Jornal do Commercio
MEMÓRIA

Exposição mostra história da companhia circense de Domingos Montagner

Exposição reúne figurinos, fotografias e outros itens do Grupo La Mínima, criado pelo ator em 1997

Publicado em 17/04/2017, às 13h59

Na companhia, Montagner vivia o palhaço Agenor, parceiro de Padoca (Fernando Sampaio) / Foto: Reprodução
Na companhia, Montagner vivia o palhaço Agenor, parceiro de Padoca (Fernando Sampaio)
Foto: Reprodução
Ludmilla Souza, da Agência Brasil

Os apaixonados pela arte circense têm a oportunidade de entender mais sobre a jornada dos atores Domingos Montagner (1962-2016)e Fernando Sampaio, parceiros do Grupo La Mínima, criado em 1997. O princípio da companhia é pesquisar o repertório clássico do palhaço, adaptá-lo e aplicá-lo a diversos suportes dramatúrgicos. Os atores formavam a dupla de palhaços Agenor (Montagner) e Padoca (Sampaio). Montagner morreu em setembro de 2016, afogado no Rio São Francisco, em meio às gravações da novela Velho Chico, da TV Globo.

O público pode conferir a história do grupo na exposição LaMínima 20 Anos, que reúne figurinos, fotografias, vídeos e adereços que revisitam as produções e contam a história da dupla – da amizade e parceria profissional até a criação de Agenor e Padoca.

O projeto LaMínima 20 Anos, realizado pelo Sesi São Paulo, traz uma exposição inédita com 90 fotos, objetos e figurinos que remontam a trajetória do grupo sob a ótica dos palhaços e figuras que fizeram parte dos 14 espetáculos do seu premiado portfólio. A exposição fica em cartaz no Espaço de Exposições do Centro Cultural Fiesp, entre os dias 12 de abril e 9 de julho, diariamente, das 10h às 20h. A entrada é gratuita.

A concepção do projeto LaMínima 20 Anos é de Domingos Montagner e Fernando Sampaio. A direção de arte é de Cassio Amarante, arquiteto de formação e diretor artístico de vários filmes brasileiros, entre eles Ação entre amigos (1998), de Beto Brant, Bossa Nova (2000), de Bruno Barreto, O ano em que meus pais saíram de férias (2006), de Cao Hamburger, entre outros.



Segundo Amarante, a exposição procura fazer uma retrospectiva livre e lúdica da trajetória da dupla. “A arte dos dois não só construiu um repertório, mas uma maneira de se apresentar. É um circo-teatro absolutamente envolvente”. Ele explica que a exposição não tem uma ordem cronológica, mas de temas. “Construímos uma série de malas com se fossem as da companhia mesmo. Quatro delas tem uma tela em que a gente pode assistir trechos bem representativos de cada um dos espetáculos. Ficou muito rico misturar esse registro em vídeo com a coleção dos objetos, é como se estivéssemos dentro do contrarregra do LaMínima”.

Amarante diz que o convite ocorreu depois de ter trabalhado com a dupla no filme Bingo - O Rei das Manhãs, com estreia prevista para agosto deste ano. "Eles me procuraram para que eu fizesse essa exposição para comemorar os 20 anos de trabalho, infelizmente no meio do caminho aconteceu a morte do Domingos”. Para ele, a fatalidade não impediu a equipe de continuar o projeto. “Logo ficou claro para todos que não tinha sentido deixar o projeto para trás e nos sentimos na responsabilidade de ir em frente”, revelou.

No texto escrito por Domingos sobre os 20 anos do grupo, ele dizia: “Queremos comemorar [essa história], apresentando espetáculos que percorreram muita estrada, realizando uma exposição com fotos, figurinos, objetos que andaram conosco e estrear Pagliacci, um novo companheiro para nos ajudar a construir mais um trecho deste caminho, que ainda não sabemos onde é o fim”.

MAIS COMEMORAÇÕES

Ainda fazem parte das comemorações a estreia do espetáculo Pagliacci, em cartaz no Teatro do Sesi-SP até 2 de julho, e uma mostra itinerante com seis espetáculos do repertório da companhia que percorrerá o Centro Cultural Fiesp e outras cinco unidades do Sesi no estado (Santana de Parnaíba, Cotia, Diadema, São Caetano do Sul e Osasco).


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