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Reconhecimento

Centro Georges Pompidou irá adquirir obras de Paulo Bruscky

Pernambucano ganhará exposição no museu francês, em outubro

Publicado em 08/08/2017, às 14h49

'Cabaret Voltaire' é uma das obras que devem ser adquiridas pelo museu / Divulgação
'Cabaret Voltaire' é uma das obras que devem ser adquiridas pelo museu
Divulgação
Márcio Bastos

Desde os anos 1960, Paulo Bruscky mantém uma das produções mais fecundas e múltiplas do país. Utilizando-se de diferentes mídias – como o vídeo, xerografia, áudio, arte sonora e audioarte – ele fez de suas obras um mosaico múltiplo que discorre sobre política, sociedade e vida cotidiana, sempre com um olhar provocador. Esse vasto legado será celebrado no Centre Georges Pompidou - Beaubourg, em Paris, onde ele será tema de exposição retrospectiva a partir de outubro.

O flerte da instituição francesa com o artista pernambucano começou há alguns anos e foi consolidado no ano passado, durante a 32ª Bienal de São Paulo. Através de Catherine David, curadora do Museu Nacional de Arte Moderna, sediado no icônico centro cultural francês, Bruscky foi dando molde ao projeto.

“Catherine me deixou muito à vontade para pensar a exposição, para trabalharmos juntos. Houve muito diálogo. Fiquei muito contente com o convite porque o Pompidou é um dos museus mias importantes do mundo e a exposição dará uma noção ampla da minha obra”, explica o artista.

Em exibição, estarão cerca de 130 obras que datam desde os anos 1960, incluindo 35 vídeos, 32 poesias sonoras em pontos de áudio e documentação de performances. Algumas publicações, como o Bruscky Invents, poderão ser folheados em iPads pelos visitantes. O projeto expositivo e a montagem ficarão à cargo de Raíza Bruscky, filha do artista, e a curadoria será assinada por Catherine, com auxílio de Cécile Zoonens.

“Também haverá um recorte intitulado Diálogos, onde estarão disponíveis correspondências entre mim e artistas como Ray Johnson (1927 – 1995), do grupo Fluxus, porque os correios modificaram toda a minha trajetória e me ajudaram abrir um leque de possibilidades, discutir conceitos artísticos e de vida”, reforça Bruscky.

Ele ressalta ainda a importância da exposição por se tratar da primeira vez que a obra de um artista brasileiro vivo ocupa o quinto andar da instituição, voltado para o acervo permanente. A retrospectiva tem previsão de abertura para o dia 18 de outubro e segue até 18 de abril de 2018. Na abertura, Bruscky fará também uma performance.

Além disso, talvez o mais simbólico seja a aquisição de obras do pernambucano para o acervo do Georges Pompidou, que conta com trabalhos de nomes como Matisse, Dalí, Miro, Kandinsky, Picasso e Jackson Pollock.



“Ao todo, passamos por um processo intenso de análise de mais de mil obras. Ao longo de minha trajetória, trabalhei muito, pesquisei à exaustão, então é gratificante esse reconhecimento”, ressalta.

Ao todo, estima-se que cerca de 30 obras de Paulo Bruscky passarão a integrar o centro de documentação e pesquisa do equipamento cultural francês, mas esta lista ainda está sendo finalizada, como adiantou a Raíza Bruscky. No final deste mês, ela se reunirá com o museu para fechar os detalhes, mas indica que entre os trabalhos estão Fragmentos em Sol Maior (1982),

O meu Cérebro Desenha Assim (1976), a série de ferrogravuras (1974), Liquidação Poética (1971) e o manuscrito do Cabaret Voltaire.

ODE A VICENTE

Na exposição organizada pelo Pompidou, outro pernambucano terá sua obra celebrada: Vicente do Rego Monteiro, uma das grandes inspirações de Paulo Bruscky. O artistas, inclusive, tem duas obras no acervo do museu, A Caçada, de 1923, e O menino e os bichos, de 1925, que também serão exibidas.

Fora as pinturas do Pompidou, todo o resto é do arquivo de Bruscky, com 43 peças ao todo. Entre elas, estão caligramas, poema tipográfico, poema postal, poesia sonora, publicações editadas por ele, peças radiofônicas escritas e documentação, além de duas obras de Paulo em homenagem ao conterrâneo. Vicente é um dos principais nomes do Modernismo brasileiro e é representado pelo marchand Carlos Ranulpho desde sua morte, em 1970.

“Catherine havia visto meu livro sobre Vicente (Vicente do Rego Monteiro, Poeta, Tipógrafo, Pintor) e ficou encantada com os projetos gráficos dele. Então, teremos uma sala só com trabalhos dele, com foco nos trabalhos mais experimentais dele. É uma grande felicidade para mim porque Vicente é alguém de quem gosto muito. Foi um multiartista em todos os sentidos”, afirma Bruscky.


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