra, Anchieta Dali, Marcelo Melo, entre outros. Parceiros vocais: Zeca Pagodinho, Zé Ramalho, Fagner, Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Dominguinhos. Parcerias especiais, com Marcelo Melo e o Quinteto Violado: “Queria que cantasse uma música minha (Da cidade ao sertão, com Jose e Adelson Viana), mas ele preferia fazer com o Quinteto violado. Acabou que cantei uma com ele, e outra com o Quinteto (Mata branca, de Marcelo Melo). Renato Phaelante (radialista, ator, compositor), empresta sua voz de barítono para declamar versos de Maciel Melo em Assum preto, com participação de Alceu Valença. Esta é um dos dois clássicos de Luiz Gonzaga no disco. O outro é Qui nem jiló, cantado com Zeca Pagodinho: “Achei que ia ter tanto disco em homenagem a Gonzagão que decidi só gravar estas”, explica Maciel Melo, que prestou mais uma homenagem: ao conterrâneo Geraldo Azevedo. Cantam juntos a também clássica Dona da minha cabeça (de Geraldo Azevedo e Fausto Nilo). Olhando a capa do CD, uma foto sua, creditada a Paulo Carvalho, no Uruguai (onde se apresentou em novembro passado), comenta o cantor: “Foram quase dois na feitura do álbum.Quis me dar um presente de 50 anos e idade, que considero metade da minha vida. Foi o melhor disco que já fiz”,sentencia.
Comentários
Sinto-me muito honrado em fazer parte de mais uma obra do amigo/parceiro Maciel Melo, feliz por ver esse artista mais próximo do lugar que lhe é cabido. Esse trabalho só vem confirmar o talento de uma estrela que se mistura a tantas outras nesse Brasil de tantas desigualdades e injustiças. Chegou a sua vez poeta, avante e muito sucesso!
vai em frente maciel o mundo é teu ... tens o dom da boa musica ..sucesso.. sucesso vc merece seu amigo irmao bosco(pf)
Marciel Melo , Excelente, sucesso na sua Jornada,parabens, cd otimo
Amigo Maciel sucesso para vc , colega de colegio em petrolina, desde os festivais em Petrolina era 10..
Maciel, Petrúcio, Dominguinhos, Geraldo, Zé, Alceu, são sensacionais, Espetaculares. Viva, porque ainda temos eles.
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