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Teatro do Parque: obras seguem paradas e não há previsão de reabertura

Antes um dos palcos mais consagrados do Recife, espaço está abandonado

Publicado em 17/03/2017, às 11h14

Teatro do Parque, sem obras há mais de um ano e meio, continua com futuro incerto / JC Imagem
Teatro do Parque, sem obras há mais de um ano e meio, continua com futuro incerto
JC Imagem
JC Online

Um dos exemplos mais emblemáticos do descaso do poder público com a cultura, no Recife, é o Teatro do Parque. O equipamento cultural, que já foi um dos mais movimentados da capital pernambucana, inaugurado em 1915 está fechado desde 2010. A primeira fase da reforma, com objetivo de sanar problemas estruturais e substituir o telhado, custou R$ 1 milhão. A segunda etapa, que prevê restauro e modernização doteatro, como sonorização, tela, mobiliário, entre outros, tem custo previsto de R$ 12 milhões, mas ainda está em processo de captação, via Lei Rouanet.

A entrega, prevista inicialmente para a comemoração do centenário, em 2015, é uma incógnita e, há mais de um ano, as obras estão completamente paradas. Em novembro, o Ministério Público de Pernambuco ajuizou ação pedindo que seja expedida liminar exigindo reinício imediato das obras de restauro do espaço.

Durante a última campanha eleitoral, os candidatos a prefeito foram enfáticos em ressaltar a reabertura do Teatro do Parque como prioridade. O atual gestor, Geraldo Julio, que em seu primeiro mandato não avançou nas melhorias, disse, inclusive, que iria reformar, mas só "quando tivesse recursos."

A placa com a ordem de serviço da empresa Concrepoxi, responsável pela primeira fase do projeto, instalada há pelo menos um ano e meio, estava exposta sem um dado essencial para a população: o valor. Procurado pela redação do JC, o Gabinete de Projetos Especiais admitiu o erro e disse que a placa será retirada e outra será colocada quando a nova etapa for licitada (ainda sem previsão).

"A atual placa de sinalização foi colocada pela empresa contratada à época da realização da primeira etapa da obra que o teatro foi submetido. Já foi solicitada a retirada da placa, uma vez que o contrato com a empresa já chegou ao fim. A placa deverá ser retirada pela empresa Concrepoxi já na próxima semana. Uma nova licitação será realizada para o cumprimento da segunda etapa da obra de restauro do Teatro do Parque. Tão logo a empresa vencedora for autorizada a iniciar os serviços, uma nova placa será colocada no local com todas as informações técnicas, incluindo valor total da obra", explicou a Prefeitura em nota.

DESCASO

Para os moradores, comerciantes e transeuntes que passam pelo Teatro do Parque diariamente, a situação do entorno só piorou desde o fechamento do espaço, em 2010.

"Penso que a situação do Teatro do Parque reflete a situação de abandono do centro do Recife, no geral; e de descaso com a cultura, em particular, no tocante à atenção do poder público municipal para essas áreas. Para mim, que moro no centro há 12 anos, está claro que o centro não é prioridade, do ponto de vista urbanístico, patrimonial, cultural e humano para a Prefeitura. O Parque era um equipamento cultural vivo, pulsante, que trazia vida para esta região do centro. O Teatro do Parque, portanto, é quase um sintoma, um emblema, um símbolo desse vazio que se arrasta desde 2010. Sete anos de um Teatro-Patrimônio fechado são uma vergonha para uma cidade como o Recife, uma metrópole produtora e consumidora de cultura”, critica o diretor e professor Rodrigo Dourado, que mora ao lado do Teatro do Parque.

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Comentários

Por LYRA,17/03/2017

Isso simplesmente mostra o reflexo de um estado que não tem governantes, governador e prefeitos, não falo nem em deputados estaduais e vereadores, que são peças decorativas da pior espécie possível. Hoje, em nosso estado temos um governador e um prefeito da capital, investigados pela lava jato, por serem membros permanentes da quadrilha de Eduardo Campos 10%, que ainda continua atuante sob a batuta dos dois acima citados e mais Bezerra Coelho e Tadeu Alencar, pode até vir dinheiro para o estado mas, com certeza não será utilizado em obras e sim desviado.

Por Osvaldo,17/03/2017

São sete anos para concluir uma obra! Quatro anos e três meses só durante o mandato do sr. Geraldo Júlio, que por sinal, depois de reeleito, sumiu da cidade, que continua suja, fedorenta e intransitável em trechos como as calçadas da Av. Conde da Boa Vista. Mas............foi reeleito com 60% dos votos válidos! Pelo jeito, os recifenses gostam da forma propagandística de administrar deste prefeito!



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