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Os Ovos da Raposa: série pernambucana transforma Paudalho em Bakatu

Dirigida por Valdir Oliveira, obra terá 13 capítulos e elenco local

Publicado em 17/07/2017, às 12h55

Lívia Falcão e Marcélia Cartaxo estão no elenco / Divulgação
Lívia Falcão e Marcélia Cartaxo estão no elenco
Divulgação
JC Online

Ruas pacatas e uma malha urbana que se resume quase inteiramente à prefeitura, à igreja, uma praça e o casario simples, mas charmoso com suas fachadas pintadas de cores fortes. O quadro é típico de várias cidades do interior de Pernambuco, que ao mesmo tempo em que são bombardeadas pelos avanços tecnológicos e de costumes, preservam símbolos de um passado não tão distante. Esse é o cenário da fictícia Bakatu, espaço onde é ambientada Os Ovos da Raposa, série dirigida por Valdir Oliveira, atualmente na fase final de gravação.

Na pacata Bakatu, o prefeito José Abelinto (Cláudio Ferrário), no comando da cidade há vários anos, busca a reeleição. Suas promessas esdrúxulas, nunca concretizadas, continuam a ludibriar a população, mas sua confortável posição como líder da comunidade está ameaçada com a chegada de um oponente, interpretado por Jorge de Paula.

A história roteirizada por Valdir Oliveira usa a disputa como pano de fundo para tratar, de forma satírica, de questões delicadas ligadas à política nacional. Ao ambientar a narrativa em um espaço popularmente vinculado a táticas eleitorais arcaicas, como voto de cabresto e de abuso econômico, o escritor e diretor quer instigar a reflexões necessárias através do riso.

“Inicialmente escrevi para ser uma peça de 1h30, mas sempre consegui imaginar o texto traduzido para o audiovisual. Trata-se de uma grande sátira da política brasileira, suas raízes e os reflexos no cenário atual. Tem sido uma experiência ótima porque estou podendo desdobrar situações, adicionar personagens e trabalhar um tema denso sob a perspectiva do entretenimento”, pontua o diretor.

A cidade cenográfica foi montada em Paudalho, Mata Norte de Pernambuco, que está movimentada com as gravações. Haverá ainda locações no Recife, Itamaracá e Jaboatão dos Guararapes. A série, que terá 13 capítulos com 26 minutos de duração, tem um elenco estrelado de atores locais, como Lívia Falcão, a cantora Isaar, Pedro Wagner, Fabiana Pirro, Waldir Chagas, Tatto Medini, Giordano Castro, Fabio Caio, Marcondes Lima, Hilda Torres, a paraibana Marcélia Cartaxo, entre outros.



“O que me tocou muito nesse projeto foi a valorização do talento da casa. É um trabalho genuinamente pernambucano. Além de interpretar Geninha, que é a primeira-dama de Bakatu, também fiz a preparação de elenco. É um projeto muito delicado e divertido”, afirma Lívia Falcão.

DNA LOCAL

Produzida pela Cabra Quente Filmes em parceria com a 3 Brasis, que presta consultoria e gestão ao projeto, a série foi contemplada com o prêmio Agência Nacional do Cinema (Ancine) voltado para a produção audiovisual para a TV pública, de 2015. O dinheiro, R$ 1,15 milhão, no entanto, só foi liberado este ano. O intuito, explicam os criadores, foi, desde o início, montar uma equipe majoritariamente local.

“99% dos 45 técnicos são do Nordeste, e a maioria deles de Pernambuco. Queríamos valorizar os talentos locais e aquecer nosso mercado. Ao todo, temos uma equipe de cerca de 190 pessoas. Estamos também aproveitando que os olhos da Ancine estão voltados para o Estado, graças ao sucesso do nosso cinema, para mostrarmos que outros tipos de produção audiovisual são viáveis”, explica o produtor-executivo Hamilton Filho.

Maurício Correa, que também assina a produção da série, diz que a equipe está empolgada com os resultados até o momento, e que já se cogita a possibilidade de novas temporadas.

“A ideia é que Bakatu vire o grande guarda-chuva para histórias diversas, centradas em núcleos e personagens distintos, que podem ser desdobradas ao longo de novas temporadas”, adianta.
As gravações terminam no dia 30 deste mês e a equipe deve entregar, até outubro, três capítulos finalizados. A previsão é que a estreia acontecça no primeiro semestre de 2018, na TV Brasil.


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