Jornal do Commercio
EXPECTATIVA 2016

O que a cena artística pernambucana espera de 2016

Artistas, produtores e gestores falam sobre suas expectativas e desafios relacionados ao próximo ano

Publicado em 01/01/2016, às 06h11

Parte da cena cultural pernambucana fala sobre o que espera do novo ano / JC Imagem

Parte da cena cultural pernambucana fala sobre o que espera do novo ano

JC Imagem

Do JC Online

A troca dos dígitos de um calendário é espelho e farol: olhando para trás, faz-se inevitável o balanço daquilo o que foi fizemos; guiados pela luz, é imperioso seguir adiante. 2015 foi um ano em que a palavra crise instalou-se entre nós – e, parece, ainda não está pronta para ir embora. A arte segue, sempre. Dando rodopios e cambalhotas nos momentos mais duros, girando o carrossel do destino e da criação. Perguntamos a artistas e pessoas ligadas à cultura o que elas farão, neste 2016, para enfrentar a crise. Também instigamos cada um a falar de futuro, projetos e sonhos. Avante!

Confira os depoimentos:

Bruno Liberal, escritor

"2016 será um ano de reclusão e trabalho duro. Quero me concentrar em escrever o romance que comecei em 2014 e fazer os malabarismos necessários para pagar as contas. Será um ano difícil, de ajustes, mas acredito que necessário no sentido de repensar os caminhos escolhidos.

Espero a utopia de uma mudança de consciência política e comportamental da sociedade que se volte para o combate efetivo da corrupção em todas as esferas. Da escola ao governo. De casa ao trabalho. A corrupção subtrai qualquer esforço para a evolução social.

Como 2015, 2016 também será um ano de luta pelos direitos humanos e a urgentíssima reforma política. Estejamos firmes e alertas! A democracia ainda é o melhor para todos."

 

Sidney Rocha

Sidney Rocha, escritor

"Que crise? Já tem uma pra 2016? Antes do Carnaval ou depois? Em Boa Viagem? No Coque?  Atravessarei 2016 navegando por minha própria conta. E lendo mais Shakespeare."

 

Rodrigo Morcego, cantor e guitarrista de blues

"Com muita força e paciência, a continuidade de muito trabalho, estarei sempre buscando expandir boas energias com minha música, abraçando os corações e ouvidos emprestados."

 

Renata Ramos, pintora

"Vou fazer o que venho fazendo: tendo dinheiro, gasto; não tendo, economizo… Gastar o que não tem é o pior defeito de muitos brasileiros. O que  eu espero do Ano Novo? Um ano menos conturbado.Menos religião e mais humanismo.

Minha mensagem:

'Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:

a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca.'

(Trecho de poesia de Manoel de Barros, O Livro Das Ignorãças)."

 

Fernando Monteiro

Fernando Monteiro, escritor e cineasta

"O que eu vou fazer para enfrentar a crise em 2016 é continuar tentando seguir o conselho do Arqueiro Zen:  

'Guia teu cavalo

Pelo fio da espada

No meio das chamas.  

Flores frutíferas

desabrocharão no fogo.' 

                                                                                                                 Quanto à 'mensagem' que poderia deixar nesta passagem de ano, eu espero apenas que se afaste a nau dos insensatos de marolinhas e tsunamis  feitos mais de tambores do que de temores do que - reparando bem - traz cada ano que passa (e como passa!)..."

 

 

Lucila Nogueira, professora, poeta.

"A crise de 2016  vou enfrentar com  estudo, amor e poesia. Espero do ano novo  um resgate em nosso País de valores como seriedade na política e profundidade no texto literário. A mensagem seria um apelo a uma maior intensidade  e beleza nas relações pessoais que tem sido dificultadas pela competição superficial e futilidade nas metas da existência."

 

Tuca Andrada, ator

"Trabalhar e exigir dos nossos governantes que trabalhem também, afinal de contas quem paga a vida boa deles somos  nós. Continuar vivo e fazendo o que mais gosto que é interpretar. Espero que 2016 seja um ano mais tranquilo que esse. Desejo saúde e paz a todos."

 

Melina Hickson, produtora

"Enfrentarei a crise trabalhando ainda mais e vendo saídas diversificadas para meu trabalho. Espero que em 2016 a diversidade da música chegue a mais ouvidos, apesar da ignorância de parte da mídia. Espero que a cultura atraia mais atenção dos gestores públicos, apesar de suas limitações. Espero que ideias criativas e investimentos ousados viabilizem bons projetos, apesar da crise. Espero que as pessoas sejam mais abertas, curiosas e respeitosas, apesar da sequela que 2015 deixa. Espero que 2016 seja o ano que a gente volte a dizer: ‘Um próspero Ano Novo’! Nunca foi tão importante um ano próspero."

 

Tactiana Braga, produtora 

Minhas expectativas são de trabalhar em conjunto com outros parceiros para subverter o ambiente de crise. Se nos unirmos ficará mais fácil manter o rumo das coisas e acredito muito na força do coletivo colaborativo. Buscar um entrelaçamento de esforços e atuações. Não trabalho com a ideia de crise, mas de mudanças de paradigmas a necessidade de buscar outros caminhos para atuar. A crise, quando passar, já terá feito tantas transformações que nada será como antes. Então, estou lidando com isto como algo que não vai voltar atrás, mas pode nos mostrar novos caminhos e outras formas de atuação. É seguir em frente, compartilhar os trabalhos, concentrar os trabalhos e minimizar gastos totais, reduzindo as estruturas funcionais e gastos fixos, sem perder o foco. A estrutura enxuta além de minimizar custos, dá flexibilidade para a empresa se moldar ao tamanho do momento. Se tem um projeto grande e precisa crescer, cresce para ele e depois se ajusta outra vez. Como um coração, sístole e diástole, como o princípio do Tao, onde há um fluxo de movimentos, mantendo a empresa sempre ajustada ao momento e aos projetos em execução. A B52 Cultural está acostumada a uma modelagem muito grande, como uma sanfona, se adaptando ao conjunto do que desenvolve, sem o peso de grandes estruturas. Nos preparamos para atuar desta forma e acredito que vai ser assim que vamos continuar. Estamos perto dos 20 anos da empresa. Vamos em frente.”

 

Monica Cosas, produtora musical é responsável pelo Conexão PE

"Espero um ano em que se fortaleça os laços entre os artistas e produtores para podermos enfrentar a crise. Acredito que, tanto a Secretaria de Cultura/Fundarpe e de Turismo vão ter sensibilidade para apreciar os projetos que possam contribuir para divulgação da nossa cultura e o intercâmbio com artistas de fora. Pernambuco tem uma forte tradição cultural. Isso atrai gente de todo mundo. Essa cultura gera renda e conhecimento para todos. Estou otimista."

 

Raoni Assis e Sheila Oliveira, d'A Casa do Cachorro Preto: "Esperamos de 2016 muita criatividade pra superar as dificuldades que o mundo enfrenta e que, juntos, possamos resolver. Que em  2016 seja possível retomar rumos e rever a cultura consumista que transforma tudo em coisas com valores de compra e venda. Muita criatividade para também valorizar a cultura.

Muita novidade para transformar o mundo em um lugar em que todos possam viver sem intolerância, sem homofobia, sem machismo, sem racismo, sem preconceito e sem caretice.

Criatividade para resistir às ondas de retrocesso e produzir maior proximidade entre as pessoas e menor distância entre as classes sociais.

Vamos inventando o que falta e esperamos 2016 aqui na Casa pra dar os toques e trocar essas ideias. Este ano promete e a gente segue acreditando."

 

Gutie

Gutie, produtor, responsável pelo Rec-Beat: 

'2016 vai ser um ano difícil, mas acredito que tende a melhorar politica e economicamente. Dos projetos que tenho agendados, dois deles, o Continuum e o Animage, já contam com parte dos recursos assegurados ( e espero que os patrocinadores honrem o compromisso). O maior desafio, contudo  já acontece no início do ano, e se refere à realização do Rec-Beat. O festival teve seu patrocínio reduzido significativamente e para fazer frente a isso lançamos uma campanha de financiamento coletivo. É uma experiência inédita entre festivais independentes, como o Rec-Beat. Mas acredito que vamos conseguir realizar e manter o conceito e o nível artístico do festival,  que já tem 20 anos de existência e está hoje entre os mais importantes do País. E o que é importante também: vai continuar gratuito ao público.Outros desafios que surgirem em 2016, a gente vai descascar, um a um, como sempre. Feliz 2016 a todos."

 

Eva Duarte, artesã, jornalista e produtora cultural 

"Acredito que a atitude colaborativa deve marcar o movimento da cadeia produtiva da cultura em Pernambuco em 2016. A Frente de Luta pela Cultura deverá se fortalecer em prol de um diálogo verdadeiro em torno das mudanças no Sistema de Incentivo à Cultura, mas também na criação de alternativas autônomas para a produção cultural. Como artesã, acredito no crescimento e ampliação de espaços de formação, exposição e comercialização de produtos, como a Feira Independente Disso. Como jornalista especializada na teia cultural, posso anunciar que o Portal Nuvem vai ganhar novo fôlego para a divulgação das artes visuais, design e fotografia. Faremos muito, de mãos dadas e com a moléstia." 

 

Dantas Suassuna

Manuel Dantas Suassuna, artista plástico

"Como artista tenho muitos sonhos e obras em andamento. Em 2016, gostaria de manter essa chama acesa, realizando alguns deles. Um desses é Pelo Caminho Sagrado, projeto ao qual me dedico há mais de três anos, percorrendo a rota das obras deixadas por Antonio Conselheiro. As ideias estão clareando, concluirei a pesquisa e farei uma exposição inspirada nesta pesquisa. Também quero dar andamento ao projeto da Ilumiara Jaúna, no Sertão da Paraíba (trata-se de uma enorme escultura em pedra, inspirada na Pedra do Ingá). Vejo a Jaúna como uma obra-testamento de meu pai para mim, algo que realizamos juntos, e que está descrita no último livro dele (ainda inédito). Quanto à crise o Brasil é grandioso e vai sair fortalecido."

 

Danielle Hoover, produtora

"Já que as previsões para 2016 não são das melhores... Desejo coragem, otimismo e leveza pra todos nós!  Não vamos desistir, vamos sonhar, acreditar e fazer!"

 

Joelson

Joelson Gomes, artista plástico

"Eu não estou em crise! Em  2016, pretendo ficar mais próximo da natureza do que  já  vivo. Quero meditar mais do que já me medito, isso leva paz para todos, para toda a humanidade. E  quero ser mais criativo. Também continuarei tocando o meu projeto da Casa Simples (aprovado no Funcultura). Convido outros artistas para ficarem juntos desse espaço: Ana Bernardes, Hélio Pellegrino e Maurício Castro já estão confirmados. A Casa Simples vai estar em movimento, um lugar aberto ao público e totalmente voltado para a criação. Juntos vamos também a Tracunhaém, Bezerros e Brejo da Guabiraba pra depois desenhar e criar!"

 

Zé Cafofinho

Tiago Andrade, o Zé Cafofinho, músico

"Vou continuar pedalando minha bicicleta sem rumo, que se parar ela cai, e continuar o que sempre faço pra subsistir: muito escambo. O escambo é a base da cultura, vou morrer fazendo."

 

Urariano Motta, escritor

"A literatura continua sem lugar nos meios de comunicação, nas secretarias e ministérios, às vezes nem mesmo nas livrarias, onde a confundem com os livros de autoajuda e do padre Marcelo. Mas os escritores trabalhamos duro com a renovada esperança daqueles versos de João Cabral para todo janeiro que começa: 'Como qualquer coisa nova  inaugurando o seu dia.  Ou como o caderno novo quando a gente o principia.' Este ano, dou continuidade ao  romance Em Busca do Terrorista. Espero que ele seja um balanço da militância contra a ditadura no Recife na década de 1970."

 

Lúcia Santos, marchande e galerista, da Amparo 60

"Vamos investir em atividades formativas para aproximar o público do universo das artes. Apostamos em manter a qualidade das exposições. E trazer novidades para o circuito para proporcionar novas experiências. Apesar de sentirmos já a retração do mercado, não podemos deixar que isso nos abata, usar a criatividade é a grande saída."

 

Tereza Costa Rêgo

Tereza Costa Rêgo, pintora

"Os artistas estão um pouco à míngua, sem muitas alternativas. Neste ano, espero finalmente poder expor meu último grande trabalho, meu painel inédito sobre As Mulheres de Tejucupapo, ao lado das obras que fazem a revisão da história na minha obra. Não está sendo fácil viabilizar a exposição."

 

Duda Vieira, produtor musical

"Não há um modelo pré determinado de nada - quem disser que tem fórmula para qualquer sucesso, está mentindo. Porém, temos aí a tecnologia, os novos mercados colaborativos, novas formas de pensar independência. Pernambuco sempre foi pioneiro em questão de criatividade artística para 'dibrar' a crise, por isso, acho que sai na frente. Mas precisa se dedicar mais à pesquisa de novas tecnologias. Se profissionalizar mais na produção. Aplicativos: acho esse um grande determinante de novos mercados. O camarada identifica a necessidade de um determinado grupo de pessoas, e cria um, dali vai diminuindo as distâncias."

 

Alexandre Urea, músico das bandas Eddie, Malícia Champion e Academia da Berlinda

"Tenho em mim essa frase: 'Faça você mesmo!'. Eu e amigos que fazem parte das bandas das quais participo fazemos festas, montamos bandas e, junto ao público amigo e fiel, vem dado certo. A crise tá aí, e tá difícil acreditar no País e nos governantes, principalmente. Tenho receio de fazer show no Carnaval, pelo constrangimento e falta de respeito com os artistas locais: tocar 2016 e receber em 2017 não dá... Ser retaliado por lutar por seus direitos... Dessa forma, prefiro sossegar e  eventos privados. Vamos rodar muito com o novo disco da Eddie e Academia da Berlinda vem de disco novo."

 

Guitinho da Xambá, músico do Coco de Xambá

"Espero menos burocracia no apoio e financiamento à cultura, que não pode ficar refém dos editais. Se um mestre que tem um brinquedo não entende de burocracia e não sabe acessar um edital, não pode simplesmente ser desassistido."

 

Márcia Souto, presidente da Fundarpe

"Devemos trabalhar para ampliar o Sistema de Incentivo à Cultura. Ampliar, claro, o Funcultura, mas ele não pode ser o único meio de viabilizar a produção. Temos uma estrutura que precisa ser atualizada, desburocratizada. Vamos trabalhar para isso."

 

Felipe André Silva, cineasta e crítico de cinema:

"Pra 2016 eu desejo menos burocracia e mais proatividade na hora de fazer cinema. Todo mundo fica esperando financiamentos e suportes e muitas vezes são histórias que poderiam ser contadas de maneira muito mais simples e modestas. Ter dinheiro pra trabalhar é essencial, mas se o dinheiro não chega sempre é possível dar um jeito de realizar. Quero ver mais filmes feitos artesanalmente."

 

Paulo Cunha, professor da UFPE

"Sobre o desejo para 2016... Imagino que seja no campo do cinema... Então, o seguinte: que o ano confirme uma safra qualificada de cinema independente autoral feito em Pernambuco. Que tal pensar em 20 novos longas renovando a tradição que vem do Ciclo do Recife?"

 

Daniel Aragão

Daniel Aragão, cineasta

"Em 2016 vou lançar o curta This is Not a Song of Hope, o longa Prometo um Dia Deixar Essa Cidade no circuito de exibição e me concentrar 100% no projeto de filme de ficção sobre Moacir Santos, que vai ser uma coprodução com os Estados Unidos e se chamar The Brazilian".

 

André Brasileiro,

"Para o próximo ano tenho algumas coisas já organizadas. Se Deus quiser e tudo dê certo como planejado. Em março, vou dirigir, no Teatro Net São Paulo, a gravação do DVD Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. Em abril, como ator, iremos estrear o espetáculo Ossos, de Marcelino Freire, com direção de Marcondes Lima, pelo Coletivo Angu de Teatro. Em maio, dirijo um projeto  do Libertango e convidadas com a participação de Soraya Ravenle, Leny Andrade e Elba Ramalho. O projeto será no Centro Cultural do Correios de São Paulo. Em junho, dirijo o show de lançamento do CD Desempena de Almério com direção musical de Juliano Holanda pelo Natura Musical. No segundo semestre, como ator, esperamos estrear o espetáculo O Homossexual ou a Dificuldade de Expressar-se, com o Coletivo Angu de Teatro. E ainda  Ayrton Montarroyos me convidou para dirigir o show de lançamento do primeiro disco dele.

Com relação a 2016 desejo um ano de excelentes projetos culturais para todos os artistas pernambucanos. Que nossa cidade receba e realize excelentes espetáculos teatrais, de dança, circo, música e exposições que contribuam para nossa fruição e olhar. E que nossa cultura seja cada vez mais valorizada, pois com ela fazemos a diferença."

 

Pedro Vilela

Pedro Vilela,

"Vou estrear um solo (nome provisório Fogo no Altar), que estreia em março. Vou dirigir a peça de 15 anos da Cia Cênicas. Na peça trabalharemos construindo uma dramaturgia a partir de hospícios que existiram no Brasil e que serviram como campos de concentração no século passado.... Temos previsão de estreia pra novembro. Vou dirigir o show, no primeiro semestre, da cantora Simona Talma, em parceria com Clara Gadelha".

 

Leidson Ferraz, pesquisador e ator

"Para enfrentar a crise, vou me dedicar ao Mestrado em História na UFPE, voltar a dar aula de História do Teatro Pernambucano no SESC Piedade, e aproveitar todos os editais que eu possa inscrever meus projetos de memória do teatro pernambucano, uma área que tenha cada vez mais interesse. Neste novo ano, espero ter mais tempo para o estudo e a pesquisa. Sei que não vai ser fácil manter-se financeiramente em 2016, mas é preciso apostar em novas possibilidades, sempre. E meu maior desejo é que a memória de cada cidadão brasileiro não se apague na hora do voto, para que não nos esqueçamos dos políticos que não contribuem em nada com este País.

Como ator, não tenho mais interesse em atuar/sofrer demais (risos).  Como pesquisador do teatro, tenho vários projetos a concluir em 2016, todos com incentivo do Funcultura: 

- A distribuição gratuita do DVD de dados com a pesquisa “Um Teatro Quase Esquecido – Painel das Décadas de 1930 e 1940 no Recife”, para bibliotecas e instituições de pesquisa e memória;

- Lançamento em livro do volume 1 do Teatro Para Crianças no Recife: 60 Anos de História no Século XX, com as produções teatrais entre os anos 1939 a 1979;

- A pesquisa O Teatro no Recife dos Anos 50 – Tentativas de Reafirmação da Modernidade, com distribuição gratuita em DVD de dados para bibliotecas e instituições de pesquisa e memória;

- O projeto de salvaguarda Teatro Tem Programa!, com mais de 600 programas de teatro do Recife e Olinda no século 20 digitalizados e cadastrados, disponíveis no site da Fundaj;

- O projeto de salvaguarda de fotos p/b de peças do Recife e Olinda para compartilhamento gratuito: O Teatro em Preto e Branco nas Memórias da Cena Pernambucana.

 Todos estarão finalizados ainda no primeiro semestre de 2016. Daí para a frente, é tentar novos projetos.

 

Renata Pimentel

Renata Pimentel, poeta

"Espero que a lama (literal e metafórica) saída à tona tenha vindo efetivamente para uma limpeza inadiável: sem ironia, espero que a desesperança nos sirva como combustível e coragem para mudar o que efetivamente precisa ser iniciado. A militância miúda da poesia, da arte, da educação pela humanização já não pode mais viver de retórica e ações tímidas e isoladas. Espero a mínima radicalidade necessária para entendermos o quanto, em resumo, somos iguais em nossas aparentes diferenças, no sentido de humanos, limitados, falhos, carentes, solitários, capazes de solidariedade se assim nos compreendermos.  Acho a crise, mais que tudo, uma invenção leviana de certos setores detentores de poder e capital, para ainda tentar manter as rédeas de seus "podres poderes". Ela me afeta, tão somente, na medida em que afeta o sentimento coletivo em certo sentido geral impregnando de imediatitude, de medo ruim. Explico: medo pode ser combustível de sobrevivência ou superação,mas se fomentado desta maneira, com base em manipulação e em uma comunidade humana sem senso de comunidade, é apenas medo que destrói e esfacela relações. Coloca a todos em um sentido de competição, desunião. E o pior é ver o consumo a todo vapor mesmo na suposta crise…"

 

Raphael Costa, músico

"Já começarei o ano cantando em cidades que gosto muito de ir. Fortaleza, Crato e Caruaru são algumas das já confirmadas nesse primeiro giro. Sigo com a campanha de financiamento coletivo do meu primeiro disco no Kickante e, passadas as festas do Carnaval, entraremos na fase mais aguda de pré-produção e logo em seguida o gravação. Daí seguiremos com o nosso planejamento de seu lançamento com shows por todo o país. 2016 há de ser um ano de renascimento para mim e para a minha música". 

 

Filipe Barros, guitarrista e compositor da Bande Dessinée

"Estou super instigado pro ano que vem. No primeiro semestre saem dois discos bem importantes pra mim. Primeiro o da Bande Dessinée e na sequência o Barro, meu projeto solo. São dois discos que condensam muitos anos de trabalho. Então 2016 pretende ser um ano de muito trampo botando esses dois discos no mundo. Fora isso devo lançar várias composições com outros artistas como Couutto Orchestra, Victor Camaroti, Marsa, Paes e Carlos Ferrera".

 

Isaar

Isaar, cantora

"A gente foi empurrado para um consumo desenfreado e ilusório que agora precisou ser freado bruscamente. Não é fácil para o ser humano. Mas não é só essa crise que nos abate. Um conjunto de mudanças acontece em todo o planeta. E eu faço música pela mudança, pela alegria e pelo amor. Se vou ganhar dinheiro em 2016, não faço ideia, Mas vamos, sim, continuar cantando e mostrando que existem caminhos na solidariedade. Segurar o bolso, diminuir os custos e seguir com fé".

 

Zeca Viana, músico

“A crise é o melhor momento para vibrar música no coração, arte nos punhos e ideias saindo da boca, da dificuldade nasce a criatividade! Espero, no novo ano, tocar muito ao vivo, movimentar a cidade e deixar dessa preguiça – vamos fazer som! Vamos pensar e concretizar, vamos sair do campo das ideias e ir para a prática, fazer o bem, plantar o amor e fazer para o outro aquilo queremos para nós mesmos!”

 

Andréa Mota, produtora cultural

"Que este seja um ano transformador. Da construção de novas possibilidades de relações saudáveis, vigorosas e fraternas. Eu desejo ampliar o meu trabalho de cinema e educação, com o projeto cineCabeça atendendo mais jovens estudantes e contribuindo para ampliar suas visões de mundo."





Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

O Mundo de Rafa O Mundo de Rafa
Rafael foi diagnosticado com síndrome de Asperger apenas aos 11 anos. Seus desenhos contam pedaços muito importantes da sua história. Exprimem momentos de alegria, de comemoração e também de desabafo, de dor
Gastos dos parlamentares pernambucanos Gastos dos parlamentares pernambucanos
Os deputados federais da bancada pernambucana gastaram, no 1º semestre deste ano, R$ 5,1 milhões em verbas de cotas parlamentares. Já os senadores gastaram R$ 692 mil. Os dados foram coletados com base no portal da transparência da Câmara e do Senado
Um metrô ainda renegado Um metrô ainda renegado
São 32 anos de operação e uma eterna luta por sobrevivência. Esse é o metrô do Recife

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM