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Caatinga

Poeta e compositor Virgílio Siqueira lança auto de natal em Petrolina

Cânticos de Sol e da Chuva é carregado de poesia e tem a caatinga como plano de fundo para o desenrolar da trama

Publicado em 25/08/2012, às 14h00

Do JC Online

O compositor Davi Siqueira e a cantora maranhense Zélia Grajaú estarão presentes na noite de autógrafos que marcará o lançamento do auto / Foto: Divulgação

O compositor Davi Siqueira e a cantora maranhense Zélia Grajaú estarão presentes na noite de autógrafos que marcará o lançamento do auto

Foto: Divulgação

A seca, a chuva, a fauna e a flora da caatinga são o cenário sem limites para a história de um casal que vive a descrença e a fé  de uma história que se passa no Sertão. Depois de tantas reviravoltas provocadas pelas dificuldades, Benjamim e Carminda acabam sendo surpreendidos pela fartura e harmonia que só o inverno conseguiu multiplicar. Os dois dão a volta por cima de uma rotina conflituosa que ganha luz com o nascimento de gêmeos. Com muita poesia, a história de Cânticos de sol e de chuva, movimenta o primeiro auto de natal que se passa na caatinga. Escrito pelo poeta e compositor sertanejo Virgílio Siqueira, o auto, em forma livro, será lançado no próximo sábado (1º) , às 20h,  no clube da 21 de Setembro, centro de Petrolina. Na noite de autógrafos, o público vai poder assistir a um conserto musical com o músico e compositor Davi Siqueira e a cantora maranhense Zélia Grajaú. O show integra a trilha sonora do auto e é parte da narrativa do livro que fecha com as letras das canções.

Nascido na pacata Santa Cruz, Sertão do Araripe, onde passou a infância convivendo com as agruras da estiagem, o autor montou uma narrativa dinâmica que também carrega as belezas do Sertão. Atualmente, Virgílio mora em Petrolina, onde busca inspiração frente à abundância das águas do rio São Francisco.

No concerto, serão apresentadas 12 canções nos estilos cantoria, aboio, xote, baião, forró, rock rural e blues com letras que remontam o cancioneiro nordestino. O personagem masculino Bejamim, representa a seca, enquanto a companheira  Carminda,  a chuva e a fartura. “Esse auto de natal traduz todas as matizes da natureza humana e o ambiente da caatinga. O diferencial em relação a outros autos já escritos, é que neste, em vez de um filho, o casal ganha gêmeos. Aí uma terceira personagem chamada Maria Parteira entre em cena”, explica Virgílio.

Segundo o autor, que lançou seu primeiro livro na década de 90 e participou de coletâneas, o projeto Cânticos de Sol e de Chuva, povoa seu sentimento sertanejo há mais de vinte anos, mas só agora consegui transformá-lo em livro. “Sempre começava o processo de pesquisa, dava os primeiro passos da escrita, mas parava no meio. Ano passado, passei por momentos difíceis na vida e retomei o projeto fazendo pesquisas na região de Santa Cruz e Ouricuri, dando forma à narrativa dos poemas e das músicas”, conta Siqueira.

Cânticos de Sol e da Chuva ganha dinamismo poético, através da linguagem que o autor conduziu usando as formas do terceto, quadra, sextilha, décima, versos brancos e livres, além da poesia concreta. O desfecho da história se dá com o nascimento de Ivan e Aída, que para o pai Benjamim, representam, respectivamente, ternura e fibra/doçura. Virgílio Siqueira também é compositor, e tem músicas gravadas por Fagner e Santana.

Como foi bancado de maneira independente, o autor dá a largada com  1 mil exemplares. Ele lamenta não conseguir acesso às leis de incentivo à cultura, bancadas pelo setor público. “É preciso apadrinhamento político para se conseguir uma resposta. O jeito é ir quebrando as barreiras para não perder o ritmo”, argumenta o poeta.

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