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A inquietação artística que move Armando Babaioff

Na televisão, no teatro e no cinema, pernambucano busca papéis instigantes

Publicado em 13/08/2017, às 10h00

Armando Babaioff tem assumido projetos ousados para executar sua visão artística / Renato Mangolin/Divulgação
Armando Babaioff tem assumido projetos ousados para executar sua visão artística
Renato Mangolin/Divulgação
Márcio Bastos

Ainda que seu rosto tenha sido popularizado nacionalmente pela presença em novelas como Páginas da Vida (2006), Sangue Bom (2013) e A Lei do Amor (2016), é no teatro que Armando Babaioff pavimentou e solidificou sua carreira. Nos palcos, o ator se lança em projetos marcados pela diversidade, que vão desde a comédia de costumes, como em A Escola do Escândalo (2011) ao drama, a exemplo de Tom na Fazenda, peça na qual, além de atuar, é responsável pela tradução e adaptação. Em conversa com o JC, o pernambucano fala sobre a montagem, cinema, projetos futuros e sobre ser artista no Brasil contemporâneo.

Nascido no Recife, Armando Babaioff mudou-se com a família para Fortaleza ainda na infância, seguindo posteriormente para o Rio de Janeiro, onde fixou residência. O tempo que passou na capital pernambucana, no entanto, foi o suficiente para consolidar raízes.

“A minha identidade cultural é muito misturada”, afirma. “Eu fui alfabetizado em Recife, minha memória auditiva é o sotaque pernambucano. A primeira música que ouvi foi um frevo”.

No Rio, iniciou no teatro ainda na escola, já que fazia parte do currículo da instituição, atividade posteriormente abraçou como profissão. Suas atividades no palco se intensificaram, ao mesmo tempo em que se destacava na televisão. Para muitos, o papel de galã e a projeção nacional propiciada pela aparição diária nos televisores pode significar o objetivo máximo da carreira.

Não é o caso de Babaioff. Sua inquietação artística sempre prevaleceu ante à acomodação como celebridade. Nesse sentido, além de atuar, passou também a assumir o papel de produtor, o que lhe permite direcionar sua carreira para destinos que lhe representam.

“O que tenho vontade de falar eu produzo. Estou tentando trilhar esse caminho, da independência. Quero produzir mais. Quero ser dono do meu trabalho. Não importa o veículo. O que me interessa são as histórias, os personagens, par onde eles vão depois de serem vistos. Aonde uma palavra pode chegar, a forma como ela vai tocar a quem assiste”, enfatiza.

Foi assim com Tom na Fazenda. Fascinado com o texto de Michel Marc Bouchard, adaptado para o cinema por Xavier Dolan, entrou em contato com o diretor Rodrigo Portella. Para facilitar o entendimento do amigo, traduziu o texto para o português, adaptação que serve de alicerce para a montagem brasileira. A peça acompanha a visita de Tom, vivido por Babaioff, à família de seu falecido namorado. Lá, descobre que ninguém sabia de sua existência ou da orientação sexual do parceiro. Ele divide a cena com Gustavo Vaz, Kelzy Ecard e Camila Nhary. A obra, muito elogiada, está entre as principais indicadas ao Prêmio Shell, inclusive na categoria melhor ator, com Babaioff.



"As pequenas adaptações no texto são apenas para deixar a peça menos localizada, podendo acontecer em um interior qualquer. O que me interessou de cara nessa peça, é a possibilidade de se levantar questões humanas muito potentes partindo de características que nos são muito presentes. A mentira, a covardia, a impossibilidade imposta diante ser quem somos, de se discutir sobre isso. Sobre a inabilidade em se comunicar, sobre a dificuldade de ser o que se é. A peça passa pela sexualidade para se discutir coisas que vão além do preconceito”, explica.

CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DA CULTURA

Enquanto produtor, Armando Babaioff afirma ter tido dificuldade para captar recursos para o espetáculo devido à resistência de algumas empresas em relação ao tema.

“No início do processo da captação de recursos através de leis, eu mesmo recebi mensagens dizendo que a empresa era conservadora demais para o teor do espetáculo. Nós produtores nos tornamos reféns do dinheiro ‘privado’, que na verdade é público. Felizmente encontramos na Oi Futuro a nossa maior parceria”, afirma.

Ele comenta ainda sobre a situação da classe artística em meio ao desmonte nacional da cultura, assim como a campanha de demonização da classe frente ao público, em especial por desinformações em relação às leis de incentivo.

“Viramos reféns de comentaristas de opiniões rasas que não sabem como as leis de incentivo fiscal funcionam. O mecanismo é apenas uma forma de estimular o apoio da iniciativa privada ao setor cultural. Nós produtores temos, inclusive, várias críticas ao formato desse mecenato. O problema maior é que o mecenato deixa nas mãos das empresas a decisão sobre os projetos que serão aprovados. As leis de precisam ser revistas, mas no momento é o que temos para trabalhar e produzir. Todas as áreas recebem incentivo do governo – as montadoras de automóveis, o agronegócio. Me assusta saber que justamente a cultura desperte tanta ira nas pessoas. Fico muito preocupado com essa demonização da lei e principalmente com a criminalização ao artista”, reflete.

Desde sua estreia no cinema, no filme Sangue Azul (2015), de Lírio Ferreira, tem investido com m mais ênfase na sétima arte, apesar de se considerar um ator de teatro. Recentemente, participou dos longas Prova de Coragem e Homem Livre. Babaioff pretende continuar a explorar novas frentes em sua arte e pretende, em um futuro próximo, estrear na direção de espetáculos, além de anotar ideias para um possível roteiro cinematográfico.

“A cabeça sempre anda a mil, mas Tom na Fazenda, neste momento, tem me exigido muito. E estou colocando todo o meu foco nesse projeto”, enfatiza.


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