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Tributo

Um tributo que se perde nas boas intenções

Talento não é o suficiente para garantir as releituras de Caetano

Publicado em 28/08/2012, às 06h00

José Teles

Uma visita do americano David Byrne por um sebo de discos, no Rio, no começo dos anos 90, foi fundamental para a MPB. Byrne apaixonou-se pela música de Tom Zé, por conta do LP Estudando o samba (que adquiriu no sebo carioca), ponte para ele conhecer o Tropicalismo, e divulgá-lo em coletâneas lançadas no seu selo Luaka Bop. Desta forma Tom Zé, Caetano Veloso, Mutantes ganharam um público novo, embevecido pela vanguarda pop brasileira dos anos 60, ignoradas até então por eles. Os Mutantes até ressuscitaram para atender a este nova demanda.
Por conta disto, grosso modo, é que a banda indie inglesa, The Magic Number, o neo-psicodélico americano Devendra Banhart, e niu uêive americana Chrissie Hynde ( The Pretenders), participam do álbum A tribute do Caetano Veloso (Universal Music), produzido para celebrar os 70 anos do filho de Dona Canô.
Uma das razões de tributos do gênero raramente corresponderem à boa vontade dos que o fizeram, é o excesso de reverência. Grava-se a composição menos com o objetivo de mostra-la por outro ângulo, e mais para agradar os homenageado. Foi o que fez The Magic numbers com You do’nt know me, uma das faixas de destaque de Transa um dos melhores discos de Caetano Veloso. Até onde os versos são em inglês, ótimo. Quando entram as colagens de trechos de canções, em português, cantada pelo grupo em português de sotaque de programa humorístico, piorado pelo fato de dificilmente os gringos terem uma ideia do conceito das colagens.
Nem só gringo falha. Céu, dona de um insuspeitado vozeirão, não vai além do trivial variado em Eclipse oculto (apesar da guitarra de Fernando Catatau). A calejada Chrissie Hynde com Moreno, Kassin e Domenico, recria The empty boat, numa das poucas faixas memoráveis do álbum. O que resta do Mutantes está irreconhecível em London London. Beck, que até tem disco batizado de Tropicalia, não surpreendente, mas não decepciona no clima onírico que imprime a Michelangelo Antonioni (de Noites do Norte, 2000). O arranjo é engenhoso, mas a interpretação de Jorge Dexler segue a mesma de Caetano Veloso em Fora de ordem.
O disco tem ainda seu Jorge Arismar Espírito Santo e Toninho Horta, Marcelo Camelo, a portuguesa Ana Moura, Momo, Luisa Maita, Tulipa Ruiz, Miguel Poveda, Qinho, e Mariana Aydar. Que vão do bom ao mais ou menos. Bom Marcelo Camelo impondo seu estilo a É de manhã, mais ou menos Momo, em Alguém cantando. ótimo Ana Moura (Quem me dera), bom, Tulipa Ruiz (Da maior importância). Ruim, Miguel Poveda (Força estranha)
Preço médio: R$29,90

 

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